29/06/2018 Número de leitores: 241

RETALHOS A GRANEL DE PAULO MONTEIRO, PARTE 13 : “LES MARIONETTES”

PAULO MONTEIRO Ver Perfil

O que leva Ministros a proteger corruptos? O que leva esses Togados investidos de todos os poderes a tentar destruir um país, atropelando a Lei e a Constituição e debochando de todo um país e, por tabela, das instituições que o protegem? O que leva essas pessoas investidas com o poder de uma toga e de uma caneta a soltar corruptos e criminosos confessos, condenados em segunda instância e a manchar qualquer norma de Ética e Decoro para tentar impor o primado da Impunidade e do Caos?

Essa é a pergunta que um país, cuja atenção está convenientemente voltada para um evento galvanizante que desperta e distrai sabidamente a paixão de toda a população – o futebol e a Copa do Mundo, que neste instante se desenrola pelos gramados russos – se faz. A cada dia mais atônito, ao perceber o desplante, a cara de pau, o cinismo e a “coragem” dessas pessoas.

Mas, atenção: essas pessoas não são loucas, nem descerebradas – muito pelo contrário – nem tampouco cegamente fiéis a uma determinada camisa que vistam ou a qualquer eventual Ideologia que professem. Elas são pessoas, vulneráveis exatamente como nós somos. Apenas, diferentemente da maioria de nós, muitíssimo bem pagas, mas de carne e osso, como todos nós. Não aparentam – veja bem, eu digo aparentam – ser loucas ou sórdidas, simplesmente porque são loucas e sórdidas. Existe uma razão lógica e compreensível por trás de todo esse comportamento.

Assim, para tentar entender o comportamento dessas criaturas, tenhamos em mente três detalhes fundamentais: 1) apenas para reavivar a nossa memória, que teima em ficar obscurecida pelo tempo e pelo avanço dos anos, lembremo-nos, primeiramente, quem as colocou lá, literalmente a todas elas; estejamos absolutamente certos que deve ter havido um bom motivo para tal, pois quem as colocou lá teve inteira liberdade para tal, não dá ponto sem nó, paga muitíssimo bem e não brinca em serviçoE, cá para nós, todas essas marionetes são bem calejadas, adultas e sabem muito bem com quem estão lidando; 2) antes de as condenarmos, por cumprirem tais ordens, lembremo-nos em segundo lugar, que quando saímos destemperadamente de dedo em riste contra uma simples atendente de loja ou contra o segurança de um shopping por alguma atitude desses serviçais que fere a lógica, o bom senso e eventualmente interfere com o nosso interesse, com a nossa dignidade pessoal, vamos parar para respirar e analisar que estaremos lidando com alguém que simplesmente é pago para cumprir ordens e que recebe infinitamente menos do que as marionetes deste artigo, mas depende de cumprir ordens para se sustentar e, muitas vezes, sustentar a sua família e, finalmente 3) antes de “arriar o malho” e pegar pesado demais com essas marionetes, lembrando sempre, obviamente, que elas estão cumprindo ordens, façamos primeiramente uma autocrítica honesta e isenta (se é que isso é possível, a todos nós, nessas circunstâncias) para saber se, caso fôssemos nós no lugar deles não agiríamos da mesma forma? Veja bem, não estou acusando nem duvidando da integridade e da dignidade de ninguém; cada qual que faça sua autocrítica pessoal, pois a resposta só a cada um compete. Apenas pergunto, e perguntar não ofende, pois não custa lembrar que em circunstâncias similares, quase toda a população de um país bastante mais evoluído em termos civilizacionais do que nós – a Alemanha – colaborou ativamente (e se omitir significa colaborar; não tem escapatória) para conduzir 06 milhões de pessoas aos fornos crematórios, num passado recente. E todos eles, literalmente todos, alegaram estar cumprindo ordens. Seduzidos pela lábia de alguém com um plano malévolo em mente, não nos esqueçamos jamais desse fato. Dá para fazer um paralelo rapidinho, ou você prefere acreditar que o diabo são só os outros, para colocar hipocritamente um chifre na testa, rabo bifurcado e um tridente nas mãos dos alemães?

