03/06/2017 Número de leitores: 144

A EUROPA NÃO MORREU EM AUSCHWITZ

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

Recebi o conteúdo do e-mail abaixo numa corrente de internet; devido à extraordinária importância e atualidade de vários temas focados nesse artigo, não posso deixar de reproduzi-lo NA ÍNTEGRA, e, por ser um tema que me toca profundamente e que clama por debate franco e ecumênico, senti-me estimulado a tecer algumas considerações, que visam unicamente tentar colocar um novo prisma sobre certos aspectos omitidos ou deixados na obscuridade pelo artigo, mesmo sabendo que além de desagradar a muitos, dada a natureza incendiária e polêmica dos assuntos aqui abordados, a empreitada a que me proponho poderá ser incomensuravelmente maior do que a minha modesta envergadura intelectual e um Nêmesis inatingível para os escassos conhecimentos históricos, sociológicos e humanistas que disponho; como no entanto o espaço me pertence e ainda temos o privilégio de viver em um mundo aonde o pensamento livre é um direito inalienável de todos os seres humanos, arrisco-me a “meter a minha colher” neste autêntico “vespeiro” intelectual.

Eis o texto, na íntegra:

TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ

VERDADEIRO e TRISTE… CONTINUA ATUAL…

O seguinte artigo publicado na Espanha, em 2008, foi escrito por um não judeu.

Ele ofenderia muitas pessoas. Foi escrito pelo espanhol Sebastian Vilar Rodriguez e publicado em um jornal espanhol, em 15 de janeiro de 2008.

Não é preciso muita imaginação para extrapolar a mensagem ao resto da Europa e possivelmente ao resto do mundo.

TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ

​ ​

Desci uma rua em Barcelona e descobri, repentinamente, uma verdade terrível. A Europa morreu em Auschwitz. Matamos seis milhões de judeus e os substituímos por 20 milhões de muçulmanos.

Em Auschwitz queimamos uma cultura, pensamento, criatividade e talento. Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo.

A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comércio internacional, e, acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimamos.

E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho.

Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime.

Fechados nos seus apartamentos que eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planejam o assassinato e a destruição dos seus ingênuos hospedeiros. E assim, na nossa miséria, trocamos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa, por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição.

Trocamos a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu apego à vida — porque a vida é santa –, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.

Que terrível erro cometido pela miserável Europa.

Os judeus não estão promovendo lavagens cerebrais a crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar um máximo de mortes a judeus e a outros não muçulmanos.

Os judeus não tomam aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, nem se fazem explodir em restaurantes alemães.

Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja. NÃO há um único judeu que proteste matando pessoas.

Os judeus não traficam escravos, não têm líderes a clamar pela Jihad Islâmica e morte a todos os infiéis. Talvez os muçulmanos do mundo devessem considerar investir mais numa educação modelo e menos em queixarem-se dos judeus por todos os seus problemas. Os muçulmanos deviam perguntar o que poderiam fazer pela humanidade antes de pedir que a humanidade os respeite.

Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os seus vizinhos palestinianos e árabes, mesmo que creiamos que haja mais culpas da parte de Israel, as duas frases que se seguem, realmente, dizem tudo:

“Se os árabes depusessem, hoje, as suas armas não haveria mais violência. Se os judeus depusessem, hoje, as suas armas, não haveria mais Israel.” (Benjamin Netanyahu)

Por uma questão histórica, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou todas as vítimas mortas nos campos de concentração nazista, mandou que as pessoas, ao visitarem esses campos de morte, tirassem todas as fotografias possíveis, e para os alemães das aldeias próximas serem levados através dos campos e que enterrassem os mortos. Ele fez isso porque disse de viva voz o seguinte:

“Gravem isto tudo, hoje. Obtenham os filmes, arranjem as testemunhas, porque poderá haver algum malandro lá embaixo, na estrada da história, que se levante e diga que isto nunca aconteceu.”

Recentemente, no Reino Unido, debateu-se a intenção de remover o holocausto do currículo das suas escolas, porque era uma ofensa para a população muçulmana, a qual diz que isso nunca aconteceu.

Até agora, ainda não foi retirado do currículo. Contudo, é uma demonstração do grande receio que preocupa o mundo e a facilidade com que as nações o aceitam.

Já passaram mais de 60 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O conteúdo deste e-mail está sendo enviado como uma cadeia, em memória aos 6 milhões de judeus, dos 20 milhões de russos e dos 10 milhões de cristãos.

