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20/12/2009 23:07:00
A melodia de José Luís Peixoto



Por Sissa Frota





     Foto: Sissa Frota


 


A luz da manhã não sente os vidros limpos da janela no momento em que os atravessa, pousando depois nas notas de piano que saem da telefonia e flutuam por todo o ar da cozinha”. Assim começa o segundo capítulo de “Cemitério de pianos”, romance de José Luís Peixoto que narra a história de Francisco Lázaro, ou melhor, de ‘Franciscos’ que se sucedem no tempo, como se fossem um a continuação do outro. Essa, impregnada nas palavras, é a música de Peixoto.

Personagens e situações inusitadas marcam os dois primeiros romances do autor: “Nenhum Olhar”, vencedor do Prêmio José Saramago, e “Uma casa na escuridão”, romance que acaba de chegar ao Brasil. Gêmeos siameses unidos por um só dedo, gigantes, diabos casamenteiros, príncipes, heroínas inexistentes e heróis mutilados. De uma surpresa a outra, a atmosfera é de fábula. Nada é o que parece. As cenas se desdobram, os significados se multiplicam.

A linguagem do autor é rica em imagens e tem um ritmo só dele, construído com cuidado, engendrado. Existe cumplicidade entre eles – língua e autor. Realidade e fantasia se confundem. Em tudo o romancista lembra o poeta. José Luís Peixoto escreve poesias desde a adolescência.

Para o autor, escrever um livro é só parte do seu trabalho. É preciso também levar esse livro ao leitor. “Eu acredito que o livro cumpre-se quando ele encontra um leitor que tenha a generosidade de fazê-lo viver. Até lá, ele é um objeto morto. Um livro fechado, um romance numa prateleira, numa estante, é um objeto. Podia não ter sido escrito.” Em parte, é essa crença que leva ao autor a perambular pelo mundo, participando de eventos literários e se encontrando com leitores.

Com o recente lançamento de “Uma casa da escuridão”, seus três romances passam a ser publicados no Brasil. Ainda faltam os livros de poesia, lembrando que um deles – “A casa, a escuridão” – está intimamente ligado a esse último livro.

Além de poesias e romances, José Luís Peixoto também escreve contos, crônicas, peças de teatro, letras de música. É possível acompanhar um pouco do trabalho do autor e das suas andanças pelo mundo pelo blog que ele mantém na homepage da revista Bravo: http://bravonline.abril.com.br/blog/joseluispeixoto/.






Sissa: Como você escolhe seus temas?

José Luís: Eu tenho vindo a reparar que os temas recorrentes no meu trabalho acabam por estar ligados a grandes temas, como a morte, o tempo, o amor. Depois há outros temas que são mais específicos, como a família – todas as relações familiares - e a linguagem. Eu gosto de pensar que a linguagem também é um tema pelo próprio trabalho e pela própria proposta de trabalho que é apresentada nesses textos. Agora, essa foi uma conclusão a que eu vim chegando ao longo do tempo, não foi algo que eu tivesse completa consciência no início. Eu sou o tipo de autor que escrevo depois de ter muito construído aquilo que eu quero escrever. Não vou construindo à medida que vou escrevendo, nem vou descobrindo à medida que vou escrevendo. Eu, normalmente, escolho um tema, ou vários temas, e começo a escrever depois de ter feito uma reflexão grande sobre aquilo que quero escrever. No entanto, esses temas atravessam praticamente todos os meus livros e isso nunca foi programado. Eu acabei de chegar à conclusão, quase que a posteriori, de que eram temas que me diziam muito, porque voltava tantas vezes a eles. Eu não tinha a ideia de que eram tão importantes assim para mim.


Sissa: É possível encontrar no seu trabalho, com certa frequência, referências autobiográficas. Como você lida com isso?