Portanto, a obstinação em praticar tais atrocidades e despautérios, desafiando toda uma Nação tem um motivo e esse motivo não é nem de longe a fidelidade a uma camisa ou a uma Ideologia. Isso tem um preço bem menor, convenhamos, e o ser humano (sobretudo os que atuam nessa área do Poder) é bem mais volúvel e facilmente manipulável e ao sabor e da conveniência dos ventos que soprem, todos nós sabemos. Não iriam tão longe e não correriam tal risco por esse motivo.

A chave que explica de fato o comportamento dessas pessoas é fundamentalmente uma: o MEDO!

Essas pessoas, simplesmente cumprem ordens e temem algo ou alguém bem maior do que eles. Talvez algo até bem maior do que o Brasil. “Algo ou alguém” que se infiltrou melifluamente no seio das lenientes e piedosas sociedades europeias para semear a discórdia e o Caos em nome do Politicamente Correto, do Humanitarismo e do Relativismo e em nome do Socialismo (ou Social-Democracia, como lá eles são chamados); “algo ou alguém” que se imiscuiu em pleno coração do capitalismo conservador norte-americano e lá se misturou aos bem intencionados Democratas, mas com os mesmos objetivos malévolos; “algo ou alguém” que alimenta o primarismo bem mais tosco e bem menos sutil do bolivarianismo latino-americano: afinal estamos num subcontinente subdesenvolvido e não há necessidade de tanto disfarce e de tantas sutilezas para enrolar facilmente as pessoas. “Algo ou alguém” que tem um Plano e tudo fará para colocá-lo em prática. Literalmente TUDO, o que inclui até destruir uma Nação, se necessário for. E que ao autorizar uma atitude dessa gravidade e risco sinaliza claramente uma coisa: esse “algo ou alguém” partiu para o tudo ou nada! Pois o Brasil faz parte inseparável – e é uma peça fundamental e prioritária nesse jogo – de todo um Plano Global, maquiavélico, articulado e disciplinadíssimo.

Por isso, pela importância fulcral do Brasil nesse tabuleiro e por perceberem que os planos deles, que corriam maravilhosamente a contento e eles estavam com a faca e o queijo – o país – na mão (como estão na Venezuela e na Bolívia) até acontecer o “impeachment” de Dilma Rousseff, estão desandando rapidamente graças, sobretudo, à iniciativa dos jovens e íntegros juízes da Lava Jato, eles têm muita pressa, agora. E estão partindo para o tudo ou nada. Ainda mais que eles sabem que vazaram os detalhes da delação de Antonio Palocci, co-fundador do PT, ex-Presidente do PT de São Paulo, ex-Ministro da Fazenda no Governo Lula, e ex-Ministro-Chefe da Casa Civil no Governo Dilma, entre outras distinções desse currículo reluzente, e sabem perfeitamente que os detalhes dessa delação são realmente de fazer corar até o mais perverso dos demônios que os inspira a todos eles. Não poderia ser diferente.

De fato, ao dar sinal verde para que essas marionetes regiamente pagas soltem José Dirceu, sabidamente o cérebro pensante e o fio condutor, no Brasil, de todo esse Caos que está aí e abrindo o caminho para uma posterior soltura de Luiz Inácio Lula da Silva – que acontecerá no seguimento, se as marionetes não forem detidas – eles sinalizam o que todos sabemos: esse “algo ou alguém” de fato não dispõe de ninguém que possa substituir o cérebro de Dirceu e o carisma de Lula para dar seguimento a seus planos sórdidos. Não será a sustentabilidade insustentável de uma Marina Silva, ou o narcisismo destemperado e inteiramente fora de qualquer controle de um Ciro Gomes, nem a burrice e incompetência estocada a muito vento de uma Dilma, muito menos o cérebro desmiolado revestido de brilhosas mas ensandecidas tintas de “psi” de um Guilherme Boulos quem poderá conduzir os planos desse “algo ou alguém, caso percam Dirceu e Lula