Agora, mais do que nunca, com o Irã, entre outros, reclamando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar-se de que o mundo nunca esquecerá isso.

É intento deste e-mail chegar a 400 milhões de pessoas. Que seja um elo na cadeia-memorial e ajude a distribuí-lo pelo mundo.

Depois do ataque ao World Trade Center, quantos anos passarão antes que se diga: NUNCA ACONTECEU, porque isso pode ofender alguns muçulmanos nos Estados Unidos?​

Autoria : Sebastian Vilar Rodriguez (Espanha)

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEXTO ACIMA

Inicialmente, gostaria de deixar bem clara uma profunda afinidade, não apenas espiritual, mas também de sangue, com o povo judeu, já que boa parte de meus ancestrais tinha essa origem, pela qual me sinto profundamente honrado. Por isso, que fique bem claro que não tenho a menor intenção de contestar nenhum dos fatos, argumentos e afirmações apresentados pelo autor do texto, quando se refere ao povo judeu, muito menos negá-los ou polemizar sobre tais assuntos, dentro de sua veracidade histórica, temporal e terrena — muito pelo contrário, até endossaria de bom grado todas as informações ali contidas; idêntico raciocínio poderia ser aplicado a todas as considerações, objeções e questionamentos feitos pelo autor a respeito da cada vez mais maciça penetração do Mundo Muçulmano no seio da Europa branca, cristã e ocidental. Um autêntico e ciclópico choque racial e de Civilizações, que tem sua contrapartida “ gêmea” — e, certamente TAMBÉM não por acaso… — no que ocorre na América do Norte, “wasp” (branca, desenvolvida e protestante), da mesma forma invadida por hordas de Latinos, terceiro-mundistas, morenos e católicos em busca do apregoado sonho de um mundo melhor para si e para os seus.

Reitero também que não tenho a menor intenção de negar, avivar, contestar ou polemizar sobre todos os fatos e argumentos apresentados pelo autor para contextualizar os profundos incômodos ( para dizer o mínimo ) trazidos por tais choques tão extremados. Negá-los ou tentar suavizar esses incômodos, apenas configuraria uma demonstração inequívoca e indesejável de pura hipocrisia. Quanto aos fatos enunciados pelo autor, como é o caso do Holocausto, as provas estão aí, irrefutáveis e amplamente divulgadas por vários testemunhos, fontes históricas e provas mais do que concretas e evidentes. E ponto!

Obedecendo a essa mesma linha de raciocínio, fugirei ao aprofundamento histórico e à discussão “espinhosa” de todos os antecedentes — mas, sem perder de vista que tais antecedentes de fato existiram, simplesmente porque, dentro do ponto de vista que pretendo esmiuçar e aprofundar nestas considerações, nada acontece por acaso — não só porque poderiam acarretar em algum tipo de julgamento ou de tomada de posição favorável a qualquer das partes envolvidas, o que também não é a intenção deste artigo, mas sobretudo porque não é esse o ângulo sob o qual pretendo analisar os temas aqui levantados, até porque necessitaria de um tempo e um espaço inimagináveis para uma simples resenha e, convenhamos, para tal fim, existe já uma farta e competentíssima Literatura, à qual certamente nada ou quase nada de útil poderia eu acrescentar.

Ressalvando, desde já, que é possível adotar esses mesmos critérios para TODOS os Choques Civilizacionais e/ou raciais ocorridos na já significativa e substancial História da Humanidade, e, inclusive, para um dos mais extremos e radicais desses Choques, o Holocausto, minha única e exclusiva intenção é, volto a repetir, sem pretender contestar ou endossar qualquer dos fatos citados no artigo, tentar colocá-los sob um prisma inteiramente distinto e, se adotado, infinitamente mais profundo e complexo do que o enfoque — não necessariamente incorreto, mas sem dúvida incompleto — levantado pelo autor deste artigo e que roda pela Internet: o foco espiritual!

