Café Literário Cronópios

Estranha beleza
por Luis Garcia





 
Coluna:
UM OUTRO EXERCÍCIO ESTÉTICO
José Aloise Bahia


Lorenzato, moderno e popular
por José Aloise Bahia




Série Lead: microcontos poéticos
por José Aloise Bahia




Duchamp, ela faz 100 anos
por José Aloise Bahia




Texturas breves
por José Aloise Bahia




Imagem mínima 3
por José Aloise Bahia




Grito singular
por José Aloise Bahia




Para Wislawa Szymborska
por José Aloise Bahia




SÉRIE LABIRINTITE: homenagem ao Chico Alvim
por José Aloise Bahia




Luiz Zerbini: contemporâneo
por José Aloise Bahia




Fruto da revolta
por José Aloise Bahia




O modernismo de J. Carlos
por José Aloise Bahia




Exposição virtual: Hogenério, Universo Pop
por José Aloise Bahia




Fragmentação e Montagem
por José Aloise Bahia




A photo
por José Aloise Bahia




O homem visível
por José Aloise Bahia







 


Carlos Emílio C. Lima


Marcelo Tápia


Bráulio Tavares


José Aloise Bahia


Jussara Salazar


Glauco Mattoso


Solange Rebuzzi


MEZANINO


Gustavo Dourado


Paula Valéria Andrade


Caetano Waldrigues Galindo


Eliana Pougy


Ray Silveira


Maria José Silveira


Maurício Paroni de Castro


Jair Cortés


Guido Bilharinho


Italo Moriconi


Antonio Maura


Abreu Paxe


Gonzalo Aguilar


Amador Ribeiro Neto


Leda Tenório da Motta


Frederico Füllgraf


Mathilda Kóvak


Marcelo Barbão


Alfredo Suppia


Artur Matuck
09/04/2011 14:52:00 
Exposição virtual: Hogenério, Universo Pop


Por José Aloise Bahia




                           Hogenério - foto de Toninho Almada


A nova figuração brasileira de Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Antonio Dias, Cláudio Tossi, Wesley Duke Lee, Wanda Pimentel, Raymundo Collares e Nelson Leirner têm algo em comum com Hogenério!? Mantêm os intercâmbios necessários, usam elementos gráficos - como as histórias em quadrinho e páginas de jornal - e a apropriação do Pop, semelhante a Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Claes Oldenburg, Peter Blake e Roy Fox Lichtenstein, para criar a ilusão representativa, alertar o espectador e mostrar que, por trás de cada traço, há uma crítica aos desvios do tempo.

Se por um lado a vertente brasileira estava imersa numa atmosfera histórica e política nebulosa da década de 1960, Warhol & Cia., ao romperem com a sacralizada divisão entre arte culta e arte menor - crítica sobre a cultura do século 20 - legitimaram o movimento ao abrir caminhos para uma certa democratização e reflexão sobre a massificação, o consumo, a arte como objeto de consumo das imagens e produtos.

Hogenério dialoga e brinca incessantemente com esta vertente que vem de AW & Cia., Marilyn Monroe, Elvis Presley, Branca de Neve, Carmem Miranda, Coca-Cola, Chacrinha e o beijo do cinema. São asas na imaginação do artista. Suas pinceladas simbólicas, cores vivas e contornos põem a nu os mecanismos de ilusão da indústria do espetáculo. Os personagens da sociedade são brinquedos imagéticos numa serialidade que chama a atenção pelo impacto ampliado e questionamentos de uma geração que levou a sério - muitos ainda levam - seus ídolos, sejam da infância, juventude e até mesmo da maturidade.

A recriação de imagens e lembranças, a partir de uma garrafa de Coca-Cola e super-stars, produzem mudanças de sentidos e a produção de significados que, conscientemente, exercem o seu fascínio, subversão e provocam em qualquer cidadão da Aldeia Global, o delírio e a possibilidade latente de recolocar ou rejeitar qualquer tentativa que converge para a espetacularização.

