Café Literário Cronópios

Entrevista do mês
por Carlos Herculano Lopes





 

A fila boa
por TV Cronópios




Ma che bella storia!!!
por TV Cronópios




Pet é amigo ou é brinquedo?
por TV Cronópios




Zootropo com Angela Dip
por TV Cronópios




O Anjo da Guarda de Caio Fernando Abreu
por TV Cronópios




Os Bracher
por Jorge Sanglard




Zootropo com Nydia Licia e Máximo Barro
por TV Cronópios




Quermesse: toda poesia erótica de Sylvio Back
por Sylvio Back




Estamos ficando sem super-heróis
por Redação




Editora Pequeño Editor, da Argentina, encontra seu novo autor no Cronopinhos
por da Redação




Ficção Científica e Poética de Artur Matuck
por Artur Matuck




Asstrology / Horoscoku
por Roberto Bicelli







 
03/07/2007 23:09:00
O cacique do sul



TV Cronópios

fotos: Carol Mendonça




O cineasta e poeta Sylvio Back foi nosso mais recente convidado do Programa BITNIKS. Sylvio falou de sua infância e juventude, em Santa Catarina e no Paraná, da mãe alemã e de como a literatura, poesia e o cinema entraram em sua vida.

 

Bem humorado e eloqüente respondeu sempre muito mais do que nossas parcas questões motivavam. Falou e leu um pouco de sua poesia fescenina, pontuando com clareza a epígrafe de seu livro boudoir que remetia a T.S. Eliot: “O poeta precisa ser menos poeta”.







Dono de versos com belas imagens como, por exemplo, “é o rabo da tainha / na bicicleta alemã / zunindo adeuses e / beijos escandidos”, falou sobre as diferenças e semelhanças entre fazer cinema e fazer poesia e porque se considerava, com diz outro de seus versos, um “reles traficante de fotogramas”.

 

Não faltou, também, o tema da cultura e a história do sul do país – presença constante na maioria de seus filmes.

 






Sua fascinação pelo “suicídio voluntário” pontuou muito de seus comentários sobre sua mais recente produção, o filme “Lost Zweig”, que retoma os últimos dias de Stefan Zweig no Brasil e seu suicídio com a mulher em Petrópolis.

 

Não deu tempo para responder muitas das questões que gostaríamos de fazer, por exemplo, a que se refere ao título desta matéria, que era a forma como o cineasta Glauber Rocha o chamava e que servirá de título do livro que o crítico Luis Carlos Merten está escrevendo sobre Sylvio Back.

 






Todas as questões enviadas por e-mail foram, gentilmente, respondidas – também por e-mail – para esta matéria, que serve de aperitivo para o que você verá em nossa TV Cronópios. Bom proveito!

 

 

 


PERGUNTAS POR E-MAIL

 

 

TAVINHO PAES (poeta, compositor e agitador cultural)

Você, com toda essa bagagem audiovisual, acredita que, com as novas tecnologias de comunicação, a tendência da poesia caminhar para o audiovisual (como forma de expressão e difusão) é um vetor irresistível?
Qual  está sendo o impacto desta tendência no território onde apenas o livro imperou insubstituível por tantos anos?
Tudo teria começado com o cinema?

 

Meu caro poeta, Tavinho Paes, acredito que cada mídia nova que surge não substitui nem mata a anterior. Ao contrário, amplia o espectro de leituras e conhecimento. Estamos num tempo de conjunção e compulsão informativa, de percepção holística das palavras, imagens e das coisas invisíveis. Dificilmente a internet vai tomar o lugar do jornal, do livro, do filme na tela. Desde já estamos assistindo tudo correndo junto e ao mesmo tempo pra nossa felicidade e curtição. Aliás, ainda falta muito ou mesmo tudo, eu diria, para que a espacialidade e a materialidade do poema numa página de papel encontre a sua equivalência mágica na superfície de uma tela de monitor. Nem por isso deixamos de criá-lo e escrevê-lo na virtualidade, porque já é assim que “ele nos vem” (quando não o redigimos à mão!). Mas, ato contínuo, não só o copiamos, como almejamos vê-lo impresso nas páginas de um livro. O mesmo serve se gravamos em digital ao invés de filmarmos com celulóide: o mito do cinema só se realiza se projetado em película numa telona de quinze metros! Beijos, Back


 



EDUARDO CALAZANS (escritor e dramaturgo baiano)

Sylvio quais as principais dificuldades para se fazer cinema no Brasil, fora do eixo Rio-São Paulo?

