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29/11/2011 14:46:00
Augusto de Campos: poeta, poeta, poeta e poeta



Por Omar Khouri



                         Augusto de Campos - foto: Omar Khouri (janeiro de 2011)


Poesia: afazer de afasia. 
Augusto de Campos

- Ah! Você se refere a Augusto, o mais amado dos concretistas… é, sim, irmão de Haroldo: são os “irmãos siamesmos”!
Dr. Ângelo Monaqueu, em sala-de-aula, a um aluno que havia indagado sobre possível parentesco entre Augusto e Haroldo de Campos.

[A poesia] É o meu “a-fazer” predileto. A arte faz parte do ar que respiro. E a poesia, a arte em que consigo me expressar. Mas é talvez a mais difícil das artes, embora pareça a mais fácil.
Augusto de Campos


       Naquele novembro de 1974, noite chuvosa, eu saía da residência de Augusto de Campos – com quem havia feito contato telefônico, tendo simplesmente obtido o número na lista da cidade de São Paulo – muito feliz e por vários motivos: o de ter sido recebido por ele, que já se me configurava como um mito vivo – vivíssimo e em meio a uma produção bastante inventiva nos seus 43 anos e meio de idade – por ter tido uma longa conversa em que, além de informações preciosas que me dava sobre a produção mais experimental que havia no Brasil e também fora, abordou o meu primeiro livro, feito semiartesanalmente e apontou-me, de cara, o que nele havia de melhor (era pouco, mas era muito vindo dele) – em verdade, o título era interessante: Jogos e fazimentos, e mais duas ou três peças dele constantes, e foi justamente sobre as mesmas que o poeta discorreu respeitosamente. Naquela época, era tão difícil encontrar qualquer material publicado sobre a Poesia Concreta e, dias antes da visita – eu já havia levado até à sua casa exemplares do meu livro, que seriam para ele e para o irmão Haroldo de Campos (que soube depois, por um amigo, que havia se referido ao livrinho como sendo “aresta e seda”) – ele me havia indicado um único título existente no mercado e era o volume 6 de Poetas do Modernismo, do MEC-INL, o qual trazia um capítulo sobre a Poesia Concreta (AZEVEDO FILHO org. 1972: 125-201). Em meio a outras correntes e autores, além de um estudo introdutório feito a duas cabeças e quatro mãos, por Augusto e Haroldo de Campos, havia uma antologia de poemas concretos com comentários sucintos e esclarecedores sobre os mesmos. Adquiri-o prontamente e devorei o capítulo dos concretos. À época, tendo retornado a Pirajuí depois de cursar História na USP, vinha a São Paulo semanalmente em função de uma disciplina que ainda cursava na Faculdade de Educação para obter a minha Licenciatura, pois o título de Bacharel em História, já havia obtido no ano anterior. Uma outra coisa: Augusto me disse, na conversa telefônica que tivemos antes da referida visita, que seria lançada logo mais, no Anhembi, na “Feira da Bahia”, uma revista que vinha da terra de Caetano, Gil, Gal e que se chamava Código e era das boas coisas que estavam acontecendo no País em termos de publicação de poesia. Fui à Feira e adquiri Bahia-Invenção, Pólem, mas lá não estava a Código (pelo menos, não a encontrei naquele momento). Bem, mas dessa primeira ida à casa de Augusto de Campos saí com a Código nº 1 (que seria uma das inspirações de Artéria 1), alguns endereços – inclusive o de Edgard Braga, de quem vim a ficar amigo – e obras poéticas: publicações auto-financiadas de Augusto: o Viva vaia em edição autônoma, Equivocábulos, Colidouescapo e algumas outras de outros poetas. Uma coisa que Augusto me disse e que marcou: “Você escolheu um caminho difícil, o da experimentação. Não é simples levar uma tarefa dessas adiante. Você tem consciência disto?” Penso que tinha consciência de minha escolha.