O espetáculo, já falava Guy Debord, consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa para transmitir a sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. Hogenério enfatiza, através da arte, uma manifestação oposta. De maneira crítica, apresenta os contrastes e aparências para que todos fiquem alertas sobre os enganos. Todavia, a Pop Art nas contemporaneidades, ainda é um terreno fértil para críticas. Entretanto, indo um pouco além, atire a primeira pedra aquele que nunca viu a imagem ou não se encanta com a musicalidade de um Elvis, a beleza de uma Marilyn e a criatividade do Chacrinha. [José Aloise Bahia, Belo Horizonte, MG, Brasil, jornalista, escritor, ensaísta, pesquisador, curador, colecionador e crítico de artes plásticas e literatura]




          Marilyn and Coke | Interferência sobre papel | 40x30cm | 2010





                  Carmem Miranda | Acrílica sobre Caixa | 20x16 cm | 2001 
                                                                          Coleção Particular



              One More Kis Dear | Acrílica sobre Papel | 80x100 cm | 2009




                             Passaporte para o Japão | Técnica Mista 
                   Pintura e Bordado sobre Papel  | 51x40 cm | 2009






               Prontas para o Abate | Acrílica sobre Papel | 80x50 cm | 2009
                                                                              Coleção Particular





                    White in Red | Acrílica sobre Papel | 80x50 cm | 2009





                        Chacrinha
| Acrílica sobre Caixa | 21x17 cm | 2002
                                                                    Coleção Particular






                    Elvis (The Faces)
| Óleo sobre Tela | 65x15 cm | 2010





                    Beijos (Zéfiro) | Acrílica sobre Papel | 80x35 cm | 2010






                       La Miranda | Acrílica sobre Tela | 65x37 cm | 2009





                  Warhol Love Love
| Acrílica sobre MDF | 50x40 cm | 2010






         Quem Não Comunica... | Acrílica sobre Papel | 53x36 cm | 2009
                                                                             Coleção Particular



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Hogenério (Belo Horizonte/MG). Artista plástico autodidata. Em mais de 20 anos de carreira, realizou várias exposições individuais e coletivas. Destaque para as coletivas: Mostra 5 Anos, Grupo VHIVER, Associação Mineira de Imprensa, BH, MG, 1997; Vibez Brasil, Centro de Cultura Belo Horizonte, BH, MG, 1998; 3ª. Mostra do CRAV, BH, MG, 1999; Mostra do Gabinete de Arte e Lançamento do Catálogo, Museu Abílio Barreto, BH, MG, 2000; Coletiva Natal, Quadrum Galeria de Arte, BH, MG, 2001; Vitória Pró-Underground, Fábrica 747, Vitória, ES, 2002; Uma Viagem de 450 Anos, SESC Pompéia, São Paulo, SP, 2004; 7ª. Mostra João Turim de Arte Tridimensional, Curitiba, PR, 2005; Casa Cor, BH, MG, 2007 e Bienal de Arte do Triângulo, Uberlândia, MG, 2007. Principais individuais: Personalidade com uma Visão Pop Arte, Espaço Agora, BH, MG, 1994; Wearable Art by Hogenério, Galeria do Mercado da Lagoinha, BH, MG, 1998; O Beijo, Galeria de Arte Sesiminas, BH, MG, 2002; Batman 65 anos, Livraria Saramago da Faculdade Estácio de Sá, BH, MG, 2004; Super Heroes, Uberlândia, MG, 2008; Sagrado Coração ou Tráfico de Órgãos, Galeria de Arte da Copasa, BH, MG, 2008; Universo Pop, Galeria Guimarães Rosa, Câmara dos Vereadores de BH, MG, 2010. Prêmio FCU (Fundação Cultural de Uberaba), Uberaba, MG, 2004 e Prêmio pela exposição Super Heroes, Uberlândia, MG, 2008. E-Mail: hogenerio@hotmail.com

 


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José Aloise Bahia
(Belo Horizonte/MG). Jornalista, escritor, pesquisador, ensaísta, colecionador e crítico de artes plásticas e literatura. Estudou Economia (UFMG). Graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios curtos (Belo Horizonte: Anomelivros, 2004). Participa das antologias O achamento de Portugal (Lisboa: Fundação Camões/Belo Horizonte: Anomelivros, 2005) e H2HORAS (São Paulo: Cronópios/Dulcinéia Catadora, 2010), dos livros Pequenos milagres e outras histórias (Belo Horizonte: Editoras Autêntica e PUC-Minas, 2007), Folhas verdes (Belo Horizonte: Edições A Tela e o Texto, FALE/UFMG, 2008) e Poemas que latem ao coração! (São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2009). E-mail: josealoise@terra.com.br 

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