13/10/2015 Número de leitores: 178

Memórias de um filho de Santo recém-nascido

Dom Edson Ver Perfil

Os dias que antecedem o momento se traduzem como preparação. Não se fala muito. Não se come tudo. Foge-se da noite e almeja-se o descanso. Não se tem o contato da carne. E o pensamento paira no que já não está mais nesse plano. Quando chega a hora, a matéria parece estar sob o efeito anestésico e não solicita muitos esforços. A roupa passada na mochila não é para gente vestir. É para ser colocada apenas quando ele ou ela pedir. Eu recebo minha porção do banho e sinto aquelas folhas levarem tudo o que eu não preciso. E, logo em seguida, uma leveza intensa me convida a flutuar quando os meus pés já não parecem ser mais meus. Quando a gira inicia, os pensamentos se elevam e as propostas se mantêm presentes. Uma voz ecoa em um cântico bem intencionado e as outras vozes seguem-na como em uma longa procissão.. Os passos seguem um único compasso. A energia vai crescendo e o meu tempo de ficar alí diminui. Cada Saravá é um “olá” para quem ainda não está lá. Meu movimento se torna independente das minhas ordens. As minhas ordens se tornam desordens quando eles começam a chegar. Começou. Cada filho se encontra com o seu pai rapidamente e é este que permanece. Ele nos derruba e nos segura ao mesmo tempo. Ele nos desequilibra e nos direcionaem só instante. Daqui em diante, eu não sei. Eu já fui. E ele ficou. E o que ficou, servirá para muitos como um amanhã novo e pronto para começar e recomeçar.

(Dom Edson)

Dom Edson