José Luís: Eu concordo com isso, na verdade, isso é a observação de uma realidade. Aliás, em “Cemitério de pianos”, o primeiro capítulo é, literalmente, autobiográfico. Esse primeiro capítulo é a descrição da morte do meu pai, que aconteceu no mesmo dia do nascimento da minha sobrinha. Depois, o romance é todo ficcional, porque eu considero que faz parte da natureza do gênero romance ser ficcional. Mas também essa distinção entre ficção e autobiografia é muito complexa. Na verdade, quando se escreve um livro já se está a tomar uma atitude sempre de ficção sobre a realidade. Os textos autobiográficos não são a realidade, a realidade é outra coisa que nos transcende. Pessoalmente, acredito muito no indivíduo, porque a literatura, sob certo ponto de vista, são dois pensamentos a dialogarem. Aquilo que é individual no autor a dialogar como aquilo que é individual no leitor. John Banville tem uma frase que acho muito curiosa na sua simplicidade: “A única pessoa que nós podemos conhecer desde dentro somos nós próprios”. Nós nunca podemos conhecer os outros desde dentro. E, também, aquilo que eu sinto é que falar sobre coisas que eu conheço e que me aconteceram não é dar nada de extravagante aos outros. É dar aquilo que é importante para mim, mas não é dar alguma coisa que seja fora do humano. Antes, pelo contrário, eu acho que toda gente chora, toda gente grita, toda gente tem pesadelos, toda gente tem orgasmos... São coisas que são humanas. Não há nenhum motivo para ter um pudor exagerado sobre elas. Nessa medida, eu pessoalmente acredito numa arte e numa literatura na qual eu me ponha em causa, na qual eu, depois dela, saia diferente. E isso acontece muito quando se faz esse tipo de literatura autobiográfica, porque o olhar das outras pessoas muda. Mas há uma coisa de que eu tenho consciência: eu não controlo o olhar de outras pessoas, felizmente.


Sissa: Você escreve romances, poesias, peças de teatro, letras de música. Como decide o que irá escrever? Você tem alguma predileção por um gênero ou outro?

José Luís: Eu tenho uma vivência pessoal diferente em cada um desses gêneros. Eu comecei por escrever poesia quando era adolescente, como tantas outras pessoas. Sempre continuei a ler poesia e também a escrever. A poesia manteve sempre esse lugar para mim, que é um lugar quase ‘diarístico’, de diário. Depois, aos poucos, foi surgindo a prosa, com um lugar também próprio, quer seja a prosa do romance ou textos mais curtos como contos e crônicas. Cada um tem o seu lugar e cada um tem a sua função pessoal. Depois, mais tarde, surgiu o teatro e surgiram as letras de canções. Esses gêneros, de certa forma, ajudam-se uns aos outros. Na medida em que com uns eu aprendo coisas que depois acabo por utilizar também nos outros, embora eu saiba que são completamente únicos. Têm características diferentes, mas há alguns aspectos que são partilhados. No entanto, aquilo que mais interessa são os aspectos que são diferentes porque são o que fazem progredir, o que fazem aprender. No caso do teatro em particular, é para mim muito interessante porque me permite trabalhar com outras pessoas. Porque, a solidão, não se pode escapar dela na escrita, mas é bom ter também a opinião de outras pessoas, às vezes partilhar essa responsabilidade com elas. O teatro é, por natureza, um trabalho conjunto, em que o resultado final não depende só do texto, depende de muitas outras coisas. E isso é bom também. Por outro lado, eu não sou capaz de escrever romances seguidos, um atrás do outro, porque eu acredito que, para escrever o que quer que seja, é preciso ter alguma coisa para dizer. Primeiro tenho que saber o que eu quero dizer, o que eu aprendi, o que eu ambiciono, o que eu acredito. E que outra pessoa não pode dizer. Se outra pessoa puder dizer ou se outra pessoa já tiver dito, então não faz sentido. Tem que se acrescentar alguma coisa porque a literatura é também uma área do conhecimento. As pessoas, depois de lerem um romance, espera-se que saibam um pouco mais sobre a vida por pouco que seja. E, nessa medida, não vale a pena fazer aquilo que já foi feito e se tem que respeitar o tempo das pessoas que vão ler. Então é importante que se acredite naquilo que se publica. Por isso eu não consigo terminar um romance e escrever outro. Com 35 anos, três romances, acho que já é bastante.


