08/06/2016 Número de leitores: 1991

“O Capoeirista das Palavras”, de Athylla Borborema

A. Zarfeg Ver Perfil

Neste O Capoeirista das Palavras, Athylla Borborema se utiliza do cordel (qualquer semelhança com cordão ou barbante não é mera coincidência) para falar da capoeira, tema que nos é muito caro e, no caso dos negros, constitui uma questão de vida e morte.

 

Além da capoeira – expressão maior da resistência negra no Brasil, com seus trejeitos, seres e estares no mundo, histórias e nomes –, o autor nos brinda também com alguns poemas engajados, porque a luta continua, viver é preciso e a palavra de ordem ainda é resistir.

 

Claro que, na condição de trovador desses tempos atuais, bicudos e cabeludos, Athylla prioriza o plano de conteúdo em detrimento do plano de expressão, porque a vida é luta renhida, que aos fracos abate, e aos fortes, só faz exaltar – como bem cantou Gonçalves Dias na “Canção do Tamoio”.

 

Depois, o que vale uma redondilha maior (menor que seja, coitadinha!) diante da sede de liberdade, da fome de justiça e da incontinência verbal ante o branco do papel?

 

Com ginga, Athylla nos atira no meio do jogo da capoeira. Com ritmo, nos convida para a dança que reúne, a um só tempo, suor, fúria e memória.

 

Quem somos nós para resistir ao convite do capoeirista das palavras? 

 

Quem somos nós para resistir a “Paranauê”, “Capoeira todo mundo vê”, “A luta do crioulo”, “A arte da capoeira”, “Emoção do berimbau”, “Capoeira e tradição” e “Mestres dos mestres”?

 

Nesses textos, o capoeirista das palavras nos conduz (informa e emociona) pelo mundo mágico da arte da capoeira.

 

Com habilidade, ele nos remete às origens da capoeira (sua história, mestres e estilos), que é luta, dança e filosofia de vida.

 

O Capoeirista das Palavras, portanto, se revela um tributo à grande arte da capoeira e se apresenta fascinante graças à magia, inspiração e plástica próprias da arte que teve em Bimba um mestre e um intérprete à altura.  

 

O livro ainda traz, ao final, uma série de textos marcados pela crítica social. Isso comprova, mais uma vez, nossa constatação sobre a predominância do fundo sobre a forma. Nesse caso – por que não? – nos bastam as formas impressas nos ares por Athylla Borborema.

 

Uma última dica: leiam “O Circo, o Menino e o Prefeito”. E tirem suas conclusões. Ou voltem a ser crianças.    

 

 

A. Zarfeg