05/09/2016 Número de leitores: 218

Sobre a Bienal do Livro de São Paulo

Marta Arêas Campos Ver Perfil

Tinha um ideal do que seria ter um conto publicado. Sim, foi fantástico. Peguei o livro, folhei as páginas e lá estava ele, no meio de tantos outros, o meu querido conto. Tive essa sensação em dose dupla. Poucos dias depois fiz o mesmo. Abri o livro na página do meu conto e li, só para ter certeza que não tinha nada errado. Estava direitinho. Do jeito que eu tinha enviado. Tão lindo...

 

Mas tudo o que é bom dura pouco. A Bienal do Livro de SP é imensa, um reflexo fidedigno do mundo literário. Um grande mercado consumidor que movimenta milhões. E como qualquer empresa capitalista, as editoras querem lucro. Seus textos são interessantes por existir um público consumidor potencial. Aposto nesse aqui, pois vai vender. Fiquei com um certo nojo. Será que era isso que eu queria?

 

Mas certamente existiriam as editoras e editores de vanguarda. Que se interessam pelo valor literário, artístico, poético, apenas para investir pura e simplesmente na arte, certo?

 

Passeio pela feira com isso em mente. Compro livros desconhecidos, de primeiros autores, de pequenas editoras. Isso! Pode ser possível descobrir pedras preciosas nesse oceano da literatura. É só fuçar, fuçar que uma hora aparece.

 

Passo em frente a uma grande editora, aquela que sonho ter um livro publicado, sabe? Meu livro estaria em destaque, com o selo da editora, nas ilhas centrais das livrarias com menções honrosas. Já que é pra sonhar, vamos sonhar alto.

 

Na imensa parede do stand vejo uma trilogia adolescente. Poxa, até mesmo essa editora? Deve ser só para atrair mais clientela. Afinal eles também estão nesse mundo capitalista selvagem e merecem sobreviver. Quem disse que o livro é superficial e de pouca qualidade? Entro com a mente aberta, confiante em me provar errada. O primeiro livro que pego nas mãos era ainda mais deprimente, um de auto-ajuda.

 

Saio brava e sinto que será muito difícil competir nesse campo de batalhas de peixes grandes e poderosos. Sento em um canto qualquer e me ataco naquilo que sei melhor. Escrevo. Um diálogo qualquer, que não pertence nem nunca pertencerá a romance algum. Apenas por escrever. Complico a cena que confabulo, crio uma situação improvável e riu sozinha com minhas próprias piadas.

 

Paro e releu uma parte do parágrafo. Não ficou bom, isso aqui nunca venderia. Ops! Percebo meu próprio lapso e me lembro que agora também faço parte dessa dança.

 

Marta Arêas Campos