Você se declara cético, agnóstico, ateu ou então se nega a querer analisar esse tema sob tal ângulo, por que a simples menção da palavra “espiritual” causa em seu orgulho e sapiência um “ frisson” de desconforto sobretudo quando inserida num contexto ligado a temas que sempre julgou apenas temporais e da exclusiva alçada terrena? Tudo bem, o Livre Arbítrio é um Direito Divino que lhe cabe e lhe foi concedido pela Suprema Harmonia, mesmo que inteiramente à margem da sua vontade, anuência, ou sequer da sua opinião: afinal, convenhamos, nem tudo o que interessa ao seu Universo passa pelo seu controle, por mais que até tente! Fique então com as respostas -ou a falta delas, se o seu orgulho lhe permitir uma análise mais lúcida e realista — e receba como herança a absoluta ausência de qualquer tipo de solução aceitável oferecida pelos 4.000 anos de História escrita e documentada, a não ser os infernais e exaustivamente trilhados descaminhos do revanchismo e da intolerância, que só levaram a Humanidade aos impasses, à sequência de guerras sangrentas e à multiplicação exponencial de ódios, apenas porque desde sempre só os seus pontos de vista, obviamente racionais e palpáveis, muitas vezes até fundamentados em argumentos lógicos e supostamente sólidos ( dentro de uma ótica exclusivamente materialista, diga-se de passagem) e o seu foco cego e obstinado em soluções exclusivamente terrenas e sob o prisma da materialidade foram levados em consideração e tiveram 100% de preponderância. Ainda não bastou? OK! Com você que, após esses 4.000 anos de evidências e frustrações, ainda continua obstinadamente negando a possibilidade de buscarmos uma real solução também amparada sob uma visão maior e muito, muito mais aprofundada, a ótica espiritual (desculpe ferir a sua suscetibilidade, mas o termo é exatamente esse, ESPIRITUAL, sem subterfúgios), estamos inteiramente conversados!

Continuamos com aqueles para quem esses 4.000 anos de insucessos durante os quais a solução de conflitos baseava-se na aplicação da Lei de Talião e/ou nas suas variantes mais “envernizadas” e intelectualizadas, mas, todas elas apoiadas apenas por uma visão limitadora e incompleta de exclusivas materialidade e racionalidade, que só nos trouxeram o recrudescimento dos ódios e da intolerância, o que sinaliza inequivocamente a necessidade de respostas mais aprofundadas e eficazes. Continuamos com aqueles que, independentemente do credo religioso que professam, se permitem levantar um pouco o véu confinador da materialidade e admitem uma análise sob a ótica do espiritual. Veja bem, o termo aqui usado é espiritual, um conceito inteiramente diferenciado do conceito trazido pela palavra religioso; não é um conceito cristão, nem judaico, nem muçulmano, nem budista, nem espírita, nem nenhum outro conceito que tenha qualquer relação com qualquer tipo de religião. Afinal, o conceito de “espiritual”, como algo ligado à Harmonia Suprema, sempre existiu e precedeu Cristo, Moisés, Maomé, Buda, Lao-Tsé, Hermes Trismegisto, Zoroastro: todos os citados têm em si o “espiritual”, mas o Espiritual transcende a todos eles.

Sob essa ótica, tudo adquire um novo significado! Sob a égide da Harmonia Suprema, tudo está certo e perfeito. Nem sequer uma mínima folha cai, ou a menor das formigas se move, ou a mais horrenda catástrofe pode ocorrer, que não esteja sob a regência das Leis que tornam manifesta essa Suprema Harmonia. Surpreenda-se, indigne-se com o que está lendo, pode até quebrar a tela do seu computador, se desejar, mas saiba que apenas repito o que afirmam reiteradamente os Grandes Iluminados que já passaram por este plano e os sábios orientais, que têm séculos de cultivo de Espiritualidade à frente do hemisfério ocidental: sob a ótica do Espiritual, tudo está certo; errados só estamos nós quando assim não enxergamos!

E, ressalve-se, não enxergamos porque o orgulho e a arrogância intelectual nos barram tal conhecimento, pois essa é uma lição que, pela Misericórdia Divina, vem sendo continuamente reprisada, ainda com resultados bem pouco satisfatórios, ao longo desses 4.000 anos de História.

“Vida e morte, vigília e sono, juventude e velhice, tudo é o mesmo. […] pois um, virado, é o outro e o outro, virado, é o primeiro. […] Para Deus todas as coisas são belas e boas e justas, mas, para o homem, há algumas coisas justas e outras injustas […]. Não pertence à natureza ou caráter do homem possuir o verdadeiro conhecimento, mas sim à natureza divina.”

(Heráclito)

Impossível não resgatar também uma conhecida história ocorrida durante esse mesmo Holocausto mencionado pelo mail que originou este artigo — provavelmente um dos capítulos mais tenebrosos da História da Humanidade — e que nos fala de dois irmãos judeus submetidos às mais cruéis e terríveis provações. Um deles, de pouca Fé e já nos limites de suas forças, clama: “Onde estás Tu, que permites que coisas tão cruéis e horrendas ocorram neste mundo?” . É quando o outro irmão, mais seguro em sua Fé, lhe responde: “Irmão, é certamente aqui, nestas situações extremas, que Ele está de forma mais visível”!