                                                  §

       Como narrei em um ensaio que escrevi há alguns anos sobre as revistas Noigandres e Invenção (KHOURI 2006: 21), tive notícias do Concretismo em várias ocasiões anteriores a esse 1974: no final dos anos 50-início dos 60 (com mais certeza), no Salão Nobre do IEDAP, em Pirajuí, onde foram anunciados bailado e música concretos, e numa palestra (segunda metade dos anos de 1960) em que o palestrante mostrou Invenção 5, que havia acabado de sair e, um pouco mais tarde, com o Contracomunicação, de Décio Pignatari, em que o autor, na “Teoria da Guerrilha Artística” diz serem as ideias ali expressas, dele, da mesma forma que de Augusto de Campos (Pignatari 1971: 166), no Panaroma do Finnegans wake em que, além dos fragmentos recriados de James Joyce, pude apreciar a magnífica transcriação feita por Augusto de Campos do “Jabberwocky” / “Jaguadarte”, de Lewis Carroll (A. de CAMPOS e H. de CAMPOS 1971: 103). Parecia, de fato, poema criado originalmente em português e por um grande poeta! Na época da visita, já havia criado, com Paulo Miranda, a Nomuque Edições, que editou meu primeiro livro, além de dois poemas autônomos, e pensava em fazer uma revista que seria Artéria: nome tão sugestivo! Também, já havia entrado em contato com os irmãos Figueiredo: Luiz Antônio, Carlos e Zéluiz, de Presidente Alves – cidade vizinha de Pirajuí – jovens criadores muito bem informados no campo das Artes, que teriam um papel importante em discussões e na realização de alguns projetos poéticos, assim como com Décio Pignatari, que prometeu colaboração para Artéria. Augusto se comprometeu a colaborar com a publicação, seguido por Haroldo de Campos, publicação que, de qualquer forma (ou mesmo que “apesar de”), acabou saindo e saiu bem. Muitos outros encontros teríamos nesses mais de 35 anos de conhecimento e amizade.

                                                    §

       Augusto Luiz Browne de Campos foi dado à luz na cidade de São Paulo, em 14 de fevereiro de 1931, filho de Eurico de Campos e Elvira Almeida Prado Browne de Campos. Nascido um ano e meio depois de Haroldo Eurico Browne de Campos, irmão com quem pôde compartilhar o gosto pelos estudos e pela Poesia: leitura e elaboração. Então, imagina-se como seria aquela casa, em que a inteligência, somada ao talento dos filhos, deveria emprestar-lhe toda uma singularidade. Porém, além de cultivarem talento e inteligência, os meninos adoravam futebol, o qual praticavam na rua, já nas Perdizes. Augusto – que chegou a ter aulas particulares de piano, durante cerca de um ano e meio, com uma professora – estudou no Colégio São Bento e cursou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, o que lhe deu acesso a trabalhos relacionados a leis etc, mas foi como consultor jurídico do Estado de São Paulo que se ocupou durante décadas. No entanto, sempre se considerou essencialmente poeta: se algum importante papel ele viesse a ter nessa sociedade, seria como poeta. Mesmo assim, o envolvimento com coisas à primeira vista áridas, como estudo da Legislação e redação de caráter jurídico, não o deixaram infeliz, pois se desincumbia das tarefas profissionais com desenvoltura, dada a sua grande capacidade de leitura e redação, coisas que lhe eram exigidas no trabalho. Propôs-se, porém, a jamais levar tarefas da Assessoria para fazer em casa. Por outro lado, nunca representou o papel (o gênero) “vida de artista” por ser poeta, mas via-se como um ser comum, muito embora, como produtor de linguagem, fizesse coisas incomuns. Amante de leituras, assim como Haroldo, formaram uma biblioteca comum, desfeita quando o irmão se casou: tiveram de repartir fraternalmente o acervo e recompô-lo aos poucos naquilo que havia ficado com o outro. (O trio Noigandres se encaminhou para os enlaces matrimoniais, todos no mesmo ano de 1954, com pouca diferença de tempo: primeiro, Décio Pignatari, a seguir, Haroldo de Campos e, pouco depois, Augusto, com a carioca Lygia de Azeredo, que conhecera no Rio de Janeiro, a propósito de poesia.) Augusto, diferentemente de Décio e Haroldo, não desejou exercer a Docência em alguma universidade paulistana, muito embora tivesse sido cogitado para isto em diversas ocasiões: certamente teria sido um grande mestre na Pós-Graduação da PUC-SP, onde estiveram seus companheiros de aventura poética e teórica. Antenado com as coisas das Artes que o Ocidente produzia, cuidou de colocar seus serviços poéticos em prol da Humanidade e, estando, portanto, sempre em dia com o que acontecia aqui e fora, estudava o passado da criação universal e atentava para valores recém-recuperados em termos de experimentação artística e para valores recuperáveis, e até chegou a recuperar alguns deles, e aí é que entrou em campo a ensaística e o hercúleo trabalho de tradução de autores, que viriam a compor um Paideuma, paideuma como entendia o poeta Ezra Pound (um conjunto mínimo de poemas, com o máximo de informação poética, visando a facilitar o trabalho das novas gerações). Viajou algumas vezes para a Europa, Estados Unidos e alguns outros países americanos, mas não chegou a se ausentar do Brasil por longos períodos. Sua única incursão no campo da Docência aconteceu nos EUA, em 1971, quando, convidado, deu cursos que envolviam o nosso Barroco poético e Sousândrade. Isto não quer dizer que não tenha ensinado, o que fez pessoalmente, recebendo pessoas e divulgando a arte mais experimental de qualquer tempo, assim como por meio de um trabalho metalinguístico que, embora de altíssimo nível, possuía um caráter didático, possibilitando uma leitura fluente, porém, com pedras disseminadas pelo caminho.