 

Caro Eduardo Calazans, o Brasil é um país madrasto tanto pra quem deseja filmar no eixo Rio-São Paulo, quanto fora dele. Em qualquer época, hoje, ou há quarenta anos atrás. Os influxos do espírito sempre encontram mais imobilismo do que incentivo. E isso atinge a todos os principiantes e, ironicamente, a todos que persistem e resistem. Não sei o que você sabe da minha biofilmografia, mas iniciei a carreira de crítico e cineasta em Curitiba nos anos sessenta. Posso lhe dizer que sofri horrores, pois apenas Glauber Rocha aí na sua bela Salvador, e eu, no Paraná, fizemos filmes de longa-metragem com inquietação moral naquela quadra. Havia um invejável cinema paulista pós-Vera Cruz (Roberto Santos, Walter Hugo Khoury, Luiz Sérgio Person, Ozualdo Candeias) e havia o Cinema Novo telúrico, ambos instigantes, mas o resto do país era um deserto cinematográfico, ao menos, em filmes com alguma preocupação estética ou política. Ainda assim, eu começaria tudo de novo, com certeza, na província. Mesmo morando no Rio há mais de vinte anos, continuo me “vendo” um cineasta de província. Afinal, Curitiba me deu régua e compasso para formatar uma carreira com trinta e seis filmes e uma fornada de livros, ainda que sempre que podia e pode procura me dar uma rasteira... E como o passado é um país estrangeiro, lá as pessoas e os acontecimentos sempre mudam quando se volta a ele (com passaporte ou clandestinamente...), posso lhe afiançar, aonde quer que você esteja no mapa, e se mordido pelo cinema como eu fui, vendo filmes quase toda a noite nos anos ’40 na pequena cidade de Antonina (litoral do Paraná), ninguém, mas ninguém mesmo! conseguirá arrefecer sua paixão. Abraços, Back






BARBARA LIA (poeta paranaense)

O filme Cruz e Sousa - o poeta do desterro - é na verdade um cinepoema - cinema/poesia. Muito lindo! Será que você pretende filmar a vida/obra de outro poeta? E se existe este projeto, que poeta você escolheu / ou escolheria?

 

Querida Bárbara Lia, será que você conhece meu curta sobre e com a genial poeta paranaense, Helena Kolody, cujo título é “A Babel da Luz”?

Realizei-o em 1992, seis antes de filmar o longa-metragem, “Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro” em Florianópolis. A radicalidade da linguagem dele, que nasceu nas inúmeras conversas prévias com a poeta, já que não tinha a menor idéia como realizar o curta. Sabia, sim, que não recorreria aquele discurso burocrático de filmes afins, poemas ditos em off ou recitados pelo próprio autor, tudo ilustrado por imagens anódinas e aleatórias que o cineasta acredita porque acredita que seriam as que inspiraram os poemas. Queria fugir dessa abordagem a todo custo.

E ao mesmo tempo me auto-encurralei: o que fazer com Helena Kolody e seu original e fértil poemário? Foi quando saquei que o poema era a personificação da poeta, e não o contrário! E tomei seu corpo, sua voz, seu rosto, sua aura, como a transfiguração cinematográfica do próprio poema enquanto espelho de suas angústias, enquanto aventura lingüística única, enquanto repositório de uma biografia interminável.

Premiadíssimo (“A Babel da Luz” ganhou o Festival de Brasília, recebeu a “Margarida de Prata”, da CNBB), tomei com “Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro” a mesma atitude que sempre norteou meu fabro cinemático: jamais me dublar. Se o filme deu certo, a linguagem era só dele e de nenhum outro similar; se deu errado, não há porque emendar ou remendar para ver se sai melhor na outra. Como você pode constatar em “Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro”, novamente, vendo-me desafiado pelo verbo deflagrador e pela monumental amperagem erótica dos poemas deste que é o maior poeta negro da língua portuguesa, criei um “approach” igualmente terminal. Elegi o poema como o personagem principal do filme. Por aí daria para você concluir o quão seria complexo pensar, no momento, na feitura de um novo curta ou longa-metragem sobre algum poeta brasileiro ou estrangeiro que me dissesse ao coração, à mente e ao ventre. Claro, há gênios conhecidos e por serem revelados que exigem e merecem resgate literário e/ou cinematográfico. A propósito me vem à cabeça, de relance, o nome de um poeta pouquíssimo conhecido, e cuja verso é luminoso pela sua ousadia e entrega, o português, António Botto. Autor de um estonteante poemário homoerótico, Botto teve publicado entre nós apenas um florilégio intitulado, “Bagos de prata” (Editora Olavobrás, São Paulo, s/d); em 1959, morreu atropelado no Rio de Janeiro aos sessenta e três anos. Poeta que sou cultor do verso erótico-fescenino, você pode imaginar como eu me investiria para fazer da vida-e-obra de Botto um filme à altura de seu talento. Beijos, Back

 



 


CARLOS EMÍLIO C. LIMA (ficcionista cearense)

Pergunta para o meu querido amigo Sylvio Back;

Você não acha que está na hora de ser filmado algum conto ou romance de Virgilio Várzea ,que era o escritor mais visual da literatura brasileira de sua época, (autor de Mares e Campos; Contos de Amor; Nas Ondas ,entre tantos livros mágicos:) este catarinense universal,  parceiro inevitável de Cruz e Souza, instalacionista do completo conto descritivo ,a chamada "paisagem" ,precursor em muitas  medidas , graus , gruas e grous  e aproximações, de Proust e do noveau roman francês, que por incorretas razões e a grande preguiça nacional, ainda não teve  a transcriação cinematográfica que merece?