Esse foi também o caminho tomado por outro judeu, Viktor E. Frankl (1905–1997 ), Psicólogo e Professor de Neurologia e Psiquiatria na Universidade de Viena e também uma vítima da barbárie nazista: o caminho do Espiritual! Um sobrevivente do holocausto, Viktor E. Frankl escreveu um extraordinário pequeno grande livro que deveria ser de leitura obrigatória em todas as Universidades, se houvesse um mínimo de Justiça no mundo, apropriadamente chamado de “Em Busca de Sentido”, no qual narra a dolorosa experiência vivida nos campos de concentração nazistas e a busca de um sentido para a existência, em condições tão extremas de vida. Honrando as geniais palavras do grande escritor russo, Fiódor Dostoievsky, “Temo somente uma coisa: não ser digno do meu sofrimento”, Viktor E. Frankl imortalizou e deu sentido ao seu tormento, ao afirmar que existe uma conquista inerente ao sofrimento, ali vivenciado por ele, que é uma conquista interior: a liberdade espiritual do ser humano, que não lhe pode ser tirada, e que lhe permite, até ao último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido. Após sua libertação, Frankl dedicou-se a desenvolver uma Terapia, denominada Logoterapia ( da palavra grega “logos”= sentido), que alguns autores chamam de “A Terceira Escola Vienense de Psicoterapia”, cujo objetivo é a busca de sentido na vida. Sem dúvida um legado monumental para a Humanidade, que só pôde ser gestado e ter vindo à Luz após ter sido experimentado o Horror do Holocausto, mas cujas lições, infelizmente, ainda não foram suficientemente apreendidas pela grande maioria das pessoas, como é necessário que sejam!

(http://www.cultseraridades.com/biografias-detalhe.php?id=108&VIKTOR+++E.++FRANKL+++%281905++-++1997%29)

Bingo! Eis aí, cristalina, a Via Espiritual! Essa mesma via que em outras épocas e circunstâncias foi trilhada por Grandes Homens — ou melhor dizendo, Grandes Espíritos encarnados neste Plano Material -, como Mohandas Gandhi, Martin Luther King Jr. e o próprio Jesus de Nazaré, que a apontaram como a única que, em última instância, pode dar sentido a todas as situações de conflito que se mostrarem frustrantes e sem solução, quando enfrentadas tendo como diretriz apenas o ângulo da racionalidade e da materialidade.

O que Viktor E. Frankl fez foi mostrar-nos mais uma vez, que, se levantarmos as cortinas da materialidade e transcendermos os limites impostos pela nossa condição física e humana, conseguiremos visualizar sempre um sentido para TODAS as questões da vida na Dimensão Espiritual, mesmo as mais complexas, extremas e intoleráveis que desafiem a nossa limitada compreensão como seres humanos.

A Dimensão Espiritual ensina-nos que estamos todos neste Plano de Expiação porque assim merecemos, precisamos e nosso estágio de evolução assim o determina, para que possamos cumprir mais uma etapa evolutiva na Jornada Eterna rumo à Perfeição, sempre sujeitos às várias Leis Universais que regem todo o Universo. Todos os tormentos, dores, dificuldades e sofrimentos que experimentamos, decorrem de ações ou opções por nós tomadas — nem sempre no decurso de nossa atual existência — ou têm por finalidade auxiliar-nos na superação de nossas imperfeições, e continuarão a apresentar-se incessantemente em nosso caminho, até ao momento em que tenhamos resgatado os débitos contraídos e/ou tenhamos extraído de tais provações todos os ensinamentos que precisamos compreender e assimilar, e possamos assim continuar a ascender na nossa Jornada Evolutiva. Estamos todos numa escola! Com diferentes e variados estágios evolutivos entre nós, é bem verdade, mas indubitavelmente uma escola. E isso tanto a nível individual, quanto coletivo. Vale para mim, vale para você, vale para a América, vale para Cuba e para o Irã, vale para a Palestina, vale para Israel e vale para a civilizada Europa, também!