                                                    §

       Desenhista desde muito cedo, com cometimentos que eram objeto de barganha entre os da família, cedo também aparece o poeta que, em fins dos anos de 1940, se define com firmeza e grandeza, época em que, além do irmão, também um artista da palavra, encontra Décio Pignatari na Faculdade de Direito e a propósito da Poesia – da amizade e discussões, e tendo publicado seus primeiros livros de poemas: Décio e Haroldo em 1950, respectivamente, O carrossel e Auto do possesso e Augusto O rei menos o reino (1951) – vêm a formar o grupo Noigandres em 1952, consolidado com a publicação do nº 1 da revista Noigandres, que duraria, ainda, mais 4 números (até 1962, época em que já havia sido lançada a revista Invenção, que sucedeu a página “Invenção”, veiculada no Correio Paulistano). É de 1953 a série Poetamenos, composta de 6 poemas + um texto-manifesto introdutório. As cores: de duas a seis, entravam na composição dos poemas como elementos de ordem estrutural: eram uma espécie de tradução intersemiótica da “melodiadetimbres” do músico austríaco Anton von Webern e indicavam, portanto, diferentes timbres vocais: os poemas não só eram oralizáveis como foram oralizados ainda nos anos de 1950, contrariando opiniões que viam ali uma impossibilidade. Os poemas circularam em cópias feitas com carbonos coloridos e vieram a concorrer, em 1954, na cidade de São Paulo, ao Prêmio Mário de Andrade, mas não chegaram à fase final. O conjunto de poemas só pôde ser publicado integralmente e pelo processo tipográfico de impressão, em 1955, no nº 2 da revista Noigandres. Nesse mesmo ano é que Augusto sugere o nome Poesia Concreta àquela que vinham fazendo, considerando que já havia uma Arte e uma Música concretas e a denominação proposta foi aceita pelo poeta suíço-boliviano radicado na Alemanha, Eugen Gomringer, que desenvolvia pesquisa poética semelhante e que havia entrado em contato com Décio Pignatari, em viagem pela Europa, 1954-56 - veja-se trecho de carta de Gomringer para Pignatari, 30.08.1956 (A. de CAMPOS et alii 2006: 261-262). Esse conjunto de poemas, Poetamenos – Augusto de Campos aos 22 anos! – já garantiria ao poeta um lugar especial entre os grandes criadores do século XX. É claro que há antecedentes, até além de Blaise Cendrars, no uso de cor em textos artísticos, porém, o elemento-cor na referida série (que acabou sendo considerada o primeiro conjunto sistemático de poemas concretos) assume uma função, de fato, estrutural. Nem o poeta, no território da cor, superaria seu próprio feito.

                                                    §

       Arte é forma. Todas as artes, se Artes, têm a forma como ponto fulcral. O termo “formalista” não deveria ser utilizado de maneira pejorativa, nem deveria, talvez, ser utilizado para qualificar alguém: se é artista, privilegia, necessariamente, a FORMA. Quando Jakobson expõe a sua teoria (ele que foi um formalista histórico) – num trabalho primoroso, em que trata das funções da linguagem, com vistas à Função Poética – sobre o que faz de uma mensagem verbal uma obra de arte, ou seja, Poesia, explica-a pela paradigmatização do sintagma, o que significa que há, na Função Poética, uma prevalência da forma. O que se deve tirar daí é que a prevalência da forma implica uma potencialização semântica e é assim que as obras de arte atravessam séculos, provocando, ainda, interesse, e é isto que mantém o frescor de uma obra através dos tempos, para ficarmos com Eliot e Pound. Jakobson – e o texto referido é o “Linguística e poética” (JAKOBSON 1974: 118-162), último grande texto teórico que roça o âmago da Poesia e um dos dez grandes textos que tratam da Poética, desde Aristóteles – considera Poesia a arte da palavra, por excelência, e a poesia por ele considerada é a poesia-verso. Porém, seu texto não só ultrapassa o universo do verbal, como apresenta alguma validade para a consideração da poesia-sem-versos e da que adentra o mundo das fusões de códigos.

                                                  §

       Há momentos em que se tem de ser radical ao extremo, muito embora essa radicalidade possa vir a acompanhar um artista sempre e sempre. Sem radicalidade não se chega a grandes coisas. Passado o tempo, certas posições podem parecer excessivas, exageradas, ou até roçar o limite da impossibilidade, mas o importante é ter as ideias e levar adiante projetos. Somente assim é que se chega a conquistas significativas. Opta-se por uma linha de conduta artística e todo o resto é refugado. Deixa-se para depois o tempo da sabedoria: o de ver a qualidade onde quer que ela esteja.

