30/07/2012 Número de leitores: 318

Jumper

João Gabriel da Silva Ascenso Ver Perfil

Há cerca de um ano e meio escrevi um poema de nome banal – “tic tac” – que usava a imagem do relógio para falar da minha relação com o presente acelerado que vivemos. “Os ponteiros em sua órbita ferem-me mortalmente. Suas setas me injetam doses altas de adrenalina: é uma corrida contra o futuro” eu escrevia. E terminava: “Com (ingênua?) fé, mantenho-me de pé e suporto o peso do relógio... Que, talvez para me iludir, convence-me de que o tempo que me escraviza é o mesmo tempo que me absolve.”


Talvez esse seja realmente o dilema que a aceleração constante do tempo tem provocado em nós, fazendo com que nos encontremos na estranha posição entre o escravo e o absolvido. Tomo como exemplo o meu caso: tenho pensado em escrever esse ensaio há vários dias, e, nesse momento, me encontro sentado em frente ao computador, depois de um dia inteiro de leituras difusas e buscas esparsas sobre variados assuntos na internet, com taquicardia, suor nas mãos, a incômoda sensação de não ter feito nada relevante nas últimas 14 horas acordado, e nada menos do que 9 páginas do Google Chrome abertas à minha frente. É a partir desse caos, que demanda certa dose de Olcadil aos que (como eu) sofrem de ansiedade crônica, que tento começar a estruturar a narrativa desse texto – parte, talvez, da minha absolvição.

 

“Porque se limitar a um só lugar
quando você pode ter o mundo todo?”

 

Um dos filmes mais recentes que vi me deixou certa inquietação, fazendo com que meus pensamentos se voltassem para ele durante alguns dias. O filme, sem sombra de dúvidas, é um dos piores que já vi em minha vida (superando clássicos do “cinema de horror” – se me permitem o trocadilho – em que parece ter se transformado a blockbusterizada Hollywood). Trata-se de Jumper, filme de 2008, que consegue reunir atuações absurdas (que valeriam como happenings urbanos com o intuito de constranger os eventuais expectadores), uma narrativa que passa longe de convencer e efeitos especiais primários para um filme que se prendia algo como uma ficção de aventura.


Há na história, no entanto, e sobretudo na proposta (desperdiçadíssima!) do filme, algo que me chamou a atenção. Ela narra a vida de David, adolescente que se descobre um jumper, ou seja, um indivíduo com o poder de se teletransportar para qualquer lugar do mundo. Depois de se livrar de uma morte iminente por afogamento, roubar um banco e comprar uma cobertura luxuosa em algum ponto de Nova York, ele se diverte viajando diariamente pelos mais diversos lugares do mundo, do Egito à Itália, passando por Tóquio. Com seus poderes, David pode estar, literalmente, em qualquer lugar a qualquer momento, e tem fotos de todos os lugares que visitou ocupando uma grande parede de sua cobertura. Contar mais do que isso seria perda de tempo, porque as partes dramáticas, as sequências de perseguição e mesmo as revelações da história são absolutamente irrelevantes.


No trailer que anunciava o filme, o narrador se questionava: “porque se limitar a um só lugar quando você pode ter o mundo todo?” Achei a pergunta bastante pertinente. De fato, durante a maior parte da história do Ocidente, a onipresença era uma característica atribuída somente a Deus. Então, vieram as grandes navegações, o fenômeno da globalização, e eis que, desde, pelo menos, a década de 1960, com a série Star Trek, esse atributo divino parece estar se popularizando no universo ficcional mundial através de sua adaptação “humana”: o teletransporte. Cada vez mais comum em desenhos de animação, romances e filmes de ficção científica e de fantasia, a idéia é a possibilidade de um transporte preciso e eficaz garantindo o encurtamento absoluto das distâncias. Parte, evidentemente, do “sonho moderno” de superação das limitações da natureza e elevação do elemento humano ao divino através de processos racionais e científicos.


Muito bem, acontece que, em Jumper, a coisa muda um pouco de figura. O teletransporte (ou jump, salto) não é encarado por David como um meio de realizar os seus desejos. O jump é exposto como o próprio fim, o sentido da existência do personagem. Ele não busca construir nada, com seu fabuloso “dom”, além de acumular o máximo de vivências possíveis nos mais distantes lugares do mundo – para os quais se dirige com a facilidade de um bocejo, sem nem ao menos a fadiga física presente no (de todo modo “místico” – conceito inexistente em Jumper) Noturno, dos X-men.