Já o cérebro de Dirceu, provavelmente continua intato, e sua inclinação para causar o mal, idem, embora o carisma de um beberrão analfabeto e boçal (algo que, ressalve-se, é absolutamente indiferente para esse “algo ou alguém”) como Lula, despenque vertiginosamente pelas celas – mesmo que confortavelmente aparelhadas, mas assim mesmo celas de confinamento – do sistema penal brasileiro e pela constatação de que tal carisma vai se diluindo rapidamente, pela ação do tempo e do isolamento a que esse cidadão foi a duríssimas penas condenado, pois sabemos o quão venal pode ser a admiração e o apoio das massas e quão suscetível ela é à influência poderosa do tempo e do anonimato. E isso pode ser fatal para Lula. É, portanto, um ato de desespero puro, também, cuja gravidade para o atingido e já citado Lula da Silva transcende até as circunstâncias já de si penosas de seu confinamento. Afinal, quem apreciaria terminar a vida, enclausurado numa cela de poucos metros, em solidão e sem grandes regalias? Ainda mais alguém que se habituou à bajulação das massas e à onipotência de se considerar dono do país e das pessoas desse país? Quem, ainda por cima, não se desesperaria inteiramente, vendo que as forças que lhe davam sustentação podem estar cada vez mais distantes da figura pessoal dele e de suas ilimitadas ambições? Cérebro, se intato, terá sempre serventia, independentemente da pátina do tempo, mas, será que o mesmo acontece com o carisma? Provavelmente só enquanto perdurar esse carisma, que, como vimos depende de fatores imensamente fora de controle para continuar a sustentar-se.

Mas, isso não importa no momento. Aguardemos o próximo desenrolar desse jogo para saber se eles – esse “algo ou alguém” – irão ou não prescindir desse carisma. Mas, o que é fato é que do cérebro de Dirceu eles sinalizaram claramente que não têm como prescindir. Por isso, partiram para o ataque aberto. Para o enfrentamento. Para virar a mesa. Para o tudo ou nada.

O que resta a nós fazer? Nós, meras buchas de canhão na avaliação dessas pessoas ensandecidas pela cupidez do Poder e que assistimos a esse jogo tenebroso, impotentes e com a alma e as vidas em suspenso.

Valerá de algo vociferar em redes sociais? Organizar panelaços? OK, tudo isso é positivo e ajuda, mas, a essa altura dos acontecimentos, perante a gravidade e a impertinência absoluta do desafio, é imperioso avaliar que isso apenas significa querer abater uma manada de elefantes em disparada com um tiro de estilingue. Acredito que esse tempo já passou. Passou da hora e a Besta continua viva, atuante e, até ao momento, nada disso conseguiu detê-la. Portanto, quer uma opinião honesta? Minha avaliação pode ser pessimista, mas até agora tudo indica que muito pouco podemos fazer, além de orar e pedir à Espiritualidade Maior que nos proteja e às nossas famílias de todos os males que certamente virão, conforme me foi alertado por uma maninha querida, companheira de Fé e de armas, e, talvez, acreditar que uma mobilização realmente ampla de todos os segmentos da sociedade – algo que, mais uma vez me fará ser chamado de pessimista demais, uma característica que em geral passa a léguas da minha personalidade, mas me parece altamente improvável – possa de fato sensibilizar as nossas Forças Armadas a cumprirem seu papel de defender a Pátria, ou que a maioria deles, capitaneados pelos seus dirigentes e apenas motivados pela própria cidadania, o faça. Que, neste momento é a única força que consigo enxergar que poderá detê-los. Eles aparelharam inteiramente o controle do Poder e não será o esforço heróico e o sacrifício desumano a que está sendo submetido o nosso David da história – a Lava Jato e a assim chamada República de Curitiba – que irá destroçar esse Golias desembestado. Eles fazem até o possível e o impossível, até muito mais do que seria humanamente aceite, diga-se de passagem. Mas, pela estrutura de poder ardilosamente armada no país, as marionetes, neste momento têm poder maior. Os recentes acontecimentos têm provado sobejamente tal fato. Eles fazem o dever deles, as marionetes prontamente desfazem. E, lamentavelmente, as marionetes são a última instância de Poder, neste país. Reclamar a quem? Boa pergunta.