                                                    §

       Tendo a Poesia como ponto central de sua atividade artística, Augusto de Campos dedicou-se, ainda, desde muito cedo, a inúmeras tarefas a ela relacionadas. No âmbito do poético, propriamente, entra como coinventor da Poesia Concreta, que se originou a partir de muito estudo, leituras, discussões, exercício metalinguístico escrito, tradução-recriação de poemas para o português – tudo isto norteado por ambição artística e intelectual. A Poesia Concreta nasceu dentro do processo Noigandres – Grupo e Revista – em meados dos anos de 1950. O exercício poético de Augusto de Campos, propriamente: raro e ininterrupto – dos versos de fins dos anos 40-inícios dos 50 aos poemas coloridos, passando pelos popcretos e adentrando o universo da tipomorfia e das novas tecnologias.

                                                    §


                       Augusto de Campos - foto: Omar Khouri (janeiro de 2011)

       O trabalho de Augusto de Campos como tradutor de poesia se insere num projeto a um só tempo individual e coletivo: ao mesmo tempo em que responde a necessidades do grupo Noigandres de construir um corpus significativo da melhor poesia universal, em português, atendia a necessidades pessoais do poeta: estudo e (re-)criação de poemas. Para os concretos, a tradução de Poesia sempre foi uma categoria da criação (e o exemplo-Pound entra, aí, com muita força), sendo o tradutor também poeta: o poeta do poeta. O texto traduzido autônomo e recíproco: ele-mesmo uma obra de arte e trazendo consigo a memória do original que o motivou. Tradução: re-criação ou transcriação, criação da criação, uma meta-criação. Haroldo de Campos, que muito se ocupou também da teoria da tradução do texto poético, acabou sendo o nosso maior teórico da tradução de Poesia (H. de CAMPOS 1970: 21-38, e 1989: 82-95). A grande questão na tradução de poemas: encontrar equivalências morfo-semânticas na nova língua. Augusto passou a falar em tradução-arte, simplesmente, e acabou resumindo a questão em: de grandes versos no idioma original têm de resultar grandes versos em português. Isto significa que, além do conhecimento dos idiomas em questão, é preciso dominar a tecnologia do verso e possuir sensibilidade, que entra como componente da dialética de todo e qualquer processo artístico. Nem sempre tudo isso basta – é preciso um momento especial para encontrar soluções plausíveis para uma determinada peça ou para uma passagem especial do poema (Haroldo fala, em vários momentos, na “lei da compensação” a acompanhar o tradutor de poesia: o que se perde numa passagem, ganha-se noutra, ideia, esta, compartilhada por Augusto e por outros tradutores-recriadores). Disse-me, certa vez, ao telefone, Augusto de Campos, quando eu discorria sobre a excelência de uma sua tradução: “Conhecimento de idiomas e tarimba, no ofício de tradutor de poesia, ou seja, domínio técnico, são muito importantes, porém, num certo momento é necessária a interferência dos deuses. Ou nada feito!” É óbvio que o poeta se referia à inspiração que, de fato existe, e que nada mais é, como já disse um outro poeta, que um momento de extrema facilidade em que tudo colabora para que a coisa aconteça. Um outro ponto importante no trabalho do Augusto-tradutor-de-poesia é o fato de ele traduzir somente o que é de seu agrado (o que não exclui algum pedido interessante de amigo – ele o toma como um desafio). Dos idiomas que conhecia, ampliou o leque, aprendendo outros, conseguindo feitos excepcionais, como o de fazer com que grandes poetas de outras realidades idiomáticas fossem grandes poetas também em português. Trabalhou poemas de Arnaut Daniel (e doutros tantos provençais), Dante, Donne, Mallarmé, Pound, Cummings, Maiakóvski e muitos mais. E este é um trabalho ainda em processo. Suas traduções colocam-se entre as grandes peças produzidas originalmente em português, ou seja, acabaram por ser incorporadas ao acervo poético de nosso idioma (pelo menos por parte da crítica mais inteligente e sensível de que dispomos). E, mesmo permanecendo rigoroso, passou a reconsiderar posições e a procurar a qualidade onde quer que estivesse. “Uma das poucas vantagens da longevidade é a de poder reconfigurar conceitos e preconceitos, uma disposição que me fez reconciliar-me com poetas aparentemente tão distantes dos meus projetos juvenis de poesia, como Rilke e Byron, por exemplo. Considero um privilégio ter sobrevivido para reavaliá-los como merecem, e dedicar-me, apaixonadamente, a verter exemplos de suas obras mais inventivas para nossa língua, sob a perspectiva da crítica criativa, da crítica-via-tradução” (A. de CAMPOS 2009: 9). Seu trabalho de tradutor-recriador junta-se ao do irmão Haroldo, ao de Décio Pignatari e ao de alguns outros poucos, formando um corpus já considerável no universo da transcriação no mundo lusófono. Revelar-recuperar valores poéticos, assim como divulgá-los, foi também projeto que Augusto fez em equipe ou individualmente, tendo trazido à visibilidade certos criadores que eram até conhecidos, mas que foram, a partir de então, mostrados em sua grandeza. Alguns estudos, mesmo envolvendo figuras internacionais, foram muito importantes principalmente para nós brasileiros. Porém, o que de mais relevante houve foi a recuperação de criadores de suma importância e que, ou haviam sido mal avaliados ou nem haviam passado por isto. Daí, destacaríamos Sousândrade, Pedro Kilkerry, Oswald de Andrade, Pagu, entre outros.