A parede coberta de fotos de sua sala aparece como uma página de busca lotada de hiperlinks cuja visão (ou o mero pensamento, evocando a imagem do lugar visitado) é suficiente para direcioná-lo para lá. E é, basicamente, nisso que a vida de David se constitui: a mudança contínua de um lugar para outro, motivada pela mera possibilidade dessa mudança. Li, em recente crítica a esse filme, o seguinte questionamento: por que, com tamanho poder, David se limita a realizar ações tão banais e vazias? Por que será?


Hyperlink: uma hiperligação, um liame, ou simplesmente uma ligação (também conhecida em português pelos correspondentes termos ingleses, hyperlink e link), é uma referência num documento em hipertexto a outras partes deste documento ou a outro documento. (fonte: Wikipédia)


Hipertexto: é o termo que remete a um texto em formato digital, ao qual se agregam outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hyperlinks, ou simplesmente links. (fonte: Wikipédia)


Hiperatividade: transtorno que, aliado ao déficit de atenção e à dispersão, constituem síndrome recentemente diagnosticada e que atinge cada vez mais jovens no mundo todo. Contemporânea ao hyperlink e ao hipertexto. Coincidência?


A partir do século XI, na Europa, o florescimento das cidades (ou burgos) significou uma verdadeira revolução no tipo de vivência ruralista característico da Idade Média. As novas (ou remodeladas) cidades levaram a um aumento radical no contato entre as pessoas e na circulação de idéias, culminando, talvez, com a formação das primeiras universidades européias – centros humanistas por excelência de produção de conhecimento.


Durante o século XVIII, essa característica foi acentuada radicalmente, e acredito que o Iluminismo e seus filhos mais evidentes (as Revoluções Americana e Francesa) só podem ser compreendidos em seu caráter eminentemente urbano. A partir daí, praticamente todas as grandes transformações das sociedades modernas partiram das idéias partilhadas por indivíduos nas cidades (mesmo a Revolução Cubana ou, do outro lado do mundo, a Chinesa).


Na segunda metade do século XX e início do século XXI, no entanto, a imagem mais representativa do que sejam cidades para mim é essa:

Uma cena da gigantesca Taiwan, com seus enormes arranha-céus e centros urbanos muito bem planejados, contrastando com a singularidade de uma única pessoa circulando nas ruas. A imagem é do filme taiwanês O sabor da melancia, do malaio Tsai Ming-Liang, obra-prima que retrata de maneira poética, por vezes brutal, cômica, mas sempre maravilhosa, a solidão nos grandes centros urbanos, a invisibilidade dos indivíduos em meio à grandeza racional e perfeita do meio.


Outros filmes tratam desse tema de maneira bastante digna e bonita: Encontros e desencontros, de Sofia Coppola (belas atuações e direção impecável) e Medianeras, de Gustavo Taretto (cuja cena de sexo entre uma mulher e um manequim tem uma força dramática comovente) são bons exemplos que retratam essa transformação da cidade em um espaço de desencontros. Num mundo cada vez mais dinâmico, as relações se tornam cada vez mais frágeis (ou virtuais, um termo muito mais apropriado por sua polissemia bem-vinda). É a tal da “modernidade líquida” de Bauman...


Em O sabor da melancia, o erotismo (não, erotismo não, a pornografia, provida muito mais de explicitude do que de sensualidade) é o mote central para se discutir a fragilidade das relações humanas nas grandes cidades. Um ator pornô e sua vizinha se cruzam pelos corredores de um gigantesco prédio, no momento em que uma grande seca assola Taiwan (misturando a falta d’água ao excesso de melancias – por sua vez utilizadas como poderosas metáforas sexuais). Em meio à dificuldade que os dois enfrentam em compartilhar suas vidas e experiências, o filme está sendo gravado – uma alegoria perfeita do pornô, em todo o seu anti-erotismo e mecanicismo, que muitas vezes chegam a pinicar.


Contrastando com os sentimentos duramente exprimíveis, a crueza fria do close genital, que se torna ainda mais patente quando a atriz pornô morre e continua protagonizando as incômodas cenas de sexo. A última cena: o ator solta a atriz morta e goza na boca da vizinha com quem vinha ensaiando laços emocionais, uma janela a lhes separar, sêmen e lágrimas de sofrimento a escorrerem pelo rosto dela.


Final épico. A inserção do sexo na lógica de produção (produção de prazeres imediatos e mecânicos) antagonizando com a solidão de relacionamentos que tentam acontecer.

O tempo não é para todos, mas a velocidade pode ser” e “Tempo é tudo” são os dois slogans da recente campanha dos notebooks Samsung série 7, batizados de... Chronos! A proposta é a de que as pessoas podem conquistar o tempo utilizando esses notebooks, equipados com a segunda geração do processador Intel Core i5. No site, podemos acompanhar três histórias de pessoas que dependem da maximização da velocidade para cumprirem seus objetivos. Os computadores estão lá para ajudá-los em todas as suas necessidades.


