11/09/2015 Número de leitores: 1471

Arte contra o terror

A. Zarfeg Ver Perfil

A arte, com seu olhar infantil, vai iluminar as trevas pós-modernas; vai orientar os passos na calada da noite; vai apalpar a solidão tamanho família;

 

A arte, com seu jeito de criança terrível, sua ira, seus trejeitos, excessos, altos e baixos, João e Maria, a bênção e o milagre;

 

A arte, com seus dedos em riste, apontando as ruas frias, as esquinas sem memória, os escombros sem cor, as cinzas em luto, a sirene desesperada, o choro convulsionado, a adrenalina a cem por hora, o voo rasante, a perspectiva sem esperança;

 

A arte, com suas pernas desengonçadas, fazendo artes, pintando o 7, argumentando surpresas, colecionando espantos, galgando rios, montes, arranha-céus, torres gêmeas e corações solitários!

 

A arte, com seu jogo de cintura, amarelinha, pula-pula, cobra-cega, ciranda-cirandinha, esconde-esconde, soldadinho de chumbo, na Praça Castro Alves ou em Manhattan, heads or tails? 

 

A arte, com sua voz aguda, pedindo passagem, improvisando uma canção de ninar, um rock, um forró, uma ária, um hino, nada do que foi será, um rap, do jeito que foi um dia, um adeus, tudo passa sempre passará, um lamento;

 

A arte, com seus nervos à flor da pele, dentes à mostra, seus propósitos a perder de vista (só não vê quem não quer), seus sentimentos medonhos e autênticos, reflexos insubordinados, raio xis;

 

A arte, com seu jeito moleque de ser, divertido mas também cabisbaixo, disperso mas também cordial, atemporal mas também humanizado, bicho danado mas também solidário, até pragmático, se preciso for;

 

A arte, com sua irresponsabilidade nata, livre e leve por natureza, desprovida de preconceitos, acima do bem e do mal, a priori ou a posteriori, ser ou não ser dona do próprio nariz – não é a questão!

 

A arte, com seu polegar irreverente, pedindo carona, me leve para qualquer lugar de preferência onde haja muito sol, senso de humor, perdão a perder de vista, um rei pop e uma rainha papo dez, um fusquinha repleto de beijos e abraços e um caminhão apinhado de solidariedade; islã ou cristã, oriental ou ocidental, espiritual ou carnal, assim seja!

 

A arte, com seu sorriso maroto, dizendo aos meninos e às meninas que, depois de um 11 de setembro do capeta, sempre vem um 12 de outubro do caralho!

 

A vida... na guerra ou na paz, sejamos um pouco artistas! Ou crianças! Que estamos esperando?!

A. Zarfeg