13/07/2017 Número de leitores: 117

É Festa no País de Sérgio Moro

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

Não! Não é final de Copa do Mundo no país do futebol! Nem o Brasil foi hexa, que se Deus quiser será, se os “panzers” alemães não atolarem de chucrute e “eisbein” a nossa feijoada, e os “milongueiros” companheiros do fenomenal Lionel Messi não teimarem em colocar um tango ardido no embalo do nosso pagode, como sadicamente sempre se esmeram em fazer, quando percebem o ronco da cuíca e do tamborim chegando.

 

Mas, por enquanto, que a “uruca” futebolística de alguns insucessos recentes de tão triste memória fique bem distante: é Carnaval do Oiapoque ao Chuí, movido a samba de fundo de quintal, simples e contagiante como a alma deste povo tropical. Hora de lavar a jato este coração embolorado, ultimamente confinado ao Limbo da Vergonha e do descrédito internacional, por obra de sucessivos golpes baixos contra ele impiedosamente desferidos pelos servos da corrupção, do ilícito, da mentira, da dissimulação e do crime.

 

Não se trata de festejar pela desgraça de quem quer que seja, mesmo que esse alguém seja uma das criaturas mais nocivas, densas e trevosas que já nasceram neste país, que é berço de um povo que com tanta espontaneidade cultiva a leveza e a alegria, como é o caso de Luís Inácio Lula da Silva. Trata-se de entender que a condenação desse cidadão, que é o verdadeiro Chefe da Quadrilha que, durante a vigência do lulopetismo no governo, tentou montar uma estratégia de perpetuação no Poder, conduzindo o país rumo ao abismo do totalitarismo comunista e instituindo para tal uma metódica e sistemática política de saque aos bens públicos, sem o menor pudor, a céu aberto e em proporções estratosféricas jamais atingidas por nenhum outro Governo corrupto similar no Mundo, é o marco inicial e o símbolo absolutamente necessário que o país necessitava para sinalizar o início dessa reação que busca reconduzir o país aos bem-vindos trilhos da Ordem e da Justiça. Trilhos esses que nos últimos anos teimavam em manter-se na completa obscuridade e a milhares de quilômetros distantes das fronteiras nacionais.

 

Sim, a luta está apenas começando e será muito, muito árdua. E o final feliz irá sempre depender da participação de todos. Não se enganem e estejam bem preparados, porque o perigo é real e ameaçador. Mesmo assim, não cabe em momento algum tentar minimizar o feito hoje conquistado na luta contra a corrupção e contra a impunidade por todos os brasileiros que ainda guardam o sentido do correto e que têm o coração verde e amarelo - e não vermelho como tantos ainda nos querem impor - alegando que o citado cidadão apenas foi condenado, mas de fato não foi preso e aguardará outras instâncias provavelmente incertas em liberdade, para que se decida então o destino merecido que a grande maioria espera, com inteira justiça, diga-se de passagem. No entanto, com toda a sinceridade, tal atitude neste momento apenas demonstra certa avaliação fora do realisticamente possível um negativismo antipatriótico e precipitado que não é bem vindo em circunstância alguma.

 

Basta entender que a sentença condenatória em primeira instância, é, desde já, um marco absoluto nos anais jurídicos da nação, se for levado em conta que se condenou um ex-presidente da República, alguém que até pouco tempo atrás era divinizado pela grande maioria da população brasileira e que responde ainda – acredite se quiser, mas não se espante tanto: isso acontece com todos os líderes comunistas em outros locais do mundo, graças às táticas malévolas usadas por essa Ideologia Perversa que o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva e outros agentes como ele abraçam - pelo culto devocional a ele dirigido por uma significativa, ruidosa e potencialmente perigosa parcela de fanáticos, secundados por parte da Mídia e apoiados por segmentos influentes na vida nacional, como os meios artísticos e acadêmicos e outros mais poderosos ainda. Uma vitória extremamente expressiva, portanto.

