10/07/2017 Número de leitores: 26

A CASA CAIU MAS NÃO RUIU

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

Gente, não há como não falar uma coisa que pode até escandalizar muita gente que, mesmo depois de tudo isso que estamos presenciando, ainda não caiu na real, mas que é uma conclusão óbvia: o sistema de governo no Brasil foi montado baseado exclusivamente na CORRUPÇÃO. Quase todos os eleitos entram na política "para se locupletarem", descaradamente e a expensas do país. E, não duvidem, eles vão tentar “se dar bem” a qualquer custo, pois pode escrever algo que, aliás, não passa de uma constatação óbvia: ou os políticos entram no “esquema”, ou eles estão fora da “carroça” do Governo, do Poder e da “grana” neste país. Quem está ligado a qualquer órgão público - ou a grandes empresas, comerciais, industriais ou financeiras deste país - sabe perfeitamente disso, com maior ou menor grau de visibilidade. Esta é uma estrutura que já existe desde muitos anos no Brasil e que foi mais ou menos, de forma bem transparente, aquilo que os empresários da Odebrecht e os "açougueiros" da JBS afirmaram fria e cinicamente quando a casa caiu para todos os envolvidos.

 

E, diga-se de passagem, a casa só caiu porque os governos petistas, embora não tenham criado tal estrutura abjeta, elevaram esses procedimentos a níveis estratosféricos e abalaram inteiramente a estrutura do país (e não apenas pelos níveis escandalosos de roubalheira, mas também pelo desgoverno, pela incompetência absoluta, pelos conchavos com governos párias e organizações criminosas e pelas diretrizes totalmente equivocadas que tentaram imprimir ao país) mexendo com a tradicional indiferença e omissão do grosso da população.

 

E, não sei se por Deus ser de fato brasileiro, como tanto gostamos de nos jactar – e a estas alturas dos acontecimentos não dá pra duvidar que não seja mesmo, tantas são as evidências que comprovam o ditado luso: “ao menino e ao “borracho” (bêbado em lusitano "castiço") põe-lhes Deus a mão por baixo”; só nos resta mesmo esclarecer quais dessas criaturas somos nós, brasileiros, se meninos ou “borrachos”, mas que tem mão do Criador a guiar-nos os passos trôpegos, ah que tem, tem – a verdade é que tivemos a sorte dos “bad guys” terem tido a enorme infelicidade (para eles, obviamente) de cruzarem com o Juiz Dr. Sérgio Moro na trajetória deles, e, por outro lado, valeu-nos o fato de terem a “goela” tão ostensivamente escancarada que nem São Dimas, nem mesmo a proverbial passividade do nosso povo conseguiram resistir impávidos perante tanta bandalheira. E em nome disso - suprema ironia -, foi sem dúvida devido à fedentina nauseabunda exalada pela corrupção desenfreada da cambada política - com a ajuda bendita de um pezão em falso das “pedaladas” de dona 2606iolanda -, que, num primeiro instante, se salvou a Pátria Amada do funesto destino em que chafurdam nossos irmãos venezuelanos. Uma desgraça que teria sido inevitável, se a “gangue” petista fosse um pouco menos rasteira moral e eticamente do que de fato é. Pelo menos por enquanto, já que esse jogo está ainda muito longe de ter chegado a seu desfecho e a ameaça comuna continua tão ameaçadora que, a essas alturas, na cínica farsa em que se transformou a Nação, só mesmo apostando nos milagres do Santo Moro para livrar nossa rabeira de escapar dos interesses espúrios dessa gente.

 

Porque com o terreiro verde e amarelo inteiramente aberto ao saque, como todos agora sabemos, e o tapete vermelho estendido e acenando com a garantia da IMPUNIBILIDADE, que sempre foi uma característica notória da cultura nacional, não é de espantar que, após tantos anos de notórios escândalos e roubalheira não tenha havido nenhum “cristão” pra rezar uma missa e nem sequer um Pai Nosso pela pátria dolosamente subtraída e espoliada a céu aberto; pelo contrário, o que não faltaram foram “infiéis” para celebrarem cultos dionisíacos ao enriquecimento fácil e ilícito; uns mais, outros um pouco menos ferozes, mas a “religião” de quase todos eles apenas visou cultuar o mesmo “deus” pagão e guiar-se pelos mesmos princípios – ou pela ausência deles, se assim preferirem.

 

Quando ponho o dedo acusador sobre o sistema espúrio de Poder implantado com a complacência da maioria, não estou absolvendo ou tentando minimizar a responsabilidade pessoal de cada um dos envolvidos. Não é essa a intenção. Até por que, graças a Deus, já estão aí a Lava-Jato e outras reações similares que vêm pipocando na esteira dela para cuidar de fazer Justiça e tentar alterar esse quadro. Só que, perante o exposto, não dá para engolir que a classe política brasileira, especificamente, diferentemente dos restantes cidadãos não ligados à Política, seja quase toda ela corrupta, como se isso fosse uma característica apenas de todos os cidadãos brasileiros que abraçam essa carreira; como se fossem uma classe de indivíduos à parte.

 

Acredito que o que de fato faz a diferença são três fatores essenciais que viabilizaram esse enorme vexame que protagonizamos como nação: 1) a cínica e sórdida máquina de governar na qual se estrutura inteiramente o exercício do Poder no Brasil, 2) a apatia, o desinteresse e a desinformação do grosso da população e 3) a certeza da Impunidade, como algo solidamente enraizado na cultura nacional.

 

 

De forma que, tão ou muito mais importante do que um movimento de indignação contra as “ratazanas” apanhadas em flagrante delito pela Lava-Jato, é necessário que concomitantemente ocorra de fato uma indignação e uma mobilização coletiva, certamente de maior intensidade do que a que vem se manifestando contra a classe política como um todo. Inicialmente para estar alerta e lutar para barrar todas as eventuais “manobras” que a classe política em desespero e acuada fatalmente tentará criar para se perpetuar na “mamata” e, em seguida, para pressionar os Poderes da Nação para que haja uma mudança profunda urgente e que evite o ressurgimento de uma crise ética, social e política como a que agora atravessamos.

 

Se isso não ocorrer, se não modificarmos substancialmente os três fatores "cancerígenos" aqui citados, mesmo havendo a punição adequada aos infratores de agora, como se torce e espera, não será uma nova eleição, em 2018, mesmo com a mudança de todos os atores que protagonizaram este enredo vergonhoso, que irá mudar esse panorama no Brasil, no futuro. Pois dificilmente escaparemos de assistir ao retorno dessas mesmíssimas “figurinhas carimbadas” que todos identificamos claramente. Ou continuaremos a chafurdar no lameiro do subdesenvolvimento e do atraso, entregues ao oportunismo, ou até mesmo ao “saque” de sucessivas lideranças políticas, que surgirão, com o mesmo despautério das atuais, atraídas pela porteira convidativa de nossos fáceis tesouros e nós ironicamente “deitados eternamente em berço esplêndido”, como apregoa um dos símbolos maiores de nosso patriotismo, o Hino Nacional.

 

 

Afinal, a casa apenas caiu, mas não ruiu. Os alicerces podres que a sustentaram e mantiveram em pé por longos anos continuam aí, intactos e prontos a abrigar novos inquilinos que reconstruam o mesmo instável e deteriorado edifício que a nossa cegueira e omissão teima em não lutar para deitar abaixo. Definitivamente!

 

www.cultseraridades.com

 

PAULO MONTEIRO