                                                   §

       Habituado ao trabalho em equipe, já que participou de um grupo de vanguarda, naquele sentido clássico de grupo, em que as pessoas se apoiam e comungam das mesmas ideias, renunciando parcial e temporariamente a um projeto de arte individual, em prol do projeto coletivo, do grupo (e o Grupo da Poesia Concreta brasileira foi, talvez, aquele grupo de vanguarda que mais longa duração teve, mesmo experimentando mudanças em seu seio), Augusto realizou obra importante em parceria com o artista plástico espanhol radicado em São Paulo, Julio Plaza. Antes, havia feito projeto com Waldemar Cordeiro – os Popcretos – mas dali resultaram trabalhos individuais que fizeram parte de exposição que teve lugar na Galeria Atrium, no edifício Zarvos, em São Paulo, no ano de 1964. Muito embora volta-e-meia participasse com o irmão Haroldo em projetos de reabilitação de valores poéticos e projetos de tradução, foi com Julio Plaza, nos anos de 1970, que Augusto de Campos realizou importantíssimo trabalho-em-colaboração, que conta para as artes-gráficas-plásticas-poéticas do País. Desse trabalho resultaram três obras que fizeram, à época de sua publicação, a alegria dos aficionados da experimentação artística: Poemóbiles, Caixa preta e Reduchamp. Uma quarta obra seria a leitura grafo-semântico-sonora do “Inferno de Wall Street”, do Canto Décimo do Guesa, de Sousândrade, que ficou nos primeiros estudos, alguns dos quais mostrou-me, na época, Julio Plaza. Poemóbiles (1974): conjunto verbivocovisual e táctil, precedido pelos Objetos serigráficos de Julio Plaza, edição 1969 de Julio Pacello, que já vêm com um poema de Augusto de Campos – “Abre” – tridimensionalizado e cromatizado pelo artista plástico. Caixa preta (1975): inacreditável exposição portátil – comportando interatividade, pois trazia peças a serem montadas pelo leitor-apreciador – de Julio Plaza e Augusto de Campos, portando um disco (compacto simples) em que Caetano Veloso oralizava dois poemas de Augusto. Reduchamp (1976) traz texto de Augusto de Campos com ícones de Julio Plaza – uma bela avaliação/leitura verbal/não-verbal da obra do artista Marcel Duchamp, artista este que mudou a concepção que se tinha de objeto artístico, assim como apontou para a prevalência da ideia na Arte. Outros trabalhos apareceram com algum grau de colaboração entre os dois, tais como diagramação, utilização das novas tecnologias, tecnologias essas muito apreciadas por Augusto de Campos, como já se podia ver no seu texto-manifesto de apresentação do Poetamenos, de 1953. Participação em eventos vários: revistas, exposições de poemas – da holografia, em que teve papel importante Moysés Baumstein, ao videotexto e luminosos computadorizados, laser-poemas etc. Augusto, há mais de duas décadas lida com computador, realizando graficamente seus próprios poemas e livros, utilizando-o como ferramenta e prescindindo, quase sempre, de técnicos - ele estuda e domina os programas a serem utilizados.

                                                  §

       Augusto sempre foi grande divulgador da melhor poesia que se fez e que se faz no Brasil e no Mundo e sempre comunicou com satisfação suas descobertas, nas muitas conversas que tinha com outros poetas e por meio de textos metalinguísticos sobre poesia e música, principalmente, exercendo, verdadeiramente, o papel de docente. Além do universo da música erudita, divulgava a fina-flor da música popular, principalmente do Brasil e dos EUA. No âmbito do erudito, foi o maior divulgador da música de John Cage no Brasil.