Sissa: Na sua prosa, a poesia é bastante presente. Você vê relação entre essa forma de expressão e a proximidade que parece existir entre sua vida e a sua obra?

José Luís: Cada poeta constrói o seu conceito de poesia nos poemas que vai escrevendo, por isso, cada um, até mesmo cada leitor de poesia, cada pessoa que tenha algum conhecimento de poesia, tem uma noção diferente daquilo que é ou que deve ser a poesia. Quando eu disse que era diarística, era para mim, não pra toda gente do mundo. Para mim, a poesia é muito literal, no sentido em que a questão autobiográfica coloca-se de uma forma, em alguns pontos, quase que obscena, enquanto diz `eu sou eu`. Mas isso tem a ver com a minha vivência da poesia, não com a vivência de todas as pessoas. Depois, é óbvio, tem de existir um trabalho de linguagem. Não se trata unicamente de sentir. Sentir, todas as pessoas sentem. Depois há umas que se afastam para conseguir obter uma distanciação e uma visão e criar um sistema de linguagem que tente exprimir isso. Mas, é claro, também quem tenta essa distanciação sabe que ela é sempre imperfeita.


Sissa: A metáfora, os símbolos, a representação são elementos bastante fortes em “Nenhum Olhar” e “Uma casa na escuridão”. Nesse sentido, parece haver uma ruptura ou, pelo menos, uma diferenciação em “Cemitério de Pianos”. Você concorda com isso?

José Luís: Eu concordo bastante e até tenho pena que esse aspecto não seja referido mais vezes. Apesar de tudo, sei que existem algumas ligações, ou seja, mesmo entre “Cemitério de pianos” e os outros também se nota que foram escritos pela mesma pessoa. Mas existe, de facto, um afastamento sob essa perspectiva. Isso tem realmente a ver com o facto de que, nesses anos, entre 2004 e 2006, escrevi 3 peças de teatro, desenvolvi muitíssimos projetos em outras áreas da literatura, que não a prosa ou a poesia, e que, eu penso, mudaram bastante a minha visão sobre a escrita e sobre a escrita até do romance. Agora, ruptura acho que seja um pouco forte demais, porque há muitos aspectos em que talvez exista uma continuação. Continua a existir metáforas, embora sejam diferentes. Continua a existir uma série de opções, mas existe realmente uma sensibilidade diferente, acho eu.


Sissa: Como você define sua linguagem?

José Luís: Eu não sei muito bem, tenho muita dificuldade em descrever minha linguagem, porque nós não conseguimos ter um distanciamento da nossa voz, não conseguimos avaliar-nos completamente. Eu acho que há alguns aspectos que formam e dão características únicas à minha linguagem, como o fato de eu ter nascido no Alentejo e de ter lidado sempre com pessoas que têm um vocabulário próprio, expressões próprias e uma forma de utilizar a linguagem também de uma maneira própria. Aqui no Brasil, por exemplo, uma coisa que eu noto muito é o uso criativo da língua. É quase como antes da formatação nas crianças, em que elas, quando têm 4 ou 5 anos, são altamente criativas e, depois, na escola, alguma dessa criatividade perde-se porque é formatada com regras. No Brasil, eu sinto que essa formatação é menor, o que dá lugar a uma criatividade maior por parte de cada falante. Eu gosto de pensar que na minha região também existe um pouco dessa criatividade e que eu também fui um pouco afetado por ela, por parte de pessoas altamente influentes sobre mim, como seja minha mãe, por exemplo. Depois há um ritmo, digamos assim, uma respiração que também faz parte da linguagem, que marca a linguagem de todas as pessoas, e esse ritmo é construído, não sei, pelo nosso pensamento, em primeiro lugar, porque a linguagem é um consequência do pensamento, está ligada a ele. A linguagem não é uma coisa que existe por si só, independente da nossa constituição mental do mundo. Por outro lado, há depois um trabalho consciente da linguagem, que tem a ver com as minhas leituras e tem a ver com os meus conceitos literários, como seja esse aspecto, por exemplo, da pontuação ou de alguns detalhes que eu tento especificar de texto para texto para que esse texto, em particular, possa ter uma textura, uma tonalidade própria.


