03/06/2017 Número de leitores: 70

O DESAFIO DO ISLAMISMO

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

No caso do Islamismo, um desafio que é certamente, e não por acaso, uma das maiores ameaças a serem enfrentadas pela civilização do homem em sua trajetória individual e coletiva rumo à Luz, a História volta a repetir-se, como um velhíssimo filme em p&b corroído pela poeira dos tempos, de pouco brilho e sem néon, que roda incessantemente ante os nossos olhos, tantas vezes anuviados, muito certamente por não termos ainda apreendido corretamente TODAS as lições que dele devemos e precisamos extrair.

O silêncio e a omissão ante a barbárie do fundamentalismo islâmico, mesmo levando em consideração o fato de que a maioria dos muçulmanos é pacífica é apenas uma das lições; observe-se, no entanto que tal lição se aplica tanto aos não muçulmanos quanto a essa maioria de pacíficos muçulmanos. A todos esses se aplicam as lições exaustivamente repisadas, não só por Luther King, como também por poetas como Maiakóvski, Bertolt Brecht e o brasileirissimo Eduardo Alves da Costa e pelo bispo e líder pacifista, Desmond Tutu, que já nos ensinava:

"Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor"

Não é o fato da maioria de seguidores da Doutrina de Maomé ser pacífica que é irrelevante! Mais do que irrelevante, ela pode passar a ser sobretudo conivente, aliás, um risco no qual pode incorrer toda a Humanidade, pela omissão e pelo silêncio ante o horror do terrorismo. Essa aparentemente insignificante mudança de significação traz uma compreensão inteiramente nova ao quadro, e é certamente uma das duas grandes chaves para a solução do enigma. Entenda bem: na essência, não se trata de um conflito entre islâmicos e não islâmicos, como muitos inadvertidamente querem levar-nos a acreditar, e sim uma guerra inteiramente sem credos e sem raças entre terroristas e o mundo civilizado! Apoiada no ódio e no recalque, a visão deturpada e trevosa dos terroristas aproveita-se da omissão e do silêncio da maioria pacífica e utiliza essa falácia para tentar cooptar inadvertidos - ou pouco esclarecidos, ou cômodos, como preferirem - adeptos de ambas as facções, que, talvez até sem terem se apercebido, se tornam coniventes com essa concepção errônea.

Porque, basicamente este é um conflito entre as Trevas e a Luz!

O que passa a ser relevante é se você é contra ou a favor do terrorismo e, nessa escolha, pouco importa se você é francês, americano, iraquiano, afegão ou brasileiro. Importa é que  você deixe bem clara a sua opção de repúdio àquilo que está profundamente errado, como o fizeram milhares de franceses na espetacular movimentação promovida contra o terrorismo, após os atentados de 07 de Janeiro, ironicamente perpetrados na assim chamada Cidade Luz, numa acintosa e debochada provocação da Legião de terroristas. Lembrar que lamentavelmente não foram registradas manifestações similares no hemisfério ocidental por ocasião dos Massacres de Sabra e Chatila, no Líbano, ou retrocedendo um pouco mais no tempo, no de Mý Lai, no Vietnam, pouco tira do brilho e do acerto dessas movimentações populares, que infelizmente não são copiadas nos trópicos, para protestar contra a enxurrada de horrores (corrupção desenfreada, violência endêmica que nos lista como um dos países mais perigosos do mundo, escândalos financeiros de abalar a estabilidade de qualquer outro país, Educação e Saúde em patamares muito abaixo até do nível por outros países em desenvolvimento e, "last but not least", a ameaça concreta de vermos instalado no país um dos regimes políticos mais nocivos e perniciosos de que se tem notícia, a Ditadura Bolivariana Comunista, conforme planejado pela Unasul, leia-se Foro de S. Paulo) que assola o nosso cotidiano, sob o olhar complacente e quase sempre indiferente de uma maioria silenciosa.