Se é que era de pretexto legal que as Forças Armadas necessitavam para intervir – algo como o atropelo descarado às Leis e à Constituição, a baderna generalizada nos Três Poderes e a iminência de risco à Nação -,  esse pretexto legal, agora é o que não lhes falta! “Eles”, os tais “algo ou alguém”, com a conivência absoluta das marionetes e de outros atores secundários dessa pantomima trágica – mídia, intelectualidade, parte do meio acadêmico e artístico, etc… – já lançaram mão descarada e audaciosamente de todos esses desvios da Lei e crimes contra a Nação. E eles, – esse “algo ou alguém”- pagaram para ver o que será exatamente que irá ocorrer. E se ocorrerá de fato algo concreto e efetivo, além dos naturais protestos que vêm ocorrendo em todos os segmentos da sociedade e, inclusive, dentro das Forças Armadas. Pois, se não ocorrer, eles irão em frente, inabaláveis e cada vez mais destrutivos. E, não custa lembrar: a permanência dessas marionetes à frente do Poder é vitalícia! É nisso que eles, esse “algo ou alguém”, apostam!

Acreditar que as eleições de Outubro irão alterar minimamente esse quadro, ainda mais sabendo nós qual o nível de informação e a facilidade para ser manipulada que compõe a massa de eleitores deste país, a ajuda do voto obrigatório nesse contexto vicioso, e a maneira espúria com que foi cercado o acesso ao Poder – com a certeza comprovada de que, se necessário, eles fraudarão qualquer tentativa eleitoral que seja contrária aos interesses deles – e a permanência vitalícia dos privilegiados e das oligarquias que conseguiram vaga em tal sistema, é acreditar demais em histórias da carochinha. Pois é evidente que o “status quo” hediondo prevalecerá. E isso nada tem a ver com pessimismo: tem a ver com realismo!

Resta, portanto, saber se as nossas Forças Armadas terão o desprendimento necessário para intervir perante todas essas evidências perfeitamente visíveis e assustadoras que todos nós estamos assistindo de camarote, inteiramente estupefatos. Mesmo num momento crucial como este. Talvez, muitos tenham memória curta – curtíssima, eu diria – mas, com certeza a ingratidão jamais faltou a muitos desses que agora voltam a pleitear uma intervenção, pois um momento similar aconteceu neste país, há exatos 54 anos atrás, e eles intervieram. Vieram em auxílio da Nação. Não vou aqui reprisar fatos que já são históricos, nem dar minha versão pessoal para ilustrar esse período da nossa História. Já o fiz repetidamente em várias ocasiões anteriores e reitero meu apoio integral às nossas Forças Armadas. Contudo, cada qual que faça essa revisão, de acordo com seu ponto de vista. Cada qual que tome posições. Eu, certamente já tomei a minha. Apenas observo que a História se repete, com uma gravidade e numa abrangência muito maior: afinal, eles (esse “algo ou alguém”) tiveram mais de 50 anos em que foram deixados inteiramente à solta para se armarem, se aparelharem, e plantarem o caos que livremente plantaram em todos os segmentos da vida nacional. E a essência do ser humano, de ingratidão e cegueira obstinada permanece. Da mesma forma que permanece inalterada a hipocrisia na alma de cada pessoa. Da mesma forma que permanecem as sementes do mal aqui plantadas. Agora com força, penetração no seio da sociedade e representatividade redobradas.

E as nossas Forças Armadas sabem perfeitamente disso! Espero fervorosamente que Deus ilumine suas ações e que tenham aprendido todas as lições que esse passado nos traz, para reconduzir – não conduzir, entenda-se, não é essa a função deles – o país aos trilhos da Ordem! Com firmeza e justiça implacáveis e rigorosas, mas sempre sob o signo do Bem e as bênçãos da Espiritualidade. Esses devem ser os lábaros da nossa Nação! Esse é o país do futuro que tantos escritos esotéricos nos prometem e que tanto almejamos.

 

“Moi je construis des marionnettes
Avec de la ficelle et du papier
Elles sont jolies les mignonnettes
Je vais, je vais vous les présenter”

 

Cristophe (1965)

(Eu, eu construo marionetes; Com corda e papel; São bonitas as miniaturas; Eu vou, eu vou apresentar vocês a elas)

 

www.cultseraridades.com.br

PAULO MONTEIRO