                                                 §


  Augusto ao lado da pintora concretista Judith Lauand - foto: Omar Khouri (janeiro de 2011)

       Augusto de Campos, com sua esposa Lygia de Azered o Campos e os filhos Roland e Cid, residiam num apartamento não muito grande, mas confortável, à Rua Bocaina, esquina com a Cardoso de Almeida, Bairro das Perdizes, na Pauliceia. E lá permaneceram durante mais de três décadas, sendo que os meninos foram deixando a casa dos pais por motivo de estudo, trabalho e casamento, donde vieram os netos: por parte de Roland, Raquel e, por parte de Cid, Julie e Theo. Do apartamento da Bocaina (de 1964 a 2001) foram para a Rua Apinagés, onde residem até hoje. O apartamento da Bocaina é memorável, porque corresponde a um tempo em que as coisas aconteciam de modo mais perceptível para mim, muito embora já não se vivesse a época das vanguardas ditas históricas (o que incluiria as dos anos de 1950). Entrava-se no apartamento do 6º andar e dava-se num corredor em cujas paredes se podiam ver quadros, como um de Maurício Nogueira Lima da fase heróica e provas-de-cor emolduradas da capa de Noigandres 1, além de estante com livros e discos. À esquerda uma sala-de-estar com um grande sofá e poltronas, confortabilíssimos + uma mesinha-de-centro circular com tampo de mármore – lugar em que nos reuníamos para longas conversas – que se comunicava com uma sala-de-jantar em que se via uma grande mesa-e-cadeiras e um piano, às vezes, utilizado por Eurico de Campos, pai de Augusto, compositor, que vi tocar-cantar inúmeras vezes em casa de Samira Chalhub e João Jorge Rosa Filho, seus amigos. Nas paredes (que, ao longo de décadas apresentaram pouca variação), trabalhos incríveis dos amigos e doutros, como Volpi, Sacilotto, Ubirajara Ribeiro, Judith Lauand, Geraldo de Barros, Orlando Marcucci, Hermelindo Fiaminghi, Regina Silveira e alguns objetos, como trabalho de Regina Vater, aos quais, com o tempo, juntaram-se outros, destacando-se o poema-objeto de John Cage em lâminas de acrílico com inscrições que se entrecruzavam dada aquela transparência. Acima do piano-armário, pinturas do pai de Augusto, que vieram a substituir um cartaz que reproduzia, se não me engano, trabalho de Beardsley – ilustração para a Salomé, de Oscar Wilde. Livros, muitos livros, impecavelmente organizados em estantes. Eram constantes as minhas idas à casa de Augusto e não havia mês em que não ia para um almoço, dos melhores de minha existência, com comidas deliciosas – Lygia contava com uma funcionária, Norayr, que era exímia cozinheira – e as refeições eram regadas a vinho (para os que apreciavam, e não era este o meu caso) e grandes conversas. Geralmente ia até lá com Paulo Miranda. Os meninos, Cid e Roland, raramente apareciam (mais tarde é que vim – eu, muito mais velho que eles – a ter maiores contatos com Roland, físico e poeta e Cid, músico). Para a minha geração, a casa de Augusto de Campos e Lygia de Azeredo Campos representou (talvez, mais ainda) o que representaram para outras gerações as casas paulistanas de Paulo Prado, de Dona Olívia Guedes Penteado, de Mário de Andrade, de Oswald de Andrade-Tarsila do Amaral e menos, talvez, a do Senador Freitas Valle. Com que prazer íamos até lá! Sempre uma conversa enriquecedora: era onde Augusto, pacientemente desempenhava o papel de uma espécie de professor e divulgador de novidades em termos de livros e discos e filmes. Ocasiões em que não éramos apenas ouvintes, mas participávamos da conversa, ocasiões em que não havia uma hierarquia propriamente. (As conversas, às vezes, se estendiam ou se desenvolviam inteiramente em bares, como o Krystal Chopp, na esquina da Rua Cardoso de Almeida com a Dr. Homem de Mello.) Principalmente nos anos 70 e parte dos 80, a disponibilidade de Augusto era grande: ele inflacionava o seu tempo para receber pessoas e deveria ser em 2 ou 3, ou até mesmo 4 dias na semana. O que faz a grandeza de uma casa são os seus habitantes e para receber pessoas é preciso, antes de tudo, disposição para despender um tempo, geralmente grande, para fazer-sala, como ainda se diz. Augusto e Lygia (que às vezes participava da conversa, com observações inteligentes e preciosas: era uma espécie de memória viva de processos importantes que vivenciou com o marido, além da grande sensibilidade que possuía para a Poesia) sempre deixaram seus convidados à vontade, a ponto destes se demorarem em sua casa 4, 5 ou até 6 horas. Depois, como que com um certo remorso, passei a pensar o como e quanto impedíamos o poeta de estar produzindo preciosidades. Mas Augusto, certamente, gostava de possuir interlocutores de gerações diversas: de Paulo Miranda e Paulo Leminski, a Haroldo de Campos e Décio Pignatari, passando por Pedro Xisto e Edgard Braga. Muita gente mais-que-importante passou por aquele apartamento da Bocaina: Caetano Veloso, Tetê Espíndola, Lenora de Barros, José Lino Grünewald, Ronaldo Azeredo, Walter Silveira, Tadeu Jungle, John Cage, entre muitos outros. O apartameto da Rua Bocaina, num sexto andar de um sólido edifício, ficará na História como um grande ponto de reuniões importantes para a Poesia em São Paulo, reuniões que se desenrolaram por muitos e muitos anos.

