03/06/2017 Número de leitores: 79

Como eu assumi a responsabilidade pela eliminação do Brasil na Copa de 2014

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

Depois que os confrontos da semifinal tinham ficado definidos com os duelos entre as quatro grandes potências futebolísticas, recompondo a duras penas uma "normalidade" que havia sido ultrajada durante todo o curso dessa espetacular edição da Copa da Fifa 2014, tudo indicava que o torneio caminhava para mais um soporífero e previsível "grand finale", no qual a ordem dos fatores não alteraria o produto final, já que os quatro protagonistas restantes, candidatos ao Olimpo futebolístico, eram todos tarimbados nesses quiproquós quadrianuais.

Certamente, um desfecho um tanto ou quanto decepcionante para quem já se viciara na alucinante série de "zoeiras" servidas no café da manhã de quase um mês de divertidíssimo intercurso planetário; e houve-as para todos os gostos e tribos: tanto fora das quatro linhas do gramado, como foram exemplos o fiasco constrangedor da cerimônia de abertura, que teve seu contraponto na quase sempre lúdica "zoeira" das torcidas, e a merecida vaia à Dirigente da Nação, que, no entanto, se transformou em insulto grotesco por dirigir-se a uma figura feminina e foi prova acabada de selvageria pública quando vaiou o hino adversário, passou pela exposição indiscreta de glúteos croatas adeptos do naturismo e pela solidariedade comovedora de ídolos instantâneos para com seus jovens admiradores, quanto dentro da arena, onde afinal se desenrolaram todos os atos centrais desse espetáculo ímpar.

E aí, a "zoeira" não poupou ninguém! A começar pela atual campeã mundial, a Espanha, impiedosamente sovada pela "laranja mecânica" e eliminada precocemente ainda na primeira fase, mesmo rumo tomado por outras seleções "estreladas", como a tetracampeã, Itália, e a campeã, Inglaterra, destronadas por uma nada estrelada Costa Rica, para não falar da garbosa seleção portuguesa, que não é campeã de nada, mas ostentava em suas fileiras ninguém menos do que o assim considerado "melhor jogador do mundo". Se isso ainda fora pouco, que dizer da resistência oferecida pela inexpressiva seleção Iraniana, que, apenas nos últimos minutos dos acréscimos, cedeu à pressão da sempre favorita, Argentina e, sobretudo, da heróica "performance" dos bravos argelinos que ousaram afrontar de peito aberto a esquadra germânica, enfrentando-a de igual para igual em jogo de dimensões épicas e resultado indefinido até aos momentos finais, que merece permanecer como o jogo-símbolo desta Copa, quiçá como um dos jogos mais empolgantes no registro de todas as Copas.

De fato, os sinais estavam no ar, mas nem as pouco convincentes apresentações do selecionado nacional até ao momento, seguidas pela opereta trágica encenada nos bastidores, nem a ausência de nosso maior craque, Neymar Jr., "escafedido" na etapa final dos jogos, pelo joelho de um colombiano de porte e nome que o identificam como sicário de Belzebu , coisa que até os 5.000 habitantes da comunidade de Brejinho de Nazaré já estava sabendo, graças aos préstimos midiáticos e humanitários da Brahma, foram suficientes para fazer despencar a ficha que só eu tinha e que intuía ser a salvação da pátria; um incômodo "frisson" serpenteava-me pela coluna, quando, ainda no reconhecimento de campo por ambas as equipes, dezenas de humorados torcedores auri-verdes, travestidos de "pajés", encenavam a "dança da chuva". Pára, pára, deu vontade de gritar através do vidro da TV. Gente, dá um chega pra lá na pajelança, que esta é a "Copa da Zoeira" .

Tarde demais! A turminha dos "panzers", todos com aquela cara de "songa-monga" que Deus lhes deu pra enganar brasileiro otário, aferventada pelo sol e mar "calientes" da Boa Terra baiana, mimada pelo frescor das nossas "cabrochas" cor de canela e energizada pela pimenta e pelo dendê de nossos vatapás e acarajés, liberava uma "blitzkrieg" atômica, urdida em árduos anos de sacrifício e disciplina, pra cima de 11 jogadores catatônicos e 200 milhões de atônitos torcedores.

E euzinho, ali, aparvalhado como toda a Comissão Técnica brasileira, com uma solução a essa altura totalmente inútil pendendo à mão, só conseguia enxergar a cara de "lambança" do careteiro Thomas Müller, enquanto acompanhava o desenrolar daquele filmezinho escatológico postado por amigos nas redes sociais: Eu fui mijar e GOLLLLLLLLLL! Toquei a descarga e GOL!!!!!!!!!!!! Lavei a mão e GOL!!!!!!!!!!! Saí do banheiro e GOLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!! Sentei no sofá e GOLLLLLLLLLLLLL!

Ainda bem que não fui fazer o número 2. Fala sério!

Pensando bem, ainda vou mandar meu elixir mágico pro Felipão, e, nem que seja pela culpa na consciência que me atormenta, um pedido de desculpas em anexo com a confissão explícita de que assumo total e exclusiva responsabilidade pela eliminação do time; quem sabe assim a gente ainda vá a tempo de descontar o "preju" em cima dos lépidos "laranjas" e se salve a Pátria de Chuteiras!

 

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PAULO MONTEIRO