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12/06/2006 19:02:00
Vamos a Berlim, vamos a Berlim .....



Por Sabine Kiefer


 


Logo depois do apito final, os torcedores se reuniram na avenida principal da Colônia. Um mar de bandeiras agitadas, os carros buzinando, os torcedores, maquiados com as cores alemães no rosto, cantando, dançando, como se fosse Carnaval. A cidade se encheu de alegria. A Copa começou! Foi um jogo cheio de emoções que deixa os ousados esperando pelo jogo final.

 

Antes do jogo, o clima foi tenso, no barzinho bem tradicional, onde assisti ao jogo. Fumando um charuto depois do outro e vestido no tricô da nossa seleção, o senhor barrigudo ao meu lado deu umas últimas explicações sobre os sistemas de futebol à sua esposa. Outros discutiram os seus prognósticos. E `a barriga da perna da nação` (do Michael Ballack) ainda foi assunto de briga. É um molengão ou não?

 

- Gooooool, Goooooool!!!! - apenas cinco minutos depois do jogo, nós gritamos essa palavra, que deixou o lugar mais descontraido. O barzinho vibrou quando o baixinho, Philipp Lahm, fez o primeiro gol da Copa! Como tantos outros, o meu vizinho pediu mais uma cerveja. Estava certo, vergonha, nós não iríamos passar. Todos no bar estavam atentos. Fizeram comentários ou foram o décimo segundo jogadar na grama.

 

Os jogadores ainda tem de achar as suas posições - raciocinou outro.

 

Apenas uma vez fiquei preocupada com o senhor barrigudo. De cabeça vermelha, as mãos no ar, ele gritou, Deus me livre. Estava com raiva do atacante Podolski. Logo depois, o Frings marcou o gol, a situação se aliviou. Ele deu um beijo forte na sua esposa.

 

A caminho da avenida principal, encontrei o meu professor de francês do colégio, somos amigos.

 

- É sempre o mesmo problema, faltam zagueiros bons - reclamou.

 

- Oh, Wilfried, para, é hora de festa.

 

 

 

 

 

 

Sabine Kiefer é antropóloga e reside em Colônia, Alemanha. E-mail: sakie@online.de

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