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08/09/2005 22:16:00
Vacas



Por Silas Corrêa Leite












As vacas chegaram

Duras, como a estupidez de tantos texanos broncos

Aqui, tropicalizadas

São ainda assim vacas imagéticas

De gordas tetas anglo-saxônicas

 

Na vacância de nossa arte moreno-tropical

(Estrumes, currais, estábulos)

Importamos vacas e ubres

E demos a nossa cara brasileiríssima

Cifras, grifes, friezas: ferraduras de consumos

 

Vacanizamos a macunaímica arte pau-brasil

Avacalhamos a malazártica cultura local

E todos embasbacados em rodeios de insanidades

Aceitamos o pacote pronto

Kit básico de vacas midiáticas

 

Os seres entre exóticas vacas emboabas

São como pobres reses contemplativas

E as vacas aparecem mais do que as torpes mazelas de origem

Para o open-doping no refil

do povo, gado marcado

 

Hosanas às sagradas vacas apátridas

Viva o histórico estrume babaquara do que elas representam

 

Por descarga de consciência

Serão vendidas e o quantum arrecadado

Doado

Às instituições que tentam substituir o estado neoliberal suspeitamente   falido

Por um insano império do capitalhordismo americanalhado

 





 

Silas Corrêa Leite é poeta, autor de Porta-Lapsos, Editora All-Print.

E-mail: poesilas@terra.com.br  Site: www.itarare.com.br/silas.htm

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