19/12/2016 Número de leitores: 279

Reflexão filosófica, engajamento e transformação social

Marcos Mendes Ver Perfil

A Filosofia leva o indivíduo a pensar o mundo e o seu papel na sociedade. Em meio ao ilusionismo provocado pelas classes sociais dominantes e à constatação da existência da alienação social, torna-se cada vez mais importante a reflexão filosófica como meio de mudança dessa crítica realidade.

 

Para além do conhecimento técnico, uma boa educação envolve a conscientização do indivíduo sobre seu papel no meio em que se encontra. Nesse  ponto, a Filosofia aparece com profunda relevância na formação do pensamento do crítico. Ela discute o modo de ser das pessoas e as práticas adotadas nas ciências econômicas, políticas e na sociedade de modo geral, levando à indagação a respeito de atitudes possivelmente incorretas e à discussão sobre novos posicionamentos – mais apropriados e transformadores em um determinado contexto.

 

A reflexão filosófica aparece, pois, como fator fundamental ao pensamento crítico e à tomada de decisões. A reflexão radical, rigorosa e de conjunto precisa estar conectada ao homem, levando-o às origens de seus problemas, à análise minuciosa de tudo o que ocorre e mostrando-lhe, em vez de fatos desconexos e/ou isolados, o problema como um todo, inclusive as suas causas e implicações.

 

O indivíduo não pode agir reproduzindo o conhecimento, ideias e concepções ideológicas das classes dominantes – comportando-se como um sujeito medíocre, alienado e, por sua vez, não engajado. Faz-se necessário o questionamento dos motivos da submissão imposta pelas outras camadas sociais, isto é, a não aceitação de informações passadas como “verdadeiras”, em grande parte por pessoas que buscam, por meio delas, manter sua legitimidade e continuar como parcela exclusivamente detentora do poder.

 

Uma vez estabelecida a reflexão filosófica e a sua característica de subversividade, de não aceitação passiva de pensamentos alheios, as pessoas tendem a questionar e buscar melhorias para as suas vidas. Desse modo, elas atuam como agentes de transformação social e, por conseguinte, tornam-se mais participativas na sociedade, engajamento este muito relevante para o lugar em que vivem e também para si próprias. É como disse Santo Agostinho: "A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las"

 

 

Marcos Mendes