Beijos na ilha do Carlos Emílio C.Lima

 

Carlos Emílio, querido amigo e ousado editor (quando você retoma a sua inaudita revista triangular, hein!?), poeta e romancista, o bom de sua pergunta que nela já vem embutida a resposta... Então, que dizer mais de “Virgílio Várzea, os olhos de paisagem do cineasta do Parnaso”, título do seu instigante estudo sobre este (nosso) herói catarinense? Aliás, ninguém foi e é mais “mané”, como são chamados os naturais da Ilha de Santa Catarina, do que você, cearense de todos os costados e por todos os méritos morais e intelectuais, mergulhando na idílica Floripa (ex-Nossa Senhora do Desterro), para flagrar Várzea de corpo e alma em planos “plongés” de mastros, mirantes, faróis e que tais. Por sinal, não por acaso “Faróis” é um dos livros póstumos de Cruz e Sousa. E quem sabe até Nestor Vítor, seu testamenteiro, tenha se inspirado em Várzea, primevo parceiro de Cruz em “Tropos e Fanfarras (1895), para chegar nesse título. Sim, sem sombra de dúvida, nem que fosse em homenagem ao subtítulo desafiante e provocador do seu livro, “cineasta do Parnaso”, Virgílio Várzea não só merece, como está a pedir uma bio filmada, como ter seus insights machadianos e proustianos transportados para a tela. Infelizmente, caro amigo, não espere essa maravilhosa empreitada de mim. Mas, vai que num dia desses o “cineasta” avant la lettre Virgílio Várzea surja no meu horizonte e, sem mais, acabe impresso em fotogramas! Beijos, Back

 

 




CLAUDETTE GRAZZIOTIN (leitora de Porto Alegre)

Qual a motivação que sustenta a independência de teu trabalho de cineasta, totalmente desvinculado de qualquer Grupo ou Movimento, fato que eu admiro e acho excepcional e louvável?

 

Como você sabe, querida Claudette, meu cinema sempre se caracterizou por uma absoluta autonomia de vôo, que apenas encontra eco em filmes de uns poucos cineastas brasileiros. Foram inúmeros os descaminhos, os projetos detonados, o patrulhamento. Mas tenho como ponto de honra que, a par de uma incessante procura por um "não-estilo", não preside meu cinema nenhum espírito de horda, nem reverência a instituições e a poderosos. A carreira de diretor neste país é um per­manente tiro no escuro. Tateando, angustiado em fazer um cinema que não se remetesse a ninguém e à imagem alguma que eu já tivesse visto, acabei me fixando no resgate da dignidade perdida do homem, sua grandeza surrupiada pela força e a mitologia das instituições, das ideologias (do estado, das igrejas, das utopias em voga). Ou quando se esquece de sua obra, de sua marca espiritual, da sua herança criativa. Detesto a visão unívoca de homens e fatos, filmes a serviço de idéias servis, filmes que só enaltecem, edulcoram a histó­ria, personalidades “intocáveis” e os chamados “heróis da nacionalidade”. E para tanto abdicam da crítica e do dissenso, se curvam, dobram a espinha. Tudo e todos acabam personagens de uma história “chapa branca”, veiculando o olhar apascentador e corrompido do Estado, das religiões, da aca­demia, do poder político da hora. Estou sempre em busca do avesso, do corte oblíquo, de uma imagem “torta”. Persigo a estória/história dos que não estão na história, dos que são rechaçados dela (como eu próprio: patrulhado, sistematicamente sou excluído, “esquecido”, des­qualificado pela história oficial do cinema brasileiro). Muitas vezes nos filmes tenho eleito o diálogo da realidade de hoje com a cinematografia dos nossos fundadores como um nicho de liberdade moral onde é possível desnudar a bazófia dos guardiões das verdades irretocáveis. E a partir dele sair em busca de outras facetas que não as comprometidas pelas versões que tanto o vencedor como o vencido procuram chancelar para justificar violência, omissões, autoritarismo, silêncio. Daí foi se armando este projeto intuitivo de um cinema desideologizado, fortemente ancorado na liberdade de expressão, independente e não raro incompreendido, mas que jamais flertou com o público nem com a crítica, nem com a mídia.