Marketing certeiro e eficaz, que traduz com brilhantismo as expectativas que projetamos sobre nossas próprias vidas. Ao invés de recorrermos a espaços onde podemos relaxar e aproveitar o tempo de forma a realmente senti-lo, porque não um empurrãozinho para correr cada vez mais e tornarmo-nos, assim, bem sucedidos?


Recentemente, um médico radiologista me revelou que, para conseguir ganhar dinheiro em uma grande rede de laboratórios, é necessário fazer mais de 50 exames por dia. E que chegaram a oferecer à sua esposa (ginecologista) o valor de oito reais por consulta (!), alegando que ela poderia “ganhar no volume”, ou seja, abarrotando a sua agenda com consultas de dez minutos de duração. Olhar para a cara do paciente por quê, não é mesmo?


O fato é que correr é sinônimo de ser bem sucedido. Jumping work, eu diria. O trabalho leva ao desenvolvimento de novas tecnologias que o tornam mais rápido para que novas tecnologias possam ser criadas. A aceleração máxima do tempo permite a anulação do espaço – onipresença. É a mesma lógica de David, nosso jovem com super-poderes e objetivos vazios, afinal de contas. Estar em todos os lugares por estar em todos os lugares. Acelerar por acelerar.


Há poucos meses, vi na tevê uma notícia que mostrava jovens chineses internados por passarem mais de 48 horas seguidas na internet, em jogos de realidade alternativa. Belo prognóstico para as novas gerações: incapazes de construir relações não virtuais, impacientes por absorver o máximo de informações ao mesmo tempo, transformando prazeres em vícios.


Mas não é preciso recorrer ao caso chinês para tomarmos consciência da dimensão dessa tendência: quantas horas por dia você gasta no facebook, twitter, checando e-mails, acompanhando postagens irrelevantes, tendo acesso a uma gama infinita de lixo virtual? Você pode olhar num mapa online por satélite a foto da rua onde você mora, montar perfis falsos em redes sociais internacionais, ver os vídeos mais acessados do Youtube e encomendar, via internet, uma pizza para ser entregue à sua casa (ou à de seu neo-tamagotchi virtual). Tudo ao mesmo tempo.


Internet, realidade virtual, sistemas de busca, compartilhamento de arquivos, torrents, iPods, iPads, iPhones, notebooks, netbooks, tablets, comunicação colaborativa, web 2.0, tevê interativa, Xbox, Google Maps...


De fato, tudo isso são ferramentas muito poderosas. O que você faz com elas?


Retomando a pergunta: porque, com tamanho poder, David se limita a realizar ações tão banais e vazias? Por que será?


David não dedica a sua vida a mudar insistentemente de um lugar para outro apenas porque pode fazer isso. David assume o eterno nomadismo porque se entedia com muita facilidade. O acesso irrestrito a todo o tipo de estímulo leva a essa lógica de esgotamento rápido do sentido das ações – elas se tornam descartáveis, é preciso renová-las (bem na lógica da produção capitalista). A compulsão pelo prazer imediato se estabelece como um sentido que orienta o comportamento dos jumpers do século XXI.


Não é exatamente fugir da realidade. É viver uma realidade composta apenas de prazer. Pílulas são inventadas a todo instante para isso. Pornôs são gravados em prédios enormes em Taiwan (e não faz tanta diferença assim se a atriz principal está morta na filmagem) enquanto suas cenas ajudam a compor o gigantesco cardápio humano do Pornotube. Narcóticos perdem seu caráter libertador e se tornam apenas deleite imediato.


Para o Kerouac de On the Road, “pessoas mesmo [eram] os loucos”, “loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante – pop! – pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos ‘aaaaaaah!’”. Velocidade, combustão, urgência, mas, ao mesmo tempo (e talvez acima de tudo) salvação! Uma salvação que transcende tudo isso. Não à toa, beat = beato.


Transcender, no entanto, implica o estabelecimento de alguma empatia com o desconhecido, algo incompatível com a onisciência dos jumpers. O prazer vem – tem que vir – com a velocidade de um download, ao mesmo tempo em que é instantâneo como um tweet.


Sexo, masturbação, pornografia virtual e impressa, prostituição, e se tudo isso deixasse de ser vivido como simples gozo? E se viesse a se tornar uma obsessão? Essa é a premissa de Shame e Pornopopéia, filme e livro (respectivamente) que delimitam o novo espaço que o prazer ocupa na vida dos jumpers, sem qualquer prerrogativa libertadora.