Sissa: De certo modo, você parece querer subverter ou desafiar o tempo no seu trabalho. Como você trabalha o “tempo” como elemento dos seus textos?

José Luís: O tempo é fundamental. O tempo é tudo. Nós vivemos no tempo como os peixes vivem debaixo d’água. O tempo é o que condiciona a nossa apreciação do mundo. Uma das nossas tarefas é gerir o tempo. Uma das nossas tarefas fundamentais é também perceber qual é a natureza dessa matéria que é o tempo. Os livros, em particular, e a leitura são feitos de tempo. Existe neles o tempo que o leitor entrega a eles. O tempo não é incompreensível, também não é fascinante, mas é uma mistura dessas duas coisas, que é o ser irreversível. Nós não podemos desfazer aquilo que fizemos, não podemos voltar atrás. Nós existimos num presente que está sempre a desfazer-se a nossa passagem. Por isso é importante nós aprendermos o máximo possível e o mais rapidamente possível sobre o tempo. Ter uma ideia sobre o tempo é tão importante quanto ter uma ideia sobre a morte ou sobre deus, que na verdade são duas coisas intimamente ligadas ao tempo, acho eu.


Sissa: Qual é o papel da música e da musicalidade na sua obra?

José Luís: A música é inseparável da escrita, ou seja, ela é inseparável da construção do discurso, na medida em que não pode ser ignorada por quem escreve. Naturalmente que um texto não precisa ser musical, pode ser antimusical, até pode ser conscientemente cacofônico. Mas, se o for, isso irá alterar o seu sentido. E, portanto, acho importante que quem escreva considere esse aspecto para colocá-lo a serviço do seu sentido. O texto tem vários elementos que são elementos também da música, por exemplo o ritmo, que está sempre presente em qualquer texto, até uma lei tem um ritmo, todos os textos têm um ritmo. E eu gosto de pensar que também pode ter uma melodia, às vezes, e uma harmonia de certa maneira também terá - pelo menos, é um dos elementos com os quais se joga, quero dizer, com sua harmonia ou falta de harmonia. Por isso, eu acho que essa questão surge porque, às vezes, houve momentos em que eu procurei justamente uma musicalidade. Mas a musicalidade existe em todos os textos, em todas as pessoas.


Sissa: Você tem uma agenda bastante agitada, viaja com frequência. O que te move?

José Luís: Eu adoro viajar. Viajar é um é um objetivo que eu tenho na vida. Conhecer, ver coisas diferentes, encontrar pessoas diferentes, aprender. E depois, ao mesmo tempo, também tenho muita vontade de levar os meus livros a outras pessoas. Para mim, não é indiferente se um livro meu é lido por 100 pessoas ou por 10 mil pessoas. Eu prefiro sempre que seja lido por 10 mil pessoas. Porque eu acredito que o livro cumpre-se quando ele encontra um leitor que tenha a generosidade de fazê-lo viver. Até lá, ele é um objeto morto. Um livro fechado, um romance numa prateleira, numa estante é um objeto. Podia não ter sido escrito. E, nesse medida, eu gosto de tentar fazer aquilo que eu possa por esses livros que eu escrevi, tentar levá-los às pessoas. Às vezes, assim, nos contextos das viagens, tentar levá-los a pessoas que não são até as mais óbvias, porque não são as pessoas com as quais a minha vida se cruzaria. Como todas as situações, essa escolha tem lados positivos e lados negativos, traz coisas boas e traz coisas menos boas. É sempre assim, com tudo. E eu pretendo viver com elas, com as boas e com as menos boas. Mas sabendo que é um privilégio e também entendendo aquilo que eu faço como algo que se divide em dois, não de uma maneira muito rígida, mas que se divide em dois, que é o momento de escrever e o momento de tentar levar aquilo que eu escrevo a outras pessoas, que eu considero como uma extensão do momento de escrever.


Sissa: Você se considera uma pessoa otimista?