 

CLAUDIO PORTELLA (escritor cearense)
"Vi Cruz e Souza - O Poeta do Desterro, numa edição do Cine Ceará. Realmente o Cisne Negro, como era conhecido o poeta, é o melhor vate negro do país. E o ícone do Simbolismo Brasileiro. Em seu filme você usa várias imagens simbólicas que beiram o Surrealismo. Me pareceu que você queria passar, de fato, a linguagem poética para a tela. Como você lida com a conexão literatura, não falo de roteiro, e cinema?"

Caro Cláudio, gostaria de me deter no próprio filme citado na pergunta e acho que assim melhor eu poderei lhe responder. Ou não!

Poema no cinema, cine-poesia, cinema na poesia. Tudo, enfim, tem a ver como os versos, textos e cartas fruem e se fazem voz, epiderme, movimento, tato e "olfato" fotográficos, através da linguagem desviante encontrada para o discurso fílmico. Todo ele uma construção audiovisual que se precisa indissociável para funcionar. Na verdade, uma linguagem antes de tudo a contrapelo do cinema clonado de Hollywood e das telenovelas. A desmetaforização, portanto, vai se dar através da visibilidade pura e simples, que é a própria definição do cinema. Enquanto esse é sinônimo do visível, na literatura impera o invisível. Tudo o que é pensado no roteiro tem que se materializar defronte à câmara, mesmo que continue subtraído ao olhar. No entanto, por exemplo, em "Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro" esse deslocamento ocorre exatamente na formatação dos ambientes (naturais e construídos) e na roupagem que passam ao largo do verismo histórico, para "existirem" na dramatização dos poemas. É a palavra que reina. É a transmutação da poesia em personagem. De versos e estrofes fazendo-se passar por diálogo (quase à moda dos filmes calcados em Shakespeare e dos musicais, mas sem música, apenas com a "orquestração" dos voleios verbais, das inusitadas aliterações – a memória do tantã d`África, dos fonemas e rimas riquíssimos do poeta). Os dados, para não dizer "dardos", estão aí lançados. E, no montar a ilustração cênica e sonora que injeta de pulsão própria os poemas, e no ouvir e ensaiar com os atores, fui orquestrando no próprio set a linguagem de um filme que eu nunca havia visto ou feito antes. Mas, fica a pergunta no ar: o poema no cinema ainda é um poema?

 

 





LUIZ ROBERTO GUEDES (poeta e publicitário paulista) 

1) Por que, Sylvio, esse seu pendor pra roteirizar/dramatizar, "preferencialmente" (?) episódios e eventos da história brasuca e/ou cucaracha?

2) Você acredita em heróis? Você tem heróis?

 

Meu caro poeta, depois de uma vintena de filmes tematizando a história do Brasil e da América Latina, essa pergunta, não por culpa sua (ora direis!), tornou-se recorrente. Confesso que jamais premeditei essa pegada que acabou dominando a minha filmografia. Nunca cheguei a ser um aluno brilhante de história. Intuitivamente, nascido e formado moral e intelectualmente sob a inspiração da cultura européia dos meus pais (mãe, alemã; pai judeu húngaro) e sulista (nascido em Santa Catarina e criado no Paraná), acabei me dando conta, lá pela década de ’60, que rara e ralamente as câmaras do cinema brasileiro se viravam para o Extremo-Sul do país. Ou seja, para os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ainda que neles se identifique um dos gomos mais desfrutáveis para a compreensão anímica da nação, cuja permeabilidade com os nossos vizinhos expõe de maneira gritante o que temos em comum e incomum. Fiquei então e continuo fascinado com essa proximidade e, igualmente, pasmo com o absurdo desconhecimento que temos desse Brasil “portunhol” e imigrante tão abissal e tão misterioso. Um Brasil, caro poeta, que quase sempre tem sua formação telúrica e icônica mantida submersa, quando não segregada e ignorada majoritariamente pela academia e pela historiografia oficial do país. Exemplar é o caso da própria Guerra do Contestado, uma autêntica guerra civil, que durou quatro anos (1912-1916), ocorrida entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, tema de doc de longa-metragem que ora estou preparando para filmar. Um conflito armado e violento, erroneamente comparado a Canudos (ainda que tenha algum parentesco na questão do messianismo), no qual vem à tona a tragédia da posse e da usurpação da terra, e onde são lançados na marra os fundamentos do capitalismo no Brasil e é quando também se inicia a modernização do exército nacional, que ali, inclusive, usa pela primeira vez aviões em operação militar. Heróis!? São todos aqueles poetas que se sabem profetas do imponderável! 








.......................................................................................................


Programa Bitniks - TV Cronópios  |  www.tvcronopios.com.br

O primeiro programa, com o convidado Marcelino Freire, já está no ar!




  Licença Creative Commons

Publicações de um autor no Cronópios
Outras publicações de TV Cronópios no Cronópios.