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       Augusto colaborador de revistas/antologias: sempre disposto e com trabalhos inéditos. Colaborou – e a coisa para poetas, como diz Augusto, é uma espécie de doação-de-sangue – com Artéria, desde o nº 1, sempre com um belo material. Já havia colaborado com Navilouca, Polem, Código (foi um seu poema que acabou dando o nome à revista editada em Salvador-Bahia por Erthos Albino de Souza). O mesmo fez com Poesia em greve, Qorpo Estranho, Zero à Esquerda e tantas outras das publicações que se desenvolviam à margem do sistema editorial brasileiro.

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       O poeta Augusto de Campos viveu muitos senões ao longo dessas décadas ultra-produtivas: não chegou à final do concurso de poesia Mário de Andrade, no ano de 1954 – estava, como já disse, concorrendo ao prêmio com a série Poetamenos. Isto me faz lembrar do Pessoa que, tendo elaborado um dos mais importantes livros de Poesia do século XX – Mensagem – participou de concurso em que lhe foi atribuído um 2º lugar, ele que era, já, hors concours! Punido pela excepcionalidade (que gera incompreensões). Sendo Augusto de Campos coinventor da Poesia Concreta, movimento que veio como portador de uma nova sensibilidade e um novo modo de operar palavras, intersemioticamente, assim como um novo modo de ver Poesia, recebeu muitas pedradas, mas aí já era de se esperar, e o poeta estava preparado para o que desse e viesse e, sempre que achou necessário, respondeu brilhantemente às críticas (bem porque fazia parte de um grupo de grandes poetas e teóricos, que possuíam uma crença inabalável nos trabalhos que estavam a realizar). Diga-se: a Poesia Concreta foi o movimento vanguardista do Brasil que criou com mais vigor inimizades duradouras. O Augusto guerreiro: contra os inimigos declarados, tiros certeiros, sempre que necessário, e contra não-inimigos, mas conservadores que explicitavam sua posição antivanguarda: bordoadas entontecedoras. A Poesia Concreta não era contra o passado, era contra a prática do passado naquele presente, pois, também, nenhum movimento artístico-crítico tratou tão bem o passado (o passado criativo) como o dos poetas concretos. Crítica de inimigos se tira de letra. Tendo sido vetado o seu “Cubagramma” em Invenção 2, por Cassiano Ricardo, o poema foi, assim mesmo, publicado e a velha raposa acabou sendo expurgada da revista. A mais contumaz acusação que sofreu Augusto de Campos (assim como seus companheiros de aventura poética) foi a de ser “formalista”, que é como os que não conseguem inovar taxam os que sabem fazê-lo. Agora, houve críticas por parte da própria Tribo e as coisas quase sempre ficaram dentro dos limites dos grupos mais experimentais-formalistas. Quando da exposição, em 1964, dos Popcretos, com Waldemar Cordeiro, na Galeria Atrium: aquilo seria um equívoco, embora de alto nível, como tudo que procedia de Augusto de Campos ou, antes, quando do “salto participante” de todo o grupo, mostrando que se poderia fazer uma grande poesia engajada, pois se tratava de uma questão de forma. O post scriptum 1961, ao “Plano-Piloto para Poesia Concreta”, em que é citada uma frase do poeta russo Vladímir Maiakóvski, “Sem forma revolucionária, não há arte revolucionária”, chegou a parecer estranho para alguns que vieram bem depois. Problemas de ordem conjuntural, no entanto, justificam tais atitudes. Porém, os admiradores pensavam que os concretistas estavam dando muita importância a seus detratores. De qualquer forma, belos poemas foram produzidos, porque os poetas eram mais que bons. Augusto foi muito criticado, também, por pessoas que o admiravam, quando afirmou que a boa poesia que estava sendo feita encontrava-se na MPB e principalmente com Caetano Veloso, o que fez com que uns o desaprovassem e outros corressem ao encontro daquela manifestação, tentando uma integração com aquele universo que dava popularidade e divulgava o trabalho poético para milhões. De fato, letras de MPB alcançavam um nível considerável e até muita experimentação ali ocorreu, da Bossa Nova a Caetano Veloso e Walter Franco (sem mencionar tudo o que veio depois). O que Augusto fazia, em verdade, era chamar a atenção para o que havia de qualitativo na MPB e que a “poesia tradicional”, ou seja, a poesia em versos que se fazia no País estava quase-sempre aquém da que era produzida (para ser cantada) na MPB. Hoje, com distanciamento e considerando o conjunto da produção de Augusto de Campos, vemos que o seu percurso envolveu conhecimento, empenho e coragem artística e intelectual e que seu trabalho, em certos momentos, estava acima de qualquer julgamento apressado.