Pois, está chegando a hora em que a omissão e o silêncio da Humanidade pacífica de todas as raças, credos, colorações e matizes passará a ser tomada como conivente e em que todos, de alguma forma, precisarão sair um pouco da sua zona de conforto para serem convocados a uma escolha; nesse particular, aumenta exponencialmente a responsabilidade dos povos muçulmanos, pela proximidade física - muitas vezes geográfica até - de costumes e de sangue, em muitos casos. A eles será cobrada - e é perfeitamente natural e justo que isso aconteça - uma atitude firme e proativa contra o terrorismo, que implica inclusive em colaborar, em qualquer circunstância, e de todas as formas possíveis, com as forças que lutam contra o terrorismo. Sob risco de serem considerados co-responsáveis, ou, no mínimo, enquadrados como maioria irrelevante.

Nada disso, porém, poderá tirar o foco do verdadeiro inimigo de todos, o Terror, por mais que, nessas circunstâncias, a evolução do primeiro aprendizado, junto aos muçulmanos não fundamentalistas - o do silêncio e da omissão - seja lentíssima e gradual, como quase sempre é! Basta lembrarmos que essa mesma omissão não é exclusiva dos muçulmanos pacíficos, ou já esquecemos da omissão dos nossos atuais governantes quando recentemente um avião lotado de inocentes civis foi abatido em território aéreo ucraniano por guerrilheiros separatistas, sem dúvida um ato equivalente ao mais puro terrorismo, ou  da quase ridícula expressividade da representação brasileira nas recentes manifestações das Lideranças Mundiais contra o terror, para nem mencionar o absurdo e patético pronunciamento de um ex- Chefe de Estado, que todos nós sabemos quem é, ao condenar o governo francês pela extrema violência contra os terroristas do 07 de Janeiro, numa demonstração inequívoca de apoio ao Terror? Ou os rigores do nosso julgamento e das nossas Leis só se aplicam aos outros, e quando não nos são convenientes?

Quanto aos omissos renitentes, é mister, portanto, que seja sempre levada em conta a extrema precariedade espiritual de todos nós, seres humanos, o que não significa que não devam ser tomadas todas as precauções preventivas necessárias, que devem, sim, ser adotadas rigorosamente, sem que isso implique minimamente no rótulo de preconceito ou xenofobia, mas também – e aí chegamos ao segundo grande aprendizado a ser extraído desse Desafio, que em tempos modernos, por não ter sido ainda convenientemente assimilado por uma grande maioria de pessoas, volta a ser proposto, agora pelo Islamismo, em suas vertentes mais soturnas – evitando, nesses casos, fazer uso do mesmo radicalismo adotado pelos Fundamentalistas e recusando qualquer tipo de discriminação, já que o fundamental mesmo é não tirar de foco qual o verdadeiro inimigo da Humanidade e da Civilização: o Terror!

E contra o Terror, que se apliquem todos os rigores da Justiça e da Lei, deste e do outro Plano!

Se esses argumentos lhe parecem utópicos, ingênuos, ou idealistas, quero lembrar que , além de estarem embasados em princípios pregados por gente como Martin Luther King, Gandhi, Mandela, Buda, o próprio Maomé e, acima de todos eles, pelos ensinamentos de Jesus Cristo, eles são avalizados pela já robusta, encorpada e sangrenta História da Humanidade, que está aí viva para nos provar infinitamente que a solução do radicalismo só deve ser adotada em casos extremos - luta contra o Terror, contra o Nazismo e contra o Comunismo, por exemplo - pois, quando foi usada de forma injusta e desnecessária, só gerou mais radicalismo ainda.

Lidar com a complexidade e todas as "nuances" desse Desafio, tal é a Esfinge que se posta mais uma vez frente ao avanço e à própria sobrevivência da civilização e que certamente assumirá feições cada vez mais assustadoras, caso não seja corretamente decifrado!

 

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PAULO MONTEIRO