03/08/2015 Número de leitores: 1760

A menina do céu cor de rosa, de Athylla Borborema

A. Zarfeg Ver Perfil

Li A menina do céu cor de rosa de uma assentada. E não era para menos, pois se trata de jornalismo literário da melhor qualidade, com um pé na informação e outro na emoção, de modo que o leitor seja duplamente beneficiado.

 

O livro narra a história inocente, intensa e trágica de MSC com riqueza de detalhes, por meio de uma linguagem direta e acessível, o que torna a narrativa ainda mais fascinante e perturbadora.

 

O título – uma grande sacada do autor – constitui a metáfora da inocência perdida da maneira mais absurda e abjeta possível, mas poderá ser visto também como um eufemismo para o sofrimento da protagonista. À medida que a leitura flui, as coisas se esclarecem. E ficam mais envolventes.

 

O certo é que a história triste de MSC abarca quatro etapas bem diversas, durante as quais, primeiro, ela é violentada pelo pai, depois se entrega à prostituição, experimenta mil e uma desventuras e, por fim, sucumbe ao fascínio letal das drogas.

 

Em todas essas etapas, a narrativa é conduzida com competência por Athylla Borborema, que emociona, informa e excita seus leitores com este livro-reportagem que é jornalismo, mas também literatura. Informação, mas também emoção.

 

Se não bastasse tudo isso, A menina do céu cor de rosa atrai também pelas cenas de erotismo que, de tão picantes, valeram à obra a recomendação de “aconselhável para maiores de 16 anos”!

 

Somadas, essas estratégias narrativas tornam a leitura deste trabalho digna de elogios, uma vez que prende a nossa atenção da primeira à última página. Ponto para Athylla Borborema.

 

Diria até que – em cenas como a antológica transa de MSC com o padrasto (e patrão) doutor Alfredo, na biblioteca da mansão – o autor revela um talento que poderá ser utilizado, com sucesso, no chamado erotismo soft tão em voga nos dias de hoje.

 

Mas vou parar por aqui e deixar que o próprio leitor – que vai sofrer, se indignar e, também, se deliciar com os altos e baixos (mais baixos que altos) protagonizados por Monique dos Santos Costa – tire as próprias conclusões...

A. Zarfeg