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       Augusto de Campos: inventor e mestre. Num balanço geral da atuação de Augusto de Campos no universo da Poesia podemos dizer que foi um inventor, ou melhor, co-inventor de um modo e manteve, ao longo de muitas décadas de produção, o status de mestre, tomados os termos inventor e mestre na acepção poundiana, tal como foi colocada na classificação que o poeta e crítico estadunidense fez dos escritores (poetas, artistas): o primeiro, como alguém que inaugura um modo e o segundo, como quem opera num nível elevadíssimo de poeticidade (POUND 1970: 42-43). Difícil selecionar apenas dez poemas de Augusto de Campos para uma possível amostragem. O possível e recomendável é que se visite a sua obra completa ou quase, que não é tão vasta embora muito densa: Viva vaia, Expoemas (belíssima edição feita pela Entretempo de Omar Guedes Abigalil, artista sensível e, à época, o maior serígrafo do Brasil), Despoesia, Não poemas, Poemóbiles, Caixa Preta, poemas holográficos, gravações em CDs – como Augusto diz bem os próprios poemas e os de outros! “Há quem pense que a visualidade em poesia, tal como a encontramos na atualidade (utilizando recursos poucos, ou alta tecnologia) seja coisa passageira, simples modismo; mas, em verdade, essa visualidade veio para ficar” – disse-me, certa vez, Augusto. Porém, atualmente, nenhuma objeção faz aos aficionados do puro-verbo, só que o nível de exigência de que é portador, é elevadíssimo – nunca foi fácil fazer um bom verso, mas hoje, a coisa é mais difícil ainda: é a prova-dos-nove do candidato a poeta. “Faça outra coisa!” Isto ele disse certa vez a alguém que falou que as conquistas do Concretismo deveriam continuar a ser praticadas. João Cabral de Melo Neto, um dos dois poetas brasileiros citados no ‘Plano-Piloto para Poesia Concreta’ (o outro é Oswald de Andrade, com quem o futuro trio Noigandres havia estado em fins dos anos de 1940), em diversas ocasiões, afirmou ter sido a Poesia Concreta mais importante, em termos de consequências trazidas, do que o Movimento de 22 (o 1º Modernismo). Quando solicitado para dizer algo sobre os poetas mais novos, citou Augusto de Campos, por quem tinha grande admiração. Dedicou o livro Agrestes a Augusto (MELO NETO 1985: 7-10). Contrariando uma observação já bastante antiga de Décio Pignatari, que afirmou que o artista brasileiro decaía depois dos 40 anos de idade e que Volpi (brasileiro nascido em Lucca, Itália) seria uma exceção, Augusto, que já aos 22 elabora série de poemas – Poetamenos – importante para a poesia do Planeta, continua a dar contribuições importantes ao longo de décadas e que chega aos 80 anos em plena atividade e fazendo coisas de um qualitativo apreciável, desdiz a máxima pignatariana. Uma crença inabalável na importância do exercício poético, uma consciência plena das questões que envolvem a linguagem e uma dedicação total aos afazeres da poesia, entendida como irmã das outras artes. Um desejo de compartilhar com todos as suas grandes alegrias de descoberta de obras de outrem e as descobertas a que chegou produzindo obra própria. Uma obra que, em seu conjunto, atingiu uma dimensão tal que acabou por se configurar algo assim como um legado à Humanidade. Um comportamento impecavelmente ético. Tudo isso faz do vivente Augusto de Campos alguém muito especial como produtor de linguagem. Raros poetas/artistas, hoje, no Planeta Terra podem se considerar à altura de um Augusto de Campos. Augusto agora octogenário. Curioso. Produtivo. De fazer inveja a alguns de seus mestres, que chegaram à casa dos 80, mas não com tal disposição. Augusto adentrando com ânimo o século XXI. Poeta!



Fontes

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.ARTÉRIA 1. Pirajuí, Nomuque Edições, 1975.
.BAHIA-INVENÇÃO; anti-antologia de poesia baiana. Salvador, Apro/Gfm Propeg, 1974.
.CÓDIGO 1. Salvador-BA, Ed. Erthos Albino de Souza, 1974.
.NAVILOUCA. Rio de Janeiro, Edições Gernasa, s.d. (1974).
.POLEM 1. Rio de Janeiro, Lidador, 1974.
.Conversas informais e depoimentos de Augusto de Campos ao Autor, pessoalmente, por telefone, por e-mail, em diversas ocasiões, de 1974, até os dias de hoje.


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Omar Khouri é poeta, artista gráfico, professor, promotor de eventos, editor, historiador e crítico de linguagens. Atualmente é Professor Adjunto no Departamento de Artes Plásticas do IA-UNESP, campus de São Paulo. Possui vários livros de poesia publicados, mas tem preferido figurar, com seus poemas e textos críticos, em revistas. É cofundador da Nomuque Edições e coeditor da revista ARTÉRIA. Site: http://www.nomuque.net E-mail: omarckhouri@gmail.com

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