BIO

PIPOL
(JOSE WALDERY MANGIERI PIRES)
In Memoriam (1961-2015)

Por Rosangela Stefanelli

O significado e beleza das redes de afeto

Fui buscar em Terras dos Homens*, o ponto de partida para escrever sobre Pipol.

(...) "A grandeza de um ofício é, talvez, antes de tudo, a de unir os homens." (...)



Pipol foi o cara que mais redes de afetos vi construir em vida. Amava aviões assim como Saint-Exupéry, e a sua maneira, com pés fincados no chão, Pipol voou longe, muito longe.

Pipol, nasceu em Adamantina em 1961, mas viveu toda a sua infância e juventude em Tupã, cidade do interior paulista. Faleceu aos 53 anos, em 16 de abril de 2015, em São Paulo. Cidade que amou e escolheu para trabalhar, ambiente em que construiu imensas redes de afetos.

Menino, sua curiosidade por aviação / espaço / aeromodelismo, o leva a cursar Engenharia, como seu pai. Seu sonho era fazer Engenharia Aeronáutica no ITA. Queria ser um engenheiro “criativo”. Aos 16 anos foi pra Marília fazer cursinho, de lá parte para Bauru, onde entra em Engenharia Civil na UNESP; interrompe o curso, se forma em Psicologia e o mercado de trabalho ganha um publicitário(!). A teoria do Caos e a Física Quântica determinam sua visão conceitual de mundo. Seja na publicidade, na poesia, no vídeo, sua autoria é sempre orientada por sua paixão por sistemas de engrenagem, da física à evolução científica.

Seus heróis, Mário Quintana, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e François Truffaut. Seu fascínio por Mário Quintana o leva para a poesia. Aos 20 anos publica, de forma independente, seu primeiro livro, “Pipoca”.

Em Bauru, morou de 1980 a 1994. Começa sua carreira como redator publicitário. Não demora a troca da publicidade pela cultura. Como agente cultural da Oficina Glauco Pinto de Moraes amplia sua relação com a arte ativista. Funda com João Nicodemos e Jony Rosa, o grupo de poesia PIRATARIA POÉTICA (1985). Esses três piratas, com jeitão “beatnick de ser” lançam seu primeiro e único livro e, com ele, movimentam uma Bauru poética e de arte experimental que nunca antes existiu. A Pirataria Poética é elo de articulação e aglutinação cultural na cidade, chamando à cena, bauruenses de várias vertentes artísticas, da pintura à escultura. Ainda em Bauru, Pipol, avança em sua carreira profissional e assume a direção de vídeo publicitário da TV FR-Manchete (1992).



Nesta emissora, cria em parceria com a minha pessoa, o ZAPTEEN (1993), programa de TV em formato pioneiro para o interior paulista. Intrépido e destinado à caça de talentos teens, o Zapteen é veiculado para 52 cidades da região de Bauru. Muito jovens com menos de 30 anos, inauguramos o formato de produção independente fora do eixo SP-RJ. O Zapteen é objeto de mídia em veículos nacionais como Folha de S. Paulo - Caderno Folhateen; Vejinha São Paulo e Meio & Mensagem (1993).

Mudamos para São Paulo em 1994. Pipol encontra seu caminho definitivo nessa caótica metrópole. Amava São Paulo, seu ritmo, suas pessoas, sua forma nervosa. Trabalha inicialmente em agências de publicidade como redator, até que dá um basta e se entrega ao seu ofício de paixão - a literatura, a arte da poesia, a poesia visual. E por vir, a poesia digital.



A Internet rompe suas primeiras fronteiras (1999) e Pipol, visionário, começa a tatear essa ‘aldeia global’. A web é o ambiente no qual ele se apropria para expressar sua aventura literária e relacionar-se em um ‘click’ com o mundo.

Como videomaker, diretor de vídeo, seus primeiros trabalhos na Internet, são sites comerciais. Faz deste meio digital seu maior campo de experimentação poética e criativa. Ao mesmo tempo, começa a investir recursos incessantemente na aquisição de equipamentos de filmagens. Sempre autodidata, neste período, inicia-se na incursão do campo do documentário e do curta metragem, autofinancia suas produções, hoje extenso e contemporâneo legado dentro e fora do portal Cronópios.



Pipol foi membro honorário da Academia Taguatinguense de Letras (Brasilia, DF).

