24/03/2018 Número de leitores: 160

RETALHOS A GRANEL DE PAULO MONTEIRO PARTE 10: “A NÁUSEA”

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

 

Ficou descaradamente claro, para quem ainda se recusava em acreditar, que o órgão supremo que pretensamente deveria dirigir os destinos desta nação, nada mais é, salvo talvez uma ou outra exceção, do que uma corja de togados ali colocados não para representarem a sumidade de nossos ideais de ética e de justiça, como em qualquer sociedade sadia e ordeira seria lógico se supor que fossem, mas unicamente para defender os interesses escusos de um celerado e seus sequazes ou de seus parceiros e desafetos de ocasião.

Escancaramos despudoradamente a derradeira porta de acesso ao lupanar moral que a bandidagem militante comunista transformou este país. Esse, sim, o lupanar verdadeiramente degradante que brada aos céus, pois, diferentemente do que é vulgarmente conhecido como tal, no qual alguns seres humanos – muitas vezes movidos apenas pela necessidade de sobrevivência financeira – transacionam apenas o que lhes pertence (seus corpos) sem com isso prejudicar os outros, no moral o que é transacionado, para usufruto exclusivo de uns poucos espertalhões e canalhas, é o destino, a felicidade e o bem estar dos demais.

Com isso, ficou visível até para iletrados e mentecaptos renitentes, o cínico aparelhamento de estado que visava em última instância à implantação da ditadura comunista e à “venezualização bolivarianista” do país, a qualquer custo e com os resultados que muitos, atualmente, já poderão antever. Algo que, certamente muito mais por obra de desígnios superiores do que por nosso próprio esforço coletivo, foi interrompido, graças ao providencial “impeachment” de Dilma Rousseff e à colaboração persistente e demolidora da assim conhecida República de Curitiba e de seus bravos representantes e coligados.

Interrompido, mas ainda muito distante de ser debelado, pois, como é bem visível agora, a infiltração meticulosa, sorrateira e progressivamente danosa das táticas “gramcistas”, que atuaram sem quaisquer obstáculos ao longo de quase meio século, fincou profundamente as garras nas principais e mais representativas instituições do país: universidades, instituições religiosas, órgãos da mídia, meio artístico e intelectualidade e até, ao que consta, em alguns setores das nossas Forças Armadas, iludindo e contaminando mentes até brilhantes, em alguns casos, e instalando o caos e a discórdia no cotidiano de nossas vidas. Mas essa é a nossa tarefa para futuro. Nosso débito cármico, que só o porvir dirá aonde irá nos conduzir.

De fato, já há algum tempo que, em decorrência disso, vimos atravessando no país uma situação de absoluta instabilidade psíquica, e de anormalidade emocional coletiva e social. Algo que pode ser perfeitamente aferido pela convulsão em nossas redes sociais, hoje um termômetro preciso e uma radiografia instantânea da saúde psíquica de uma coletividade. E o que ressalta de qualquer observação até displicente - tanto na realidade física do país, quanto na virtual - a cada golpe que é cravado na ética, na ordem, no equilíbrio e no que é correto, é um feio retrato de desordem cívica e de indigência moral. E que sinaliza uma crise profunda, que há muito deixou de ser uma crise ideológica e só os militantes extremistas não perceberam, porque a cegueira e o fanatismo que é comum a todos eles não lhes permitiu enxergar, mas que configura uma autêntica crise de valores. E apenas isso pode explicar esse momento que vivemos. Nada mais.        

Tentamos aos trancos e barrancos instaurar a perdida normalidade psíquica em nosso cotidiano, através de preceitos de auto-ajuda, da Fé religiosa, do recolhimento meditativo, do apelo à fraternidade e à solidariedade, apelamos para a compaixão e resistimos o quanto podemos ao ódio que a nossa precariedade de humanos por vezes impõe, mas não conseguimos evitar o profundo sentimento de repulsa e a náusea que toda essa anormalidade vem causando.

Um sentimento já experimentado pelos europeus em vários modelos pomposos e genocidas sob o jugo de Lenin, Stalin e Herr Führer  e que ressurge agora melífluo e mais “envernizado” – mas, por isso mesmo com uma capacidade muito mais destruidora - no globalismo humanitarista de Bruxelas, ou oculto sob a capa azul e o “glamour” hollywoodano dos Democratas Americanos. Para nós, envergonhados terceiro-mundistas, sobrou o discreto charme dos novos ricos psolistas cariocas, o tosco apelo da pelegada petista, ou a ignorância assumida dos Sem Terra. Não importa! A matriz que a todos forjou é exatamente a mesma. E a náusea pela fedentina que exalam também!  

Um asco e uma indignação tão visceral que apenas a certeza de que a igual força, profundidade e possibilidade destruidora e inversora, irá corresponder muito em breve uma força oposta de maior poder e capacidade regeneradora: para grandes males, grandes remédios. Não duvide, pois, que poderemos assistir de camarote à canalhada que navega com oportunismo nessa maré nauseabunda de lama e destruição ter a devida paga por seu maquiavelismo e mau-caratismo.

Por isso, é bom Jair preparando um Plano B, amizadinha! Ninguém cospe impunemente num capitão de nosso Exército! Nenhum réu, condenado por unanimidade em judiciário isento, ousará iniciar sórdidas campanhas eleitorais país afora, aproveitando-se de uma pretensa desinformação geral ou seguirá tripudiando cinicamente de nossos valores morais. É bom Jair se acostumando, você que segue aquela cartilha pérfida do quanto pior, melhor: um novo país ressurgirá desse mar de lama que vocês plantaram. E, com certeza, jamais será o que vocês planejaram!

 

PAULO MONTEIRO