 

Não se trata sequer de conjeturar se o mencionado cidadão irá ou não escapar do merecido castigo a que seus crimes o deveriam conduzir. Honestamente, isso é absolutamente secundário agora, pois mesmo que não se consiga atingir, neste plano terrestre, a Justiça que almejamos, é inegável que a pecha que esse cidadão carregará para o resto da vida o marcará para sempre e, mesmo num país, onde a desinformação ainda é intensa, tal pecha muito dificilmente será esquecida pelas massas de eleitores, que hoje - não esqueça - não é mais conduzida pela coação eleitoral difícil de ser contida do “Bolsa-Família”, conduzida pelos interesses petistas, como foi até algum tempo atrás, quando esse cidadão detinha o poder supremo no Brasil. Nem tampouco será arrefecida tão cedo, ou pelo menos não antes de 2018, como muitos temem.  

 

Não uma pecha tão acintosamente visível e vergonhosa, sobretudo para uma figura com a estatura pública de Lula, como a que o ex-presidente irá carregar a partir de hoje, tornando-o para sempre proscrito entre a comunidade dos homens de bem nesta existência, pois uma condenação ele já tem – mesmo que em primeira instância - e isso nenhuma eventual, cínica e conveniente absolvição meramente política que possa vir a ocorrer irá conseguir apagar, pois todos sabem sobejamente a verdade dos fatos; além disso, não se esqueça daquele velho ditado de sabedoria popular: quanto mais alta a criatura – o que não é o caso dele - ou a alturas mais elevadas for alçada, maior e mais vistosa será a queda. Não se deixe, portanto, conduzir pela mídia sensacionalista, cujo único objetivo é tentar criar insegurança, dúvidas e polêmicas e, com isso incendiar a opinião pública para vender notícias. É bem verdade que a luta está apenas começando e será uma batalha muito, mas muito árdua mesmo. E se o resultado final dessa disputa será feliz ou não para os destinos do país, ainda é muito incerto prognosticar, pois isso irá depender cada vez mais da participação de todos. E tal participação nem sempre é muito fácil de ser conquistada, por conta da conhecida tendência da maioria em manter-se neutra ou omissa, dentro da zona de conforto, como já foi suficientemente comprovado.  

 

No entanto, neste momento de profunda emoção e completa euforia, cabe tão somente festejar com a alma muito leve. E, sobretudo, aplaudir o tino político demonstrado mais uma vez pelo Exmo. Sr. Dr. Moro, esse Artur Juiz e Jovem Guerreiro que, através de uma Sentença que é um verdadeiro prodígio de sensatez e ponderação e de irrepreensível equilíbrio, apoiado por sua turma de indomáveis Cavaleiros da Távola LavaJato, e quase sempre sob o bombardeio constante e covarde das forças poderosas que se lhes opõem, conseguiu impor ao atraso e ao obscurantismo uma vitória fundamental e que ficará para sempre na História deste país como o primeiro galardão de reconhecimento de um trabalho sob o signo da Ética e da Imparcialidade, por vezes ingrato e incompreendido e que, até por isso, será lembrado como o símbolo da bravura e do patriotismo de um verdadeiro Herói.

 

Obrigado Dr. Moro. Seja o que for que possa vir a acontecer, a Nação brasileira, aliviada, com imensa emoção o aplaude agradecida, e sem dúvida continuará reafirmando o apoio irrestrito à sua causa, que é também a de todos aqueles que lutam por um Brasil mais justo e progressista, sempre acreditando que a Justiça, por mais lenta que possa vir a ser, cumprirá inexoravelmente o seu papel regulador.
Mesmo num Plano ainda tão precário, como é o nosso.

 

SOMOS TODOS MORO

 

 

 "Ai que vida boa, olerê

Ai que vida boa, olará

O estandarte do sanatório geral vai passar

Ai que vida boa, olerê

Ai que vida boa, olará

O estandarte do sanatório geral 

Vai passar"

 

(Chico Buarque)

 

PAULO MONTEIRO