30/01/2017 Número de leitores: 311

Deficits de aprendizagem

Deborah Martins Encinas Nascimento Ver Perfil

   Os déficits/transtornos de aprendizagem têm essa nomenclatura por ser algo que é diferente da chamada “normalidade”, ou seja, saí do padrão, muitas vezes não está relacionada com o biológico do indivíduo e sim com o psicológico, emocional e/ou social, além da motivação é sentir vontade de fazer algo, por desejo vem do latim "movere", que significa mover, ou seja nos impulsiona para movermos e realizarmos algo, a motivação pode ser intrinseca ou extrinsica.   Quando o indivíduo apresenta está motivação, a aprendizagem tanto associativa como a não associativa ocorrem com mais facilidade. 

    Quando falamos de aprendizagem associativa, devemos saber que são dividias em condicionamento clássico e o operante. O condicionamento clássico surgiu do Russo Ivan Pavlov, no qual ocorre o seguinte esquema:

1) alimento (não condicionado) ---> cachorro salivou (não condicionado)

2)Inseriu barulho /sino  (estímulo neutro) --->sem salivação (não condicionado)

3)Neste momento é quando o estímulo apresentado será o item 1) e 2) ao mesmo tempo, ou seja, o alimento com baruho (sino) que vai resultar na salivação do cachorro.

4) Nesta etapa ele já está condicionado, então basta apresentar o barulho do sino (estímulo condicionado) que terá a salivação (resposta condicionada). Percebe-se que o estímulo neutro tornou-se condicionado, e consequentemente produziu uma resposta condicionada. 

  No condicionamento operante, descoberto por Skinner a aprendizagem por reforço positivo, reforço negativo, e punições. 

1) O comportamento pode ter um reforço (positivo ou negativo), ou uma punição.

2) Reforço Positivo aumenta a chance de um comportamento ocorrer pela presença de um estímulo (recompensa), positivo por "apresentar" ume estímulo.

3) Reforço Negativo  o comportamento é reforçado por evitar um resultado negativo ou estímulo aversivo

    Segundo MOURAO JUNIOR, Carlos Alberto; MELO, Luciene Bandeira Rodrigues, o aprendizado se dá em redes neurais altamente plásticas que se auto-organizam em função dos estímulos externos. Partindo desse pressuposto pode-se perceber que o ser humano precisa ser estimulado para aprender, e tudo isso está interligado com a inteligência, memória, linguagem, habilidades visuo-espaciais, desenvolvimento, etc, porem para que isso ocorra é necessário termos a função executiva “ativa”, ou seja, processando, já que dependemos das FE para realizarmos tarefas. Se não temos as FE e o lobo frontal com funcionamento necessário, é provável que não conseguiremos aprender já que isso inibirá a plasticidade cerebral.

      Grande parte dos indivíduos que têm deficiências/transtorno de aprendizagem apresenta alguma alteração no lobo frontal (córtex motor e pré-frontal) e também na forma que esse indivíduo processa as informações que estão ligadas diretamente com as funções executivas. O cérebro está todo interligado e qualquer alteração mesmo que mínima afetará de alguma forma as respostas e as reações do ser humano.

    Há o exemplo de Phineas Gage e suas alterações comportamentais, sociais, que foram afetadas no qual ficou sem capacidade para planejar e organizar, funções estas que estão todas relacionadas com o lobo frontal e as funções executivas.

    Para quem tiver curiosidade acesse o link http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2014/v50n2/a4213.pdf que neste texto contará um pouco sobre a história de Phineas Gage e o avanço que ocorreu na neuropsicologia, e áreas afins, após este fato histórico. 

  O que vocês acham que pode ser feito para estimular e ocorrer a aprendizagem da melhor forma? E as crianças com transtornos? Já ouviram falar da estimulação precoce? Gostariam de um texto sobre esse tema? Comentem!

 Referências:

  Maranhão-Filho P. (2014).Mr. Phineas Gage e o acidente que deu novo rumo à neurologia. Rev Bras Neurol. 50(2):33-5.

 Mourão Junior, Carlos Alberto, & Melo, Luciene Bandeira Rodrigues. (2011). Integração de três conceitos: função executiva, memória de trabalho e aprendizado. Psicologia: Teoria e Pesquisa27(3), 309-314. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722011000300006

 



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