29/08/2015 Número de leitores: 1147

Folia das Palavras, de Athylla Borborema 

A. Zarfeg Ver Perfil

Jornalista experimentado e letrado, com alguns títulos na praça, Athylla Borborema apresenta a sua primeira incursão nos versos com este Folia das Palavras.

 

Antes, porém, precisamos esclarecer que os textos jornalístico e literário têm propostas diferentes – este está para a emoção assim como aquele para a informação –, embora o chamado Jornalismo Literário (New Journalism) tenha conseguido fundi-los. No caso do texto poético, então, as diferenças são mais evidentes.

 

Isto posto, já podemos dizer que foi com grande alegria e enorme curiosidade que recebemos os originais de Folia... para dar uma olhada e, também, uma opinada. Fizemos as duas coisas.

 

Gostamos sobretudo dos textos dedicados às cidades da região, como Porto Seguro, Prado, Teixeira de Freitas e Caravelas. De modo bem coloquial – utilizando-se de uma linguagem próxima à do cordel –, Athylla apresenta as cidades; oferece um panorama cultural e histórico sobre elas; revela suas belezas naturais; e, de quebra, se lhes declara. “Em Prado cresci, amei, sonhei e vivi”, confessa no poema “Prado”.

 

De maneira descontraída e informal (nisso reside o mérito desta estreia), o jornalista/poeta vai passando em revista as cidades mais relevantes do extremo sul baiano, com riqueza de detalhes, mas dedica alguma atenção também a temas mais gerais, como em “Nascimento do Brasil” e “Quilombo”, nos quais identificamos a voz do profissional da notícia, do artista e do cidadão.  Aqui, ele nos revela um Zumbi dos Palmares “negro forte, valente e indomável”.

 

Bem-sucedido, Athylla tem todos os motivos para se orgulhar da sua origem e se posicionar criticamente diante das injustiças sociais. Por isso, não economiza nos elogios ao seu herói predileto:

 

“Por que minha cor / Te ofende assim? / Sou negro sim / Tenho orgulho sim / Sou o grito forte da liberdade / Sou Palmares / Sou Zumbi”

 

A esta altura, nos deparamos com poemas notadamente líricos, que, à primeira leitura, ficam aquém dos primeiros. O engajamento e o naturalismo do primeiro momento, com efeito, dão lugar ao lirismo singelo e bem-intencionado do segundo momento.

 

Com efeito, em textos como “A mais bonita que eu conheço”, “Brisa” e “Bebê”, o eu lírico do poeta extravasa toda a emotividade de que é capaz. Ama, sente e se declara amorosa e sentimentalmente.

 

Agora, não podemos nos furtar a acrescentar duas palavras, à guisa de conselhos (que, se fossem bons, seriam vendidos e não dados):  1º: Poesia é palavra. É linguagem. Todo o gênio do poeta reside na invenção verbal (Jean Cohen). 2º: Na poesia, a língua ultrapassa sua função meramente comunicativa e se torna, ela própria, a matéria-prima para a obra de arte (Guia de Produção Textual – PUCRS).

 

Por fim, desejamos que Athylla continue progredindo poeticamente. 

A. Zarfeg