03/12/2016 Número de leitores: 359

OURO PRETO

Marcos Mendes Ver Perfil

Ouro Preto é Minas Gerais... Oh, Minas Gerais! Oh, Minas Gerais das inúmeras minas e dos metais! Mas Ouro Preto é Mariana, Vila Rica, Pelourinho, Salvador, Rio de Janeiro, Brasil, América, África, Europa... Falta de ar! Sim, foi o que senti ao visitar aquela mina. Claustrofobia minha, será?! Pensei que sofreria uma crise naquele instante...

 

Cheguei lá às onze horas da manhã, cidade quieta, poucas pessoas, quinze graus, com direito a neblina, lá estava ela se expondo, Ouro Preto! Às igrejas, meus caros, às igrejas! Um instante, o que é isso? Estou sentindo isso por quê? Hum... Há um mistério nestas curvas que está mexendo comigo. Sim, certamente há!

 

Estamos em uma cidade divã? É uma espécie de terapia? Inicialmente, parece-me muitíssimo intensa e um tanto quanto complicada. Estou elaborando. Sinto que preciso fazer isso, construir minha verdade. Será que terei alguma tranquilidade por aqui, escavando o Brasil?

 

Pois bem, passemos à novela de época, ao carmo. A técnica de Aleijadinho ali, ao passo que eu pensava sem parar em quantos espíritos desencarnados ali estavam. Uai, é século XVIII o tempo todo!

 

Em Ouro Preto não tem jeito, logo, logo, você fica etéreo! É a associação às imagens de óleo sobre tela e aos variados livros de história. É a altitude de mais de mil metros. É a névoa constante.

 

Guardemos esses ambientes etéreos, porque chegamos à praça Tiradentes. Angústia, inquietação, tormento, agonia? Lá cabe tudo isso... Sim, é um lugar bastante espaçoso!

 

Vejam esta ponte entre Ouro Preto e os dias de hoje: a angústia! Quanto poder existe naquele lugar, quanto incômodo! Sejamos francos: quão poderosa é a angústia?

 

Por conta dela é que recordamos cada uma das condicionantes que recebemos pela vida e fomos colecionando com mais ou menos afinco. E o que fazemos para fugir dela, então... Haja imaginação!

 

Fico perguntando a mim mesmo e também a alguns amigos como seria morar em Ouro Preto. Alguns relatam paixões; outros, angústias! Saem de suas cidades para encontrar angústia na tão famosa novela de época mineira. De qualquer forma, gostaria de saber se eu permitiria que o tempo e a experiência cotidiana banalizassem essa história e se, assim, eu simplesmente sairia à tarde para tomar um sorvete após atravessar a praça Tiradentes. Seria possível tal dose de abstração? O tempo traria a resignação? Ouro Preto desacostuma a gente...

 

Estou andando com muita atenção pela cidade. Pergunto-me: o que se esconde nas sombras de Ouro Preto? Sim, porque hoje há histórias e histórias (e carnaval)... A bem da verdade, o que se esconde nas sombras de Ouro Preto? E nas minas? Oremos!

 

Quem vai pagar a conta? Ou estamos todos petrificados como os museus, os casarões e as igrejas? Ouro Preto é uma aula de história a céu aberto. Um momento... E as lições de vida? Quantas há por ali? Respondam-me, por favor!

 

Vi o tormento da culpa cristalizado para sempre em diversos ambientes daquela cidade. Ainda que seja uma culpa que talvez não tenha mais dono, pois o grandioso tempo tem o poder de fazer isso, uma coisa é clara e certa: há demasiada culpa naquela que outrora foi capital do estado de Minas Gerais. Saímos culpados de lá. Verdadeiramente, é quase como uma tatuagem. Esse sentimento transborda na Vila Rica – Ouro Preto.

Marcos Mendes