José Luís: Eu considero-me otimista a longo prazo e pessimista a curto prazo. Vejo muitas coisas erradas no mundo, coisas que se mantêm assim há séculos. Maneiras de agir, maneiras de pensar, maneiras de ver os outros, que não mudam há séculos. Se eu pensar nas guerras, por exemplo. Enquanto nós estamos aqui, há pessoas a envolver todos os esforços possíveis para matarem outras. Por isso eu sou um pouco pessimista a curto prazo. Não vejo que essa mudança vá acontecer durante a minha vida; que as pessoas que têm mais percebam que há, ao lado, outras que não tem nada e que não se limitem a olhar para o lado e a fingir que não viram. Mas, ao mesmo tempo, também acredito no ser humano, porque vejo o grande número de realizações que foram feitas neste mesmo espaço de tempo. E sinto que, de alguma forma, o ser humano está a avançar e a evoluir para alguma coisa melhor. Acredito que, sob aspectos até que ultrapassam o meramente tecnológico, estamos melhor e mais conscientes de nós e dos outros do que estávamos anos atrás.


Sissa: No seu romance “Uma casa na escuridão”, há um capítulo intitulado ‘O amor é impossível’. Você acredita nisso?

José Luís: O amor romântico, em que duas pessoas se encontram e ficam felizes para sempre, não considero que seja possível. Até porque não considero que o que quer que seja seja possível para sempre. Só a morte e o silêncio é que são possíveis para sempre. Mesmo o silêncio não, só a morte mesmo. Mas nós temos dificuldade de entender, porque não concebemos esse infinito, essa suspensão. O absoluto não faz parte das coisas que os seres humanos são capazes de apreender.Mas a palavra amor serve para designar um número muito alargado de coisas, ou seja, nem todos os amores são impossíveis. Refiro-me a esse amor em que há quase uma espécie de suspensão, as pessoas o atingem e ficam nele. Isso não acontece porque nada é assim. Não há nada que se atinja e que depois fique num estado de suspensão absoluta. Normalmente, quando se atinge alguma coisa, começa-se a olhar para as outras coisas todas que não se têm. Porque há muitas coisas que não se têm. Mas a existência do amor é possível. Existir, no momento, algo que se chama amor, eu acredito que é possível. Também me parece que não é por ser impossível que devemos deixar de procurar. Porque há muitas coisas que não são fáceis ou que até podemos, talvez, considerar impossíveis, como a liberdade, a paz, mas não é por isso que as deixamos de procurar ou que as deixamos de ter como horizonte.




Eu acho que a língua portuguesa é uma língua privilegiada sob o ponto de vista das possibilidades que oferece. É uma língua bastante plástica, que permite experimentação, que permite muitas possibilidades que ainda estão aí para serem experimentadas.”

A língua que nós falamos em Portugal, no Brasil, em Moçambique, em Cabo Verde é a mesma. É a mesma língua. Têm especificidades, mas essas especificidades são a sua riqueza. Não são um fator de separação, são fator de riqueza da própria língua.”

Não tenho grande posição sobre o acordo ortográfico. Eu acho até que tenho a posição majoritária dentro da sociedade, que é a de não me interessar muito por essa discussão. Acho que é uma discussão vazia de entusiasmo.”

Acho que as grandes questões da língua e as grandes questões da linguagem estão completamente à margem dessas minudências ortográficas. Com ou sem ‘c’ antes do ‘t’, com ou sem trema, o mundo e a forma de o dizer continuará a ser o grande desafio para quem escreve e para quem lê e para quem se interessa por saber mais.”




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Por onde começar: “Cemitério de Pianos”, Ed. Record, 2008

O autor por ele mesmo: trecho de abertura de “Morreste-me”, Ed. Quetzal, 8ª edição, Lisboa, 2009

Herberto Helder, por José Luís Peixoto: poema Súmula, de Herberto Helder




 

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Sissa Frota (São Paulo-SP). Graduada em jornalismo, pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, e em direito, pela PUC-SP, com pós-graduação em comunicação empresarial pela ESPM. Blog: http://literaturaecafe.wordpress.com  E-mail: sissa.frota@gmail.com

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