Em Shame, o sexo aparece como um vício, uma necessidade tão urgente quanto uma droga química. Para nós, espectadores, esse vício se traduz em cenas belíssimas e, por vezes, brutais, em que o desejo incontrolável de Brandon o leva a pagar prostitutas, acessar sites de sexo virtual, frequentar clubes underground e se masturbar no banheiro a cada pequeno intervalo de tempo. O difícil equilíbrio entre sua persona social e sua intimidade se rompe quando sua irmã chega de surpresa e se estabelece em seu apartamento, revelando-se o outro lado da moeda. Sissy é seu oposto emocional, entregando-se com voracidade a todo relacionamento afetivo, sofrendo intensamente a cada desilusão. Brandon, no entanto, recusa qualquer tipo de envolvimento, não conseguindo levar o sexo adiante na única vez em que se aproxima efetivamente de uma colega de trabalho.


Steve McQueen, o diretor, consegue sugerir muita verdade nos sentimentos dos irmãos em cenas de poucas falas: os jogos de câmera e a impecável atuação de Michael Fassbender e Carey Mulligan conseguem dizer tudo. McQueen ainda se dá o direito de investir em propostas corajosas, como acompanhar, em planos longuíssimos, New York New York sendo cantada na íntegra – algo raro em filmes americanos – (em meio a jogos de olhar primorosos entre os irmãos, constituindo uma das mais belas cenas do filme), e uma corrida noturna de Brandon (buscando na exaustão física o alívio de suas pulsões). A sequência final é de fazer jus à máxima de Margaret Mead sobre virtude e vício, se pudermos escusar-lhe seu quê moralista: “a virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício é quando se tem o prazer seguido da dor”.


Em Pornopopéia, o caráter dramático assume feição menos enfática (embora sempre presente), ao passo que o humor é o grande trunfo de seu protagonista, o cineasta marginal fracassado Zeca. Ele conta, em tom confessional, suas peripécias sexuais, que incluem uma “surubrâmane” – suruba ritual da dissidência bhagadhagadhoga do bramanismo clássico –, envolvendo uma jovem descolada de 16 anos, uma sacerdote desinibida e inclinada à sodomia, uma “gordinha” e uma “gordona” (nas palavras do autor), um bailarino negro de enorme estatura e um homem esquálido de aparência raquítica. Incluem ainda várias prostitutas, uma travesti com o delicioso nome de Lolla Bertoludzy, a mulher do seu melhor amigo, uma jovem caiçara, uma dona de pousada coroa e uma lula congelada (para não mencionar as diversas sessões masturbatórias). Tudo isso regado a muito (muito!) pó, álcool, maconha e um tantinho de LSD.


Individualista ao extremo, Zeca busca satisfação absoluta, sem demostrar vínculo a quase ninguém (à provável exceção de seu filho), com um superego bastante atrofiado, diria, em certo tom psicanalista. Culto e extremamente versado nos clássicos marginais, o protagonista narra sua gradual destruição pessoal com referências eruditas, um humor afiado e uma absoluta ausência de sentimentos de culpa ou remorso. O desfecho da epopeia pornô evoca uma releitura do Estrangeiro, de Camus, com um bom-humor que só faz acentuar seu caráter feroz.


Jumpers 
sexuais, Brandon e Zeca se distinguem pela relação que ambos têm com suas necessidades de renovação permanente do cardápio sexo-sensorial, mas se aproximam na absoluta distância emocional que estabelecem com os que estão à sua volta.


Ao louvar a expansão portuguesa sobre o mundo não-cristão, exortando a cristandade ao fim das lutas internas e à conversão dos “infiéis”, Camões declara em versos carregados de paixão e força poética:

Mas, entanto que cegos e sedentos
andais de vosso sangue, ó gente insana,
não faltarão cristãos atrevimentos
nesta pequena Casa Lusitana:
de África tem marítimos assentos;
é na Ásia mais que todas soberana;
na quarta parte nova os campos ara;
e, se mais Mundo houvera, lá chegara.

 

Vivemos hoje a ressaca do projeto louvado por Camões. O espaço do mundo já está conquistado, em sua extensão espacial e temporal. Jumping, a nova modernidade (pós-modernidade?) torna o sonho de Camões obsoleto, cumprindo-o radicalmente e se tornando sua refém. Emerge, no entanto, a urgência de se conquistar uma nova dimensão de mundo, menos objetiva do que subjetiva, menos individual do que coletiva. Encontrá-la, defini-la e se apropriar dela é a tarefa difícil que assumo como a de minha geração. Dar aosjumps (em todas as suas possibilidades tecnológicas, cognitivas, espaço-temporais, emocionais, sociais, produtivas) um sentido que se realize para além deles mesmos. Encontrar a absolvição em meio à prisão da aparente liberdade extrema.

 

 

João Gabriel da Silva Ascenso