Eis finalmente, a razão pela qual a cada dia assistimos ao contínuo recrudescimento de ódios, ressentimentos, terrorismos insanos, comportamentos cada vez mais hediondos e conflitos cada vez mais sangrentos: porque não aprendemos as lições legadas por um passado de erros e conflitos, no qual o ódio e a violência só produziram uma reação,no mínimo, no mesmo diapasão e, apesar disso, continuamos nos recusando a enxergar uma solução que leve em conta, também, a ótica do Espiritual. E, para piorar o quadro, mesmo que às vezes levados por fatos endossados pela razão, mas limitados pela rasa visão do nosso plano físico, continuamos a jogar mais lenha na fogueira já incandescente dos conflitos e das intolerâncias.

Entenda bem que, sob circunstância alguma, estou defendendo uma atitude leniente, omissa, ou passiva perante qualquer tipo de conflito ou de diferença; é óbvio que se um imigrante opta por viver em um país diferente daquele em que nasceu e foi educado, precisa adaptar-se, respeitar e obedecer aos costumes e às leis do país que adotou, exatamente da mesma forma que a elas obedecem os demais cidadãos daquele país. Por que a exceção? Não é verdade que as mulheres ocidentais quando em solo territorial muçulmano são obrigadas a usar o “nicabe” tradicional? Por que a contrapartida não teria que ser exigida no sentido inverso? Com que direito um cidadão árabe reivindicaria uma infração aos costumes e às leis do país que adotou, se ele da mesma forma exige dos estrangeiros um respeito a seus próprios usos e costumes, quando em território árabe? Cabe-lhe, como caberia também a qualquer outro cidadão não-muçulmano em território árabe, o direito ao respeito e à tolerância por seus credos e costumes, desde que não firam ou se contraponham aos do hospedeiro. No mais, é a aplicação pura e simples do prosaico ditado familiar: “Quem come do meu pirão, prova do meu cinturão”. E isso vale tanto para os nativos do país, quanto para os imigrantes estrangeiros. A minha liberdade termina aonde começa a do outro!

Muito menos ainda implicam tais reflexões em qualquer tipo de condescendência para com os radicalismos que podem se manifestar em tais conflitos, como o terrorismo, por exemplo. Muito pelo contrário, nada mais justo, sob qualquer ótica, seja ela terrena ou espiritual, que se apliquem todos os rigores da Lei e da Justiça aos infratores, sejam eles de que raça e credo forem. E ponto, mais uma vez!

O que é importante é que se distinga MUITO claramente uma ação defensiva, por mais que ela seja firme e rigorosa, de outra que implique numa iniciativa ofensiva, por mais que ela seja uma resposta a uma ofensa ou a uma agressão: a isso se chama retaliação. Quem em sã consciência irá negar a alguém o direito de se defender e aos seus, usando para tal dos recursos que forem necessários? Um exemplo simples: constato que um meliante invadiu a minha casa armado, com a clara intenção de fazer mal ou até mesmo me matar ou aos meus; creio que tribunal algum, terrestre ou espiritual me condenará se, em tal situação, fizer uso de uma arma e matar o invasor, em legítima defesa. Só mesmo as organizações de direitos humanos esquerdistas de certos países sul-americanos é que conseguem inverter esses valores, para defender marginais, assaltantes e criminosos. Daí a usar do direito à retaliação teremos um procedimento que pode até ser validado pelas leis terrenas, mas revela-se muito mais complexo e delicado, se submetido às filigranas e “ nuances” exigidas pela ótica Espiritual para que seja feita uma avaliação justa. E isso é muito trabalhoso e pode parecer muito complicado na prática, na maioria das vezes. Em tais situações, o ser humano quase sempre tem preferido optar pelo mais simples e imediato, e aquilo que na sua visão rasa e exclusivamente materialista lhe parece ser mais eficaz, recorrendo às mesmas armas (e, pior, quase sempre de forma desproporcional…) com que se sentiu provocado ou agredido. Pronto! Temos aí formada a cadeia de conflitos que descambam no emaranhado de violência, ódios e intolerância que engrossou consideravelmente o registro desses 4.000 anos de História da Humanidade. Simplesmente porque continuamos a rejeitar as lições que estamos aqui para aprender e nos negamos a pautar as nossas diferenças, sempre que chegam a uma situação de confronto sem saída, sob a ótica mais profunda do Espiritual.

