23/08/2015 Número de leitores: 1492

Graça e desgraçado

A. Zarfeg Ver Perfil

Se eu tivesse uma palavra mágica...

 

Mas, afinal, existem palavras mágicas? Há controvérsias.

 

Os poetas – que são quem melhor entende de palavras, depois dos vigaristas – se dividem radicalmente quanto à questão proposta.

 

Para Cecília Meireles, palavras são música, viagem e mistério. Portanto, magia.

 

Para João Cabral, são instrumentos de lida, de fazer. E, quanto mais despidas de segundas intenções ou mistificação, melhores.

 

Mas, se eu tivesse uma palavra mágica, seria... graça.

 

De posse dela, eu seria o poeta mais en(graça)do do mundo;

 

Revestido dela, eu faria coisas impressionantes, maravilhosas, espetaculares;

 

Cheio de graça, eu começaria o domingo fazendo pequenos milagres, como, por exemplo, repetir por aí que “hoje é domingo, pede cachimbo”; ou promover grandes feitos, sendo o maior de todos...

 

Desfazer os equívocos, linguísticos e ideológicos, que contaminam não só as palavras, que não passam de representação e simulacro da verdade, mas também os falantes, senhores e escravos das ditas cujas, envolvidos que estão até o pescoço na babel de falares, preconceitos e faz de conta.

 

Pensando bem, talvez a minha palavra mágica seja... des-graça!

 

E eu, o maior dos des(graça)dos!

 

Mas o dia está apenas começando, não é mesmo?

A. Zarfeg