O portal Cronópios (www.cronopios.com.br) reflete o amadurecimento da obra de autor. Lançado em 2005, é hoje o maior da literatura brasileira e referência de plataforma digital. Registra no seu 10° ano mais de seis mil artigos publicados e cerca de 1,3 mil articulistas cadastrados. O Cronópios tem a cara de seu criador. A grandeza deste projeto de Pipol é missão de continuidade após seu falecimento. Poucos sabem mas Pipol mantinha tripla jornada de trabalho. Durante os dias, de segunda a segunda, via-se Pipol em eventos literários, filmando, filmando. Em reuniões de trabalho captando briefings do mercado. E nas madrugadas, atuando como publisher, editor fundador do Cronópios. Era muitos em um único homem, tamanha versatilidade e volume produzido. Incansável e movido por paixão. Revelou inúmeros talentos literários. Criou e dialogou com redes de afetos em torno da literatura Brasil.

De uma generosidade este teu grande projeto, Pipol!



Em sua forma de ser, silencioso, entrou e saiu da cena. Artista multimídia de vanguarda, humilde, generoso com as redes de afeto que ativou e habitou e, elas que alimentaram sua pessoa, o artista, o cidadão.
Ficou em nossos corações.
Sua obra vive. Seu legado respira.
VIVA Pipol! VIVA Cronópios!

*Antoine de Saint-Exupéry, Terre des hommes, Gallimard, France, 1939.

LIVROS PUBLICADOS

Brinquedos de Palavras, 2010

Electric Poetry, 2007

Novidades, 1988

Manifesto da Poesia Cristal, 1985

Espantalho, 1983

Pirataria Poética, 1984

Pipoca, edição 2, 1983

Pipoca, edição 1, 1982

REGISTROS PIPOL

http://brinquedosdepalavras.blogspot.com.br/
https://forumdeliteraturace.wordpress.com/2015/04/18/salve-pipol-cronopiosparasempre/
http://www.ligadosfm.com/2012/11/19-entrevista-literaria-pipol.html
http://www.germinaliteratura.com.br/2015/pcruzadas_pipol_ago15.htm

https://www.facebook.com/casadasrosas/photos/a.251154764937851.63184.247588171961177/781537518566237/

https://claudiowiller.wordpress.com/2015/04/18/mais-sobre-pipol-cronopios/

http://www.culturaalternativa.com.br/literatura/materias/3365-nota-de-falecimento-pipol-editor-do-cronopios

http://www.revistacapitu.com/capitu/materia.asp?codigo=271

http://livreopiniao.com/2015/05/09/casa-das-rosas-realiza-homenagem-ao-criador-do-portal-cronopios/

http://osreversos.com/a-danca-da-chuva/

http://www.casadasrosas.org.br/agenda/homenagem-a-pipol

https://jimduran.wordpress.com/2015/04/16/partiu-o-jose-waldery-pipol/

https://www.facebook.com/LiteraturaBr/posts/826030650783860

https://www.facebook.com/portalcronopios/posts/470700606318026

http://blogdomorani.blogspot.com.br/2011/07/ao-pipol-da-cronopios.html

http://cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=1825

http://cadernoculturalarevista.blogspot.com.br/2013/09/tv-cronopios-encontro-com-autores-e.html

http://ewordnews.com/ptbr/literary-news/2014/1/14/airheads-by-pipol-cronpios

https://twitter.com/Jim_Duran/status/588764606706876416



PIRATARIA POÉTICA (1985)

Há alguns anos, três jovens poetas resolveram botar os versos pra fora. E o fizeram com todos os meios disponíveis: varais de poesia, discursos inflamados de versos, vídeo-poemas (numa jurássica câmera Betamax), chuvas de poemas, poemadas, poemas em saquinhos de pão, caixas de fósforo e tantos outros suportes que pudessem suportar um poema. [...]

Veja o texto completo

Pirataria Poética, por Walter Mortary

Piratas, Nicodemos, Jony e Pipol, Bauru

Inauguração Banca do Poeta, Bauru

Piratas, Jony, Nico e Pipol, Bauru

Pirataria Poética, SESC Bauru, 1985

Banca Pirataria Poética, feira livre Bauru

Banca Pirataria Poética, feira livre Bauru

Pirataria Poética, Bauru SP

Pirataria Poética, Bauru SP

Pirataria Poética, Bauru SP

Pirataria Poética, Bauru SP



ENTREVISTAS PIPOL

http://baixacultura.org/historias-de-um-cronopio/

http://www.ligadosfm.com/2012_11_01_archive.html

http://cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=4804





PROGRAMA ZAPTEEN (1993)

Zapteen, entrevista Caca Diegues

Zapteen, equipe, Bauru

Zapteen, equipe, Bauru

Zapteen, lançamento, Bauru

Zapteen, Folhateen, Folha S. Paulo

Zapteen, Folhateen, Maysa Providello

Zapteen, Vejinha SP, Djaine Damiati

Zapteen, Jornal da Cidade, Bauru

Zapteen, Lançamento, 1993, Bauru

Zapteen, Meio&Mensagem

Zapteen, script programa