Neste ponto das considerações, você pode até querer ironizar jocosamente se eu repetir as palavras ditas por Grandes Sábios do passado: está tudo bem! Mas, sem dúvida, está mesmo! Pois o Arquiteto Supremo que criou a Luz, também fez a Sombra para realçar melhor as belezas de Sua criação, fez o dia para se contrapor à escuridão da noite, criou o negativo e o positivo, o feminino e o masculino e na oscilação dessas polaridades orquestrou a Divina Dança Cósmica que está presente em todo o Universo. E, finalmente, em sua Suprema Bondade e Sapiência nos presenteou com essa dádiva chamada Livre Arbítrio para que façamos escolhas, pois para Ele, para a Dimensão Espiritual o tempo é a Eternidade. De forma que, em tal Dimensão, está realmente tudo certo.

Mas será que isso é verdade na nossa dimensão terrestre? Será que já não é mais do que tempo de querermos retirar os espinhos que há tantos séculos nos ferem? Cabe a nós as escolhas….

Hoje, que a cegueira de nossos atos nos coloca frente a frente com o resultado inevitável de opções tantas vezes equivocadas e os ódios e conflitos pipocam em vários pontos do globo, cada vez mais cruéis e extremados, resta-nos tentar administrá-los com uma visão mais sábia do que a que temos feito uso, sempre com a firmeza necessária para garantir a segurança e a integridade dos valores, nossos e das pessoas que defendemos, sem dúvida, mas procurando, sempre que possível, tentar desfazer a teia de ódios e intolerâncias que erigimos, sendo cônscios de que essa será uma tarefa longa, árdua, espinhosa e complexa, mas que é ou será certamente a única via possível no caminho da Paz permanente e duradoura.

Uma Paz que SÓ pode ser firmemente garantida — e precisa ser construída por todos — através do fortalecimento dos valores espirituais, nomeadamente a Compaixão, a Esperança e a Caridade, inicialmente para com aqueles que nos estão mais próximos e, em seguida, para com todos os nossos Irmãos. Sim, você leu corretamente: todos somos irmãos! Por mais idealista e utópica que essa idéia lhe possa parecer, assim como poderá rotular como idealistas e utópicos a maioria dos pontos de vista aqui expressos, mas acredite, só estou repetindo o que um cidadão chamado Jesus Cristo — judeu, provavelmente não por acaso — pregou dois mil anos atrás e tenha toda a certeza de que esse é o único antídoto que irá gradualmente desfazer toda a teia de ódios e intolerâncias que vimos construindo, sempre que em situações de conflitos viramos as costas aos ensinamentos espirituais, e o poderoso elixir que um dia finalmente transformará a Terra em um Plano de Existência mais harmonioso e feliz, sob a égide do verdadeiro Amor. Tenha Fé! Faça a sua parte nesse processo, da forma efetiva que lhe for possível, e creia que a sua contribuição pessoal na formação de uma corrente positiva, mais do que importante, será imprescindível e inestimável. Lembre-se que, sobretudo a nós, brasileiros, cabe um papel importantíssimo nesse processo; assim como outrora, foi das regiões fronteiriças do Himalaia que se propagaram os raios de luz que têm clareado os caminhos da Humanidade, hoje, devido à forte espiritualidade que aqui se respira, é do território compreendido entre o Oiapoque e o Chuí que se espera que continuem a brotar os ensinamentos da Espiritualidade, que precisam ser disseminados pelo mundo. Afinal, o Brasil é a pátria onde prosperaram os ensinamentos de Kardec, gestados na pátria de São Luís, mas, que aqui encontraram um berço esplêndido.

Quem sabe, por isso sejamos conhecidos, um dia, como o país da Espiritualidade e se cumpra a promessa de que seremos o país do futuro. Seria, sem dúvida, um avanço astronômico para um país que, há até bem pouco tempo atrás, apenas era lembrado no exterior por ser a pátria do carnaval e do futebol. O carnaval continua, cada vez mais turbinado por quilos de silicone e sorrisos botulínicos, que nos anestesiam e ajudam a esquecer os descaminhos tomados pelo país no alvorecer deste novo século; já o outrora glorioso futebol canarinho, quem diria, ou se mudou de cuíca e chuteiras para Buenos Aires e tenta retomar o ritmo e a maestria perdidas, ensaiando os passos do “La Cumparsita”, orquestrado por Messi, Tevez, Di Maria & Cia., ou trocou a pátria amada pelo “glamour” e pelos euros das desenvolvidas cidades teutônicas.

Não importa que possa lhe parecer que tal via tem chances remotas de conseguir algum sucesso. Não importa até que a julgue cada vez mais fora da realidade, hoje que a mídia divulga, rotineira e instantaneamente, imagens ao vivo e a cores de selvagens decapitações , atentados terroristas em balneários lotados de inocentes turistas e outras barbáries nesse estilo, que contribuem para provocar cada vez mais indignação e ódio, despertam o animal adormecido ou latente que existe em cada um de nós e nos leva a clamar por sangue e vingança. Persevere! Até porque em momento algum estou sugerindo que negligenciemos qualquer atitude defensiva ou preventiva que garanta a nossa integridade e dos valores que defendemos. Pelo contrário, tendo em vista que o radicalismo insano de alguns nos ameaça — e, na eventualidade de tal ocorrência, é absolutamente irrelevante indagar quais os culpados e quais as causas que motivaram tudo isso: resta-nos defendermo-nos da forma mais eficaz possível -, sugiro até que sejamos mais firmes, mais atentos e, sobretudo, mais sábios. Só o que estou sugerindo é que não perca de vista jamais a ótica espiritual, muito principalmente quando até os demais recursos materiais de diálogo, racionalidade, conciliação se mostrarem ineficazes. Seja firme, sempre que necessário, mas não ignore que precisamos todos, e urgentemente — ou pelo menos, nós, que nos julgamos mais civilizados -, começar a esvaziar essa teia de ódios, intolerâncias e desavenças que nós próprios criamos, para que um dia possamos merecer um mundo mais liberto dos horrores desse círculo infernal de conflitos, cada vez mais violentos e cruéis. Dê o primeiro passo! E persevere, pode ser timidamente até, mas persevere. Quando estiver fraquejando e a tentação de jogar a toalha pro alto e trilhar pelo caminho do revanchismo, que numa visão curta e imediatista se assemelha mais fácil, ou quando sua paciência estiver a ponto de esgotar-se, pense: existe outra opção? Se existe e alguém tiver uma resposta ajuizada, sã e que realmente funcione, que esteja à vontade para expressá-la, pois nesses 4.000 anos, todas as soluções tentadas pela via da materialidade exclusiva se mostraram ineficazes e só nos conduziram a esta realidade que está aí à nossa frente: um interminável beco sem saída, cada vez mais horrendo e radical, sem perspectivas de luz alguma no fim do túnel.

Se o primeiro passo seria esse, fica claro que o e-mail recebido pela internet, por mais que apresente argumentos e fatos que o autor e muitos outros cidadãos possam julgar dificilmente contestáveis em sua lógica racional, peca exatamente por trabalhar no sentido oposto ao desejável; ao invés de tentar a via da compreensão e da conciliação ( que não descarta a firmeza, o bom senso e a segurança na defesa de valores, costumes, Leis e interesses, volto a frisar ) traz embutida uma clara e desnecessária mensagem de intolerância que só incita ao conflito, que sempre traz em seu bojo o séquito de horrores e desgraças, sobejamente conhecidos pelo Continente Europeu. Aliás, se há Continente no qual mais dificilmente seria compreensível tal atitude hostil, por mais que essa possa ser uma atitude dissonante, esse continente seria a Europa, já que o assim chamado Velho Continente, não apenas por estar calejado e exaurido por uma história que já deveria ser suficientemente sangrenta de ódios e de conflitos, mas, sobretudo, por ser um continente que, inegavelmente e sob vários aspectos, está no topo da pirâmide civilizacional do planeta e tem desempenhado com extraordinário brilhantismo, ao longo dos séculos, o papel de farol responsável por emanar os Ideais e Princípios mais evoluídos e iluminados ao resto do mundo. Com tal currículo, o mínimo que se esperaria da maioria dos cidadãos nascidos e educados na Europa seria o sensato entendimento das lições do passado. Diga-se, a bem da verdade, que o manifesto emitido pelo cidadão do e-mail que circula pela Web atesta provavelmente mais uma exceção do que a regra, pois, apesar do racismo e da xenofobia latentes em parte dos cidadãos europeus, a maioria dos países da Europa que recebem cotidianamente multidões de imigrantes ilegais vindos sobretudo dos países africanos e dos países do Oriente Médio — não por acaso, diga-se de passagem, mais uma vez -, têm adotado uma política bastante humanizada, por vezes até leniente, no trato com esses choques civilizacionais e com essas diferenças culturais extremas.

Não, a Europa não morreu em Auschwitz, como não morreu no desfiladeiro das Termópilas, como não morreu em Poitiers, como não morreu com a tomada de Roma pelas hordas de bárbaros, em 476 d.c. , nem morreu sob o jugo de Átila nos Campos Catalaúnicos, nem em Waterloo, nem em Austerlitz, nem nos guetos de Varsóvia, nem nos “gulags” das gélidas e longínquas tundras siberianas, nem nas trincheiras infectas das Ardenas, nem nas praias coalhadas de cadáveres da Normandia, e há quem jure até ter avistado, há poucos mais de vinte anos atrás, um fantasma, quiçá a sombra espectral desse velho espírito sanguinário, vagando pelas ruínas fumegantes de Sarajevo e promovendo carnificinas e limpezas étnicas.

O espírito desta Europa esteve sempre vivo e onipresente, palpitando nos corações dos milhares de cruzados que deixaram a vida nos desertos da Judeia, na Terra Santa, e quando pairou sorrateiro, armando os punhais cobiçosos dos conquistadores, Cortez em Tenochtitlan e Pizarro em Cusco; um espírito que velejou impiedoso e desumano a bordo dos infames navios negreiros que fizeram transbordar de dor e sofrimento o imenso oceano que separa as praias africanas, que, à socapa e sob o jugo do chicote, forneciam a mão de obra para os engenhos de açúcar nas feitorias brasileiras, nas plantações de tabaco em Cuba, e nas plantações de algodão no Mississipi, os avós inspiradores dos campos de concentração nazistas, aonde o trabalho escravo foi durante séculos uma chaga ignóbil a manchar os Impérios Coloniais europeus da época; um espírito soberbo e aguerrido que subjugou todo o subcontinente Indiano e consolidou o Império onde o sol jamais se punha, de Vitória e Disraeli.

Esse espírito que teve a infância sob o ferro e a cavalaria de Agincourt e Hastings, foi o mesmo que animou Joana D’Arc a resistir heroicamente em Orléans, foi o carvão que avivou as fogueiras inquisitoriais de Fernando e Isabel e armou a genial estratégia naval que conduziu Nelson em Trafalgar; foi a lâmina de guilhotina que ceifou a vida, e extinguiu o poder e o orgulho dos Bourbons, na França dos reis-sóis, e que insuflou de heroísmo a carga da brigada ligeira na Criméia; que foi fratricida e posou para a posteridade sob os bombardeios de Guernica e ficou insepulto nas areias de El-Alamein, porque se recusou a ser esquecido e morrer nos campos inglórios de Alcácer-Quibir.

Não! Essa Europa gloriosa e imperial, aonde cresci, me eduquei e que aprendi a reverenciar não está morta! Mesmo vendo suas fronteiras serem continuamente desfeitas e refeitas pelo traçado das baionetas e pelos obuses dos canhões, ao longo dos séculos, a Europa pagou com o sangue e com o sacrifício de milhões de seres humanos o direito de ser hoje o repositório mais apurado e completo da Civilização e da Cultura Ocidental.

Para honrar a memória de milhões desses seres humanos, cuja vida foi ceifada precocemente em função das disputas e conflitos a que foram levados pela cegueira e arrogância de uns poucos, é necessário que tal sacrifício não tenha sido inglório e inútil e para que não saiamos mais uma vez deste Plano sabendo que continuaremos a legar a nossos descendentes essa mesma herança histórica de sangue e de ódios que temos recebido de grande parte de nossos ancestrais. Para isso, é necessário que se extraia agora desse Patrimônio inestimável, herdado com a dor e o sofrimento de tantos que nos antecederam, o diamante puro e cristalino da Sabedoria — da mesmíssima forma que Viktor E. Frankl, por força de seu sofrimento, nos legou a joia que é “ Em Busca de Sentido” — para revertê-lo em favor de toda a Humanidade e, agora com o auxílio do espiritual, impregnado no DNA, logremos atingir aquilo que jamais foi atingido: a Paz perene e a prevalência da fraternidade entre os povos!

É por tal razão, e exatamente por ter sido elaborado por um cidadão da Europa, continente do qual, por todos os motivos acima descritos, é exigido um amadurecimento e um exemplo permanente para o resto da Humanidade, que se faz necessário que o e-mail original tenha acrescentadas essas considerações, e assim possa chegar aos 400 milhões de pessoas pretendidos pelo seu autor original com uma mensagem certamente mais positiva e construtiva. Para que este e-mail, agora mais completo, seja um elo na cadeia-memorial, compartilhe este artigo e divulgue-o pelos seus contatos. Agora! Do jeito que está! Agora, eu o endosso e compartilho convicto.

www.cultseraridades.